Saudades da minha infância. Na casa da avó Luzia tudo era possível. Lá, minha infância tinha - quer saber? - sabor de brigadeiro. De quero mais. Também, a vó Luzia sabia, como ninguém, fazer pratos deliciosos. Vô Aristeu nos observava com olhares silenciosos. Dos meus avós, da refeição, da reunião, da família, assim, guardo em mim lembranças suaves de alegria.
A prima Heloísa, desbaratada como uma lagartixa, ficava no corre-corre do quintal brincando de esconde-esconde comigo. Alexandre tentava, como uma placa na contramão, nos irritar. A manhã corria depressa. No vaivém das brincadeiras, a alegria de estarmos entre primos, de convivermos com parentes, de sermos família. Dava até pra perceber, com o nosso suor teimoso, a hora certa de parar. Nossos cabelos, agitados como folhas entregues ao vento. Nossas vontades, ansiosamente, buscavam, com o dedo indicativo, saborear o prato que a vó estendia na mesa.
Vó Luzia sabia nos agradar. O que era para ser surpresa, surpreendia-me sem estragar. Estrogonofe! Assim são meus avós. Assim, foi minha infância.