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| Encontro de Rubens Sevilha com o então papa João Paulo II |
Simpático e bem articulado, mas ainda reservado como todo carmelita, o novo bispo de Bauru, dom frei Rubens Sevilha, retorna ao Interior do Estado de São Paulo. Nascido em Tarabai, cidade próxima a Presidente Prudente, o frei deixou a pequena cidade, os pais e os quatro irmãos ainda muito novo, aos 12 anos, motivado por sua vocação sacerdotal. Em cerimônia na Catedral do Divino Espírito Santo, hoje, dom Sevilha é apresentado, oficialmente, aos diocesanos.
A celebração, que deve durar cerca de três horas e reunir mais de 2 mil pessoas, foi organizada por mais de 200 voluntários. A missa de posse será presidida pelo próprio dom Sevilha, e concelebrada pelo arcebispo metropolitano de Botucatu, dom Maurício Grotto, e pelo agora bispo emérito dom Caetano. Porém, antes da celebração religiosa, a partir das 14h15, dom Sevilha será recepcionado na porta da Catedral por autoridades da cidade.
De seus 58 anos, o novo bispo dedicou 40 à Ordem dos Carmelitas Descalços, na qual teve suas ordenações diaconal, sacerdotal e episcopal. A última, na Catedral Metropolitana de Vitória, pelas mãos de dom Luiz Mancilha Vilela, arcebispo metropolitano, quando foi apresentado como bispo-auxiliar e passou a realizar o trabalho diocesano.
Antes disso, dom Rubens Sevilha foi mestre dos postulantes da Ordem dos Carmelitas Descalços, em Caratinga (MG); mestre de noviços, em São Roque (SP) e duas vezes provincial dos Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil, pároco na Igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus, em São Paulo, e na igreja de mesma padroeira, no Rio de Janeiro. Além de morar, por três anos, em Roma, onde teve a oportunidade de conhecer São João Paulo II. "Estive com um santo em vida", afirma.
Ao Jornal da Cidade, o bispo também comenta as expectativas para o trabalho junto à Diocese de Bauru e relembra momentos importantes de sua trajetória e de sua formação religiosa. Confira abaixo:
Jornal da Cidade - Qual é a expectativa para o trabalho na Diocese de Bauru?
Dom Rubens Sevilha - Eu venho para servir. A ideia é de que Deus nos manda, nos envia. Há uma série de consultas sigilosas, nem nós ficamos sabendo, até que se chega na mesa do papa e ele determina para onde vamos. É muito bonito isso. Onde o Senhor me mandar, eu vou, para fazer o serviço de pastor, como um maestro dessa orquestra composta pelos padres e os leigos.
JC - Qual sua relação com Bauru? Já conhecia a cidade?
Dom Sevilha - Não, apenas de nome. Assim que soube, comecei a pesquisar e já fui me envolvendo. Tenho a consciência de que estou entrando na história dessa igreja. Então, a primeira parte foi conhecer e me inteirar sobre ela. Na véspera do feriado de Tiradentes, estava com dois irmãos e aproveitamos para visitar a cidade, apenas a passeio. Conheci a Catedral, a praça, o Calçadão, participei de encontro com a juventude, meu primeiro momento próximo à comunidade. E, desde segunda-feira, quando cheguei, venho me inteirando sobre a Diocese e a cidade como um todo.
JC - Como é voltar ao Interior de São Paulo?
Dom Sevilha - Nasci no Interior e passei boa parte da minha vida em Capitais. Esse retorno às origens fez com que eu lembrasse de quando meu avô chegou da Espanha e, após conhecer minha avô em Tupã, fundou Tarabai - que se chamava Nova América. Anos se passaram e Ademar de Barros pediu que se fizesse uma homenagem a um amigo dele, o deputado Felício Tarabai. Ninguém lá sabe quem é esse homem. Ali nasci. Eu sou o segundo filho de cinco homens. Meu pai, João Sevilha, faleceu há 12 anos. Minha mãe, Judite, é pernambucana, tem 84 anos e estará em minha posse.
JC - Quando o senhor percebeu sua verdadeira vocação para o sacerdócio?
Dom Sevilha - Muito cedo. Desde os 7 anos, eu dizia que queria ser padre, coroinha. Aos 12, fui para o Seminário da Ordem dos Carmelitas Descalços, em São Paulo, onde estudei até o noviciado. Um ano depois, minha família também se mudou para lá. A escolha foi de Deus e a opção foi minha, aos 18 anos, no noviciado. Estudei no antigo curso de filosofia do Colégio São Luis e teologia fiz em Roma, no Colégio dos Carmelitas. Em 1984, eu e mais sete rapazes do mundo inteiro fomos ordenados diáconos pelo bispo de Nazaré, no Monte Carmelo, em Israel, onde a Ordem nasceu. Depois, voltei a São Roque, onde fui ordenado frei carmelita pelo cardeal dom frei Paulo Evaristo Arns.
JC - Como foi sua trajetória?
Dom Sevilha - Comecei em Minas Gerais, no chamado Postulantado, que é a primeira experiência dos meninos que entram na Ordem. Fiquei quatro anos lá. Depois, voltei a São Roque onde trabalhei com os noviços por três ou quatro anos. Aí fui feito provincial, que é uma espécie de bispo dentro de uma ordem religiosa, então eu era coordenador dos Carmelitas do Sudeste. Em seguida, pela primeira vez, fui pároco, na Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, em São Paulo e também no Rio de Janeiro. Depois, fui ordenado bispo e assumi a Diocese em Vitória, Espírito Santo. Foi aí que me enturmei nesse mundo diocesano, até então eu era muito carmelita, muito interno.
JC - Como foi sua passagem por outros Estados?
Dom Sevilha - Tanto no Rio de Janeiro quanto em Vitória foram períodos difíceis em relação ao cenário de violência. No Rio, por exemplo, ouvíamos tiros. Naquele tempo, ainda não haviam sido realizadas as pacificações. Era algo comum os fiéis não quererem marcar reuniões à noite, por medo.
JC - E a experiência em Roma, na Itália?
Dom Sevilha - É da Ordem mandar para Roma, para diversificar a formação teológica. Foi uma experiência incrível, uma graça de Deus realmente. Tanto pela experiência internacional, que é muito enriquecedora, também pela cultural, onde pude aprender e conhecer muitas coisas e eclesial, pela proximidade com o Vaticano. Pude encontrar, em mais de uma oportunidade, com o papa João Paulo II, hoje, São João Paulo II, enquanto estudava Teologia. Foi um período enriquecedor.
JC - No ano do laicato, como o senhor avalia a participação dos fiéis, de uma forma geral?
Dom Sevilha - O papa Francisco tem sido uma maravilha para a igreja. Uma das coisas que ele coloca como um defeito é um certo ''clericalismo', ou seja, uma igreja ainda muito centrada no padre. Ele vê isso como um defeito e é. Porque, de fato, a igreja é todo o batizado. Todos são responsáveis por ela. Infelizmente, essa questão de hierarquia é vista de uma forma muito mundana. O que até fere o Evangelho em que Jesus diz: "Quem quer ser o maior, seja o menor". Não é questão de quem manda, são todos servindo, é só uma questão de papéis.
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| Dom Rubens Sevilha e o então papa Bento XVI, em Roma |
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| Sevilha comemora com a mãe Judite a ordenação episcopal |
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| Robson Sevilha (à esq.), Judite Albuquerque Sevilha, Rubens, Ramiro Sevilha e Ranieri Sevilha |
| Samantha Ciuffa |
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| Dom Rubens Sevilha fala sobre suas experiências e expectativas |




