Já observou o comportamento de determinada pessoa quando algo de sua rotina sai da normalidade e ele tem saúde fragilizada? Normalmente ele fica debilitado. Isso acontece com o paciente chamado Brasil. Toda vez que há mudanças estruturais no resto do mundo, debilitamos internamente. Temos internamente doenças que não foram curadas.
Estas doenças ficam mais evidentes quando analisamos os indicadores econômicos: Bolsa de Valores não se sustenta; a economia não cresce; os juros não caem para o tomador de empréstimos; a confiança dos agentes econômicos é abalada; investimentos são postergados; o câmbio fica instável e o desemprego não é equacionado. Isso só para citar alguns parâmetros.
Se o nosso paciente fosse sadio, ou seja, se o Brasil fosse estruturalmente sustentável, teríamos poucas consequências internas quando há movimentos externos, como observamos na questão da guerra comercial dos Estados Unidos com a China, a elevação dos juros americanos, as questões geopolíticas mundiais, entre outras. No máximo teríamos pequenas oscilações internas, de curtíssima duração.
Quais são as reais necessidades internas para sustentar o crescimento e garantir estabilidade de longo prazo para a economia brasileira? Primeiramente é equilibrar as contas públicas. Os déficits nas contas do governo são gasolina na fogueira. Estamos falando de confiança dos agentes econômicos. Como o País praticamente atingiu o limite máximo suportável pela sociedade no tocante a carga de tributos, não resta outro caminho a não ser reduzir as despesas públicas. Neste particular é preciso implementar as reformas estruturais. Estamos falando da reforma na previdência social, na reforma administrativa, na reforma política e na reforma do judiciário.
Além das reformas estruturais é preciso investir em infraestrutura. Vejam o que está ocorrendo com a questão dos fretes devido à alta dos preços dos combustíveis. A malha de transporte do Brasil é equivocada. Um País com a dimensão territorial como é a do Brasil não pode abrir mão da integração de modais: ferrovia, rodovia, hidrovia e aerovia. O privilégio ao transporte rodoviário eleva o custo Brasil e com ele o País perde competitividade.
Por sinal este outro ponto a ser atacado: reduzir o custo Brasil, ou seja, o custo de nossa ineficiência interna, e elevar a competitividade internacional. É imprescindível aportar investimentos em ciência e tecnologia. Estamos atrasados no campo da inovação o que nos deixa frágeis no tocante ao comércio internacional, gerando dependência externa.
Com um Estado menos gastador, mais enxuto, com as Instituições funcionando, sem insegurança jurídica, atacando os gargalos internos, nosso paciente chamado Brasil será saudável, caso contrário, uma leve brisa adoecerá o País, chegando no extremo a UTI.
Sabe o que é preocupante? A superficialidade no posicionamento dos pré-candidatos a sucessão presidencial, notadamente àqueles que lideram as pesquisas de intenção de voto. O populismo tem falado mais alto e o tema reformas estruturais passou a ser algo maldito. Afinal que País queremos? Se for o País do individualismo, do que meu bem-estar de curto prazo sigamos sem mexer estruturalmente e convivamos com a força do vento, nos levando para onde quiserem; ou então se tivermos uma visão coletiva, do todo, em cada um sacrifica um pouco, construiremos um Brasil a altura de nosso potencial econômico.
Pena que a classe política, principalmente os que atuam em Brasília, está mais para o salve-se quem puder, do que para darem sua contribuição para tornar nosso País sustentável econômica e socialmente.
Temos tempo ainda, no voto, de mudar o rumo das coisas. Até que isso aconteça às doenças internas nos comprometerão.
O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube com o canal Planeta Economia.