Cultura

Solo (e bem acompanhado)

Rodrigo Salem e Thales de Menezes
| Tempo de leitura: 3 min

Jonathan Olley/LucasFilm
Alden Ehrenreich (Han Solo) e Joonas Suotamo (Chewbacca) em 'Han Solo: Uma História Star Wars', que faz a sua aguardada estreia oficial nesta quinta-feira

Quando a Disney retomou a saga "Star Wars" com "O Despertar da Força", em 2015, não havia desconfiança sobre o sucesso da nova empreitada. O filme de J.J. Abrams foi bem recebido pela crítica e rendeu mais de US$ 2 bilhões (R$ 7,3 bilhões).

A Força, contudo, sofreu um pequeno abalo, no ano passado, quando "Os Últimos Jedi", de Rian Johnson, foi repudiado por muitos fãs e rendeu cerca de US$ 800 milhões (quase R$ 3 bilhões) a menos.

"Han Solo: Uma História Star Wars", que estreia mundialmente nesta quinta (24/5), tem a missão de colocar nos trilhos a saga criada por George Lucas e provar que a franquia ainda tem fôlego.

O longa, que conta a origem do piloto contrabandista, tem os bastidores mais turbulentos da série. "Han Solo" começou a ser filmado em janeiro de 2017 pelos diretores Phil Lord e Christopher Miller, dos sucessos de bilheteria "Anjos da Lei" (2012) e "Uma Aventura Lego" (2014).

A dupla entregou pedidos de mudança para os roteiristas Lawrence Kasdan (de "O Império Contra-Ataca") e seu filho Jonathan - sugestões aceitas ou adaptadas para o espírito da franquia.

Mas o estilo despojado de Lord e Miller começou a colidir com a estrutura rígida do negócio multibilionário.

Regis Duvignau/Reuters
Diretor Ron Howard e Chewbacca no Festival de Cannes 2018

Os cineastas passaram a improvisar, adicionando falas e movimentos de câmera. Além disso, permitiram que os atores alterassem os diálogos.

Kasdan, também produtor-executivo do longa, não gostou e exigiu que as falas fossem lidas sem mudanças. A dupla seguiu com as improvisações, mas filmou também takes com os diálogos literais.

A coisa desandou em maio, quando a produção foi de Londres para as Ilhas Canárias.

Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm, insatisfeita com o andamento das coisas, demitiu o editor Chris Dickens (ganhador do Oscar por "Quem Quer Ser um Milionário?") e chamou Pietro Scalia, o favorito de Ridley Scott.

Ela também contratou uma professora de atuação para o ator Alden Ehrenreich, dono do papel do contrabandista intergaláctico que ganhou fama com Harrison Ford.

Lord e Miller continuaram apostando no improviso e reclamaram da falta de liberdade criativa. A lentidão incomodava a equipe técnica. Kennedy demitiu a dupla a três semanas do fim das filmagens.

"Quando você trabalha todas as manhãs em um filme de 'Star Wars', há milhares de pessoas à sua espera. Você precisa ser rápido e decisivo", disse Kasdan à revista "Variety". Kennedy levou isso a sério: em dias, contratou Ron Howard, amigo de Lucas e conhecido pela rapidez e pelo bom relacionamento com executivos.

Howard assumiu em junho um projeto que acabaria em julho. Ganhou quatro meses e refilmou cerca de 70% do filme, elevando o orçamento para US$ 250 milhões. Lord e Miller ficaram com o crédito de produtores-executivos.

"[A dupla] produziu bastante, mas diferenças criativas impediram que fosse em frente", contou Howard à imprensa, em Los Angeles.

"Várias coisas funcionavam e gostaríamos de mantê-las. Mas havia material ainda não produzido e certas cenas em que pude experimentar."

Do caldeirão saiu um filme mais infantojuvenil, similar ao da trilogia original. Os fãs veem como Han ganhou o famoso sobrenome, como conheceu Chewbacca (Joonas Suotamo), o início da relação com Lando Calrissian (Donald Glover) e a história de amor trágica com Qi'ra (Emilia Clarke).

Pode não bastar. Segundo o site de análise de bilheterias Box Office Pro, "Han Solo" deve render no fim de semana prolongado - em razão do feriado nos EUA - quase US$ 150 milhões (R$ 547 milhões). A cifra equivale à de "Rogue One" (2016), mas decepciona para um personagem tão conhecido da cultura pop.

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