Tribuna do Leitor

Vírus estradeiro

Edilson Nogueira Marciano
| Tempo de leitura: 1 min

Noite passada provoquei um amigo, brilhante professor de História, Luis Fabiano Santos Gomes. Disse a ele que a responsabilidade por tudo isso que estava acontecendo era dele, que não ensinava aos alunos, de forma eficaz, o que foi a ditadura militar.

Irresignado, "Fabuloso", como gosta de ser chamado, respondeu: "Mais enfático impossível, meu amigo". Talvez ele tenha razão, afinal, como ser mais enfático do que a lembrança da própria ditadura militar?

Emiliano Zapata disse certa vez que: "Um povo forte não precisa de governo forte" e faz todo sentido. Admirador contumaz da nossa história, tenho que concluir que temos sido um povo fraco, aceitamos ser conduzidos satisfazendo-nos com os antolhos que nos são colocados e que sempre apontam o caminho mais fácil para os fracos: a intervenção militar.

A fraqueza dos brasileiros é contaminante, o grito desesperado das estradas de forma viral infecciona os milhões de grupos de whatsApp, repercutindo fake news de forma encolerizada e pedindo intervenção militar e força. Tudo isso de forma tão antagônica ao nosso hino, já que não conquistamos a nossa liberdade com braço forte, tampouco desafiaríamos o nosso peito a própria morte.

Nossa história é de fraqueza, sempre nos socorremos dos militares. Até a Proclamação da República nós terceirizamos a eles. E a nossa responsabilidade?

Seremos fracos para sempre? Povo forte não precisa de líder forte. Non Ducor Duco (Não Sou Conduzido, Conduzo).

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