Antes que pessoas que nunca participaram de uma greve ou manifestação séria venham com o famoso discurso de que os caminhoneiros poderiam ter adotado medidas menos radicais, vamos esclarecer alguns pontos.
Inicialmente, penso que essa visão pequena vai na contramão da cultura de manifestações populares de países desenvolvidos. Em minha vida, participei de várias greves e manifestações. Também tive a oportunidade de presenciar manifestações em Barcelona, Paris e Berlim e lá a população apoia os manifestantes e cobra do governo a solução dos problemas. Aliás, essas manifestações cidadãs também são comuns nos nossos vizinhos mais esclarecidos: Argentina e Chile.
Aqui, entretanto, comum é acusar qualquer manifestação ou greve de radicalismo e deixar incólume os governos incompetentes e dissociados da população, suas necessidades e anseios. É o que acontece com toda mobilização, como por exemplo as dos profissionais da saúde, da educação, da segurança, da justiça...
Paralisações onde o povo deixa de olhar para o verdadeiro causador do problema e passa apontar o dedo para aqueles que vêm nos mostrar a falência do Estado e o descaso para com a população.
No caso em questão, vale lembrar que há muito tempo os caminhoneiros tem tentado negociar com o governo, que fez ouvidos moucos e pouco caso, preocupado que está a classe política com a eleição que se avizinha e em fugir da Lava-Jato.
Na realidade esta paralisação expõe a falta de sintonia entre povo e governo, o desmonte das ferrovias feita por uma política de desmonte do Estado, orquestrada na era FHC, caudilho do PSDB... A mesma política que adota, agora, o PMDB e o medíocre Temer em relação à Eletrobras, em que se pretende vender um patrimônio de 480 bilhões por 20 bilhões.
Expõe ainda a corrupção, vinda desde os primórdios da nação e que o PT, ao invés de combater, fez sua aliada em seus planos de perpetuação do poder.
Por isso, apoio a paralisação dos caminhoneiros... Apoio, especialmente por terem tido a coragem que muitos de nós não temos, preferindo mostrar nossa indignação na comodidade do lar, repassar mensagenzinhas de whatsapp enaltecendo os militares ou elegendo salvador da pátria a figura do Bolsonaro, ao invés de nos unirmos, arregaçarmos as mangas e cobrarmos de fato os responsáveis por esse caos social.