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Caminhões parados deixam postos vazios e pode faltar comida e remédio

Por Alberto Alerigi Jr. e Lisandra Paraguassu | Reuters
| Tempo de leitura: 4 min

O movimento de paralisação dos caminhoneiros deu ao governo até a sexta-feira (25), para que seja apresentada uma proposta de redução do preço do combustível. Até lá, caminhões continuarão parados. Se nenhuma proposta considerada adequada for apresentada, o movimento será ampliado e motoristas prometem paralisação total a partir de sábado. A informação foi dada pelo presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, que se reuniu com a cúpula do governo para negociar o tema. Desabastecimento em alguns itens de alimentos, remédios e outros insumos começa a preocupar o governo. Falta de combustível pode afetar o transporte rodoviário, marítimo e aeroviário.

O movimento dos caminhoneiros participou de uma reunião no Palácio do Planalto na tarde desta quarta-feira. No encontro, o governo pediu uma trégua de uma semana para negociar uma solução para o custo dos combustíveis. O movimento, porém, rejeitou a proposta e os caminhoneiros deram dois dias para que o governo traga uma proposta para redução do preço dos combustíveis.

Até sexta-feira, segundo Fonseca Lopes, o movimento de paralisação continuará normalmente nos Estados, mas será permitido tráfego de medicamentos, carga viva e perecíveis. "Mas se na sexta-feira não apresentarem nada, vai parar tudo", disse o presidente em entrevista após a reunião no Palácio do Planalto.

'Se algo não for feito', desabastecimento pode se estender pelo País, diz Abras

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirmou em nota que identificou dificuldades de abastecimento em diferentes Estados brasileiros em meio à paralisação dos caminhoneiros. A entidade considerou que os problemas poderão se estender para todo o Brasil "se algo não for feito".

"Mesmo com o esforço do setor de supermercados para garantir o perfeito abastecimento da população brasileira, identificamos que alguns Estados já começaram a sofrer com o desabastecimento de alimentos, e que isso poderá se estender para todo o Brasil nos próximos dias, se algo não for feito", diz a entidade.

No Estado de São Paulo, supermercados já relataram dificuldades no abastecimento de frutas, legumes e verduras. Os preços da batata chegaram a subir em razão do impacto da paralisação.

A Abras afirma que "está buscando sensibilizar o governo federal para que uma solução seja tomada imediatamente, evitando, assim, que a população sofra com a falta de produtos de necessidades básicas e com uma eventual elevação nos preços".

BRF suspende atividades em 4 unidades por causa da greve de caminhoneiros

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, informou por meio de nota, assinada por Lorival Nogueira Luz Jr, diretor presidente global e vice-presidente, financeiro e relações com investidores que na manhã desta quarta-feira, 23, suspendeu a atividade de quatro unidades de abate de frangos e suínos.

As plantas ficam em Nova Marilândia (MT), Dois Vizinhos (PR), Toledo (PR) e Campos Novos (SC). O motivo é falta de insumos e de animais para abate e de caminhões para escoar os produtos processados. A principal reivindicação dos caminhoneiros é a redução da carga tributária sobre o diesel.

Além dessas quatro, outras nove unidades terão atividades parcial ou totalmente paralisadas nesta quarta-feira, dia 23. Elas estão localizadas em Rio Verde (GO), Uberlândia (MG), Dourados (MS), Chapecó (SC), Garibaldi (RS), Marau (RS), Concordia (SC), Herval do Oeste (SC) e Francisco Beltrão (PR).

Segundo a empresa, diversos insumos utilizados na industrialização de alimentos não foram entregues na terça-feira, 22, e nesta quarta, 23, o que prejudicou a produção. A empresa relata também que existe falta "considerável" de abastecimento de ração destinada aos animais alojados nos produtores rurais integrados, que criam as aves para engorda.

Esse desabastecimento impacta cerca de 1 milhão de animais, podendo alcançar a totalidade do plantel nos próximos dias.

Abrafarma vê risco de faltar remédio

Em defesa do acesso da população à saúde, a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) vem a público alertar para a grave realidade gerada pela greve dos caminhoneiros, que já completa três dias. Farmácias e drogarias de todo o país já sofrem com o desabastecimento de produtos essenciais.

Um dos principais problemas referem-se aos medicamentos termolábeis, que devem ser mantidos refrigerados e necessitam de temperatura estável até o seu destino final – algo impossível de ser garantido com um veículo travado nas estradas.  

Na manhã desta quarta-feira, dia 23, veículos que transportavam medicamentos dos distribuidores e centros de distribuição até os pontos de venda chegaram a ser apedrejados, e seus motoristas agredidos fisicamente. Se levarmos em conta somente as maiores redes do país, afiliadas à Abrafarma e que cobrem 90% do território brasileiro, mais de 6,3 milhões de unidades têm deixado de ser entregues diariamente. São 2,4 milhões de consumidores que veem seu atendimento comprometido.

Entendemos que protestos de qualquer categoria profissional são legítimos, desde que não atinjam direitos básicos da população. Solicitamos à coordenação do movimento grevista que entenda a importância de se manter a população com acesso a produtos tão essenciais quanto medicamentos. 

 

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