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O Brasil agoniza

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 2 min

As receitas das commodities têm se mostrado voláteis e essa volatilidade prejudica o crescimento econômico criando incertezas sobre o futuro o que, por sua vez, desencoraja investimentos do setor privado.

O método básico para suavizar a volatilidade é conhecido desde os tempos bíblicos, quando o faraó egípcio - seguindo um conselho de José - guardou uma fração da produção de grãos do seu reino durante os sete anos de prosperidade para sustentar seu povo durante os sete anos seguintes de fome. Se um faraó do Antigo Testamento foi capaz de acumular recursos durante os anos de vacas gordas para usar durante os anos de vacas magras, por que o Brasil não consegue fazer o mesmo? A resposta da sociedade a um problema depende de seus políticos e de seus valores culturais. As instituições políticas e esses valores afetam o modo como as sociedades resolvem ou tentam resolver seus problemas.

Os políticos que, infelizmente, elegemos, para gerenciar esse país, por décadas gastaram demais e mal. Com o objetivo de obter mais recursos para gastar cobram mais impostos. O vento que soprou de 2003 a 2010 e elevou os preços das commodities, se dissipou. Inserido em um mundo complexo, ainda com as cicatrizes abertas pela corrupção por onde se esvaem bilhões de reais, o Brasil agoniza.

O governo precisaria ser transparente e enxuto e isso criaria um ciclo virtuoso de retroalimentação: quando os cidadãos acreditam que seu governo vai poupar e investir de forma responsável, todo o povo se torna mais tolerante e paciente quanto ao recebimento dos benefícios resultantes disso.

Para neutralizar a desaceleração econômica e os problemas internos causados pela alta nos preços do petróleo e do dólar, o governo deveria investir, na época das vacas gordas, uma fração das suas receitas em ativos sustentáveis, como o capital físico da nação (infraestruturas e novos modais de transporte) e o capital humano (educação), enfim, substituir a riqueza abaixo do solo pela riqueza acima do solo. Não o fez, muito pelo contrário, o país ficou cada vez mais dependente do Diesel. Sucessivos governos ignoraram o que essa greve demonstrou: o país, literalmente, anda sobre as rodas do caminhão.

Por sermos tão dependentes do transporte rodoviário, é imperdoável doze anos com falhas de diagnósticos, erros de gestão e o uso da Petrobras para fins, prioritariamente, políticos. A tão propalada autossuficiência de petróleo foi substituída por déficits crescentes na sua balança comercial. A produção não registrou crescimento no ritmo esperado; a adição e operação dos novos campos do pré-sal apenas compensaram a produção decrescente e o esgotamento de poços antigos.

O Estado brasileiro precisa entender que o genuíno crescimento do país é puxado pelo setor privado e não por decisões arquitetadas por políticos, tecnicamente, despreparados. Até os chineses já perceberam isso.

Reduzir a carga tributária com a correspondente diminuição do peso do estado e adotar práticas sustentáveis é obrigação para quem deseja conquistar a prosperidade econômica.

O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru.

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