| Samantha Ciuffa |
![]() |
| Rodrigues Alves foi um dos locais que recebeu grande número de veículos em manifestação |
Diversos grupos de manifestantes tomaram as principais avenidas da cidade com caminhões, ônibus, carros e motos, nesta sexta-feira (25), entre o final da tarde e o início da noite, para protestar contra a alta do diesel e apoiar os caminhoneiros. Em meio aos protestos, Clodoaldo Gazzetta (PSD) decretou situação de emergência pública em Bauru, uma vez que a paralisação nacional gerou desabastecimento parcial de combustível. O decreto n.º 13.794 será publicado no Diário Oficial neste sábado (26).
A greve segue surtindo efeitos em vários setores da sociedade, como suspensão de concurso público, aumento de preços no atacado e falta de produtos no varejo, além da corrida aos postos de combustíveis com registro de imensas filas. Outro reflexo do movimento é sentido no transporte público. As linhas de circular terão rotina alterada a partir de hoje.
Após o acordo anunciado na última quinta-feira (24) "derrapar", a greve segue em todo o País com apoio da população. Pelo menos três atos distintos ocorreram em Bauru nesta sexta. Em alguns momentos, os manifestantes se encontraram pelo caminho percorrido por cada grupo. Um deles se concentrou às 17h na Nações Norte. De lá, seguiram para as vias mais importantes da cidade, chegando a reunir mais de 100 veículos.
A carreata seguiu da Nações até a Rodrigues Alves. Os motoristas contornaram a Praça Machado de Mello, retornando para a Rodrigues até a rua Gerson França, para acessar a Duque de Caxias. Em seguida, seguiram pela Rio Branco até a Getúlio.
O grupo atravessou toda a avenida e acessou a Rondon. A proposta era seguir pela pista até o trevo do Gasparini, mas o Policiamento Rodoviário desviou o tráfego para a Nações, por onde os veículos seguiram até o ponto de partida. Trânsito registrou lentidão conforme a carreata avançava. O ato ocorreu de forma pacífica e foi acompanhado pela PM.
DECRETO MUNICIPAL
O desabastecimento provocado pela greve atingiu o estoque de combustível da frota municipal. Com isso, o prefeito Gazzetta declarou estado de emergência na cidade. O decreto tem respaldo na Lei Orgânica do Município, informou a assessoria de comunicação do Executivo, em nota.
Considerando a necessidade da manutenção das atividades fundamentais, o documento exige que todas as empresas que comercializem combustíveis na cidade deem prioridade a atendimento dos serviços públicos essenciais, tais como: atendimento à saúde (transporte de pacientes, distribuição de insumos e medicamentos) e educação (transporte de alunos e distribuição de gêneros alimentícios para estabelecimentos educacionais).
Transporte coletivo urbano; coleta de lixo; segurança pública e Defesa Civil; e Conselho Tutelar também são destacados como serviços essenciais. "O presente decreto tem vigência até que o fornecimento de combustível no município seja normalizado", finaliza o comunicado.
CIRCULARES RESTRINGEM HORÁRIOS A PARTIR DE HOJE
A Emdurb montou plano emergencial no transporte coletivo, visando garantir aos usuários do sistema um atendimento básico, principalmente nos horários de pico.
Desse modo, hoje, o sistema manterá a tabela horária normal de sábado até as 13h. A partir desse horário, gradativamente, deverá entrar em operação a tabela de domingos e feriados. Amanhã, o sistema operará também com a tabela de domingo e feriado.
A partir de segunda é que ocorrem as maiores alterações, que seguem nos dias úteis. Desde o início de operação até as 9h30, os circulares seguirão normalmente com tabela de dia útil. Das 9h30 às 15h30, operará com tabela de sábado. Depois, das 15h30 às 19h, volta a rodar com a tabela do dia útil. Por fim, a partir das 19h até o término da operação, operará com tabela de sábado.
A Emdurb destaca ainda que a linha "Bauru Shopping/Jd. Planalto - Vila Lemos/Vila Quaggio" segue sem alteração.
"Se a greve continuar, a partir de terça, provavelmente teremos que diminuir as linhas de menor movimento e concentrar os itinerários nos horários de pico", explica o presidente da Emdurb, Elizeu Eclair.
Paralisação segue com efeitos pelo município
O Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região (TRT-15) suspendeu um concurso público para cerca de 4 mil pessoas em Bauru, que seria realizado neste domingo (27). O órgão alega que a greve tem gerado desabastecimento de combustível e, portanto, dificuldade de locomoção dos candidatos. Ainda não foi definida nova data para o certame.
Nesta sexta-feira (25), o secretariado municipal se reuniu. Titular da Obras, Ricardo Olivatto disse que o tapa-buracos na cidade deve ser "travado" na próxima quarta, caso o movimento persista. Secretário de Meio Ambiente, Sidnei Rodrigues disse que a pasta só está executando trabalhos emergenciais.
Em nota, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) reiterou a falta de itens de frutas, legumes e verduras, bem como de carnes, leite e derivados, panificação congelada e produtos industrializados que levam proteínas no processo de fabricação.
Em Bauru, até ontem, nenhum voo havia sido cancelado no Aeroporto Moussa Tobias (Bauru-Arealva), informou o Daesp.
A Secretaria da Educação do Estado informa também que as escolas irão abrir normalmente e que cada diretoria irá avaliar sua realidade.
A Prefeitura de Bauru garante que o transporte de pacientes não foi comprometido até o momento. Já o sindicato dos postos reitera que, por ora, a cidade não corre o risco de ficar sem combustíveis.
DIFICULDADES COM PAPEL
| Bruno Freitas |
![]() |
| Marco Antonio comenta a situação atual |
Segundo o diretor industrial e de TI do JC, Marco Antonio de Campos Oliveira, que integra a diretoria de insumos da Associação Paulista de Jornais (APJ), a dificuldade sofrida por vários segmentos produtivos em decorrência da greve também é sentida pelos periódicos, como o JC.
"Trabalhamos com quotas e estoque semanal. A última entrega ao JC foi na quarta-feira da semana passada, portanto há mais de 10 dias, pegando dois finais de semana seguidos, que é quando a nossa demanda aumenta em 50% em relação aos dias úteis em função da ampliação da tiragem avulsa e do número de cadernos que se multiplica", explica.
"Como nosso fornecedor não conseguiu nos enviar a carreta fechada da cota quinzenal, que vem do Paraná, em função da greve, buscamos outras opções, até mesmo negociando a aquisição de papel no mercado com outro fornecedor mais próximo, buscando volume suficiente para rodarmos o jornal até a regularização da greve, mas a carga também foi barrada e, até agora, eles também não conseguiram realizar a entrega das bobinas. Temos esperança de que até segunda-feira as entregas sejam feitas e possamos continuar nosso trabalho de impressão dentro da normalidade", destaca o diretor.
Presidente da APJ e diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden está em contato permanente com seus associados e a maioria deles está em condições parecidas com a do JC, ou seja, sem estoque de papel e aguardando o final da greve para que possa dar continuidade normal às edições da semana que vem. Zaiden diz que torce pelo entendimento e normalização do abastecimento em todos os setores do mercado.
PS: Diferente do que foi publicado anteontem em matéria sobre esse tema, não é número de impressões de jornais que aumenta para 50 cidades no final de semana, mas sim o consumo de papel que se amplia em 50%.
| Samantha Ciuffa | |
![]() |
|
| Carreata na avenida Rodrigues Alves, em Bauru |
![]() | |
| Manifestação desce a rua Agenor Meira, em Bauru |
| Samantha Ciuffa | |
![]() | |
| Grupo reunido na Nações Norte |
| Samantha Ciuffa | |
![]() |
|
| Concentração para a manifestação |
Veja vídeo - Samantha Ciuffa





