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A democracia baseada na anarquia que conduz à tirania não é o melhor caminho para o Brasil

Antonio Carlos da Silva Barros
| Tempo de leitura: 2 min

Platão, em sua obra "A República", analisando a Democracia e as possibilidades de sua degeneração na Anarquia e Tirania, estabelece um quadro com situações extremamente semelhantes à nossa realidade atual. Descreve a Democracia como uma forma de governo que pode ser reivindicada por qualquer pessoa, que em si não consegue reconhecer a ordem das prioridades das coisas nem sequer a hierarquia e as autoridades constituídas.
Ao mesmo tempo, a "cidade democrática" elogia e honra os governantes que tem "ar de governados" e governados que assumem "ares de governantes", baseados no espírito da liberdade que acaba por atingir as famílias quando os pais tratam os filhos como seus iguais, sem a existência do respeito e, ao mesmo tempo, os mestres adulam seus discípulos e estes fazem pouco caso de seus mestres. Os mais velhos imitam os mais jovens com medo de se passarem por "antigos". Assim nasce a tirania. (Fonte: baseado no Caderno Filosofia, 3ª. Série, vol 1, pg 58. SEE-SP, 2018)

Quando deixamos que a falácia da liberdade ultrapasse o limite da leitura das necessidades dos outros e da Lei que construímos juntos... e quando deixamos que a busca pela igualdade seja maior que o respeito, a honra e o dever de sentido que precisamos deixar para as gerações futuras... e quando aqueles que precisam levar o conhecimento aceitam trocá-lo pelo prazer da bajulação e do ócio... e quando aqueles que já viveram a experiência do viver decidem pelo não-viver e a simples imitação... estamos, assim, construindo uma geração sem sentido, fundamentada na Anarquia.

Quando começamos a deixar que um Estado abandone a sua Lei Maior, construída com o sacrifício de tantos seres humanos, em favor da causa única de um único olhar como o certo, sem olhar as crianças que ficaram sem comida porque só podem comer na escola; sem olhar os pais e mães de família que não conseguiram trabalhar porque é de cada dia que tiram seu alimento; sem olhar as consequências de meu ato individual em busca da liberdade e do atendimento total de minha vontade, esqueço que faço parte de uma cidade, de um povo, de uma Nação.

A tirania não nasce de uma pessoa... nasce de uma vontade de olhar o mundo com um único modo, estando ou não no poder: o meu único modo de enxergar as coisas.

Aceitar os limites em favor de alguns é sabedoria. Querer tudo em favor de poucos é tirania, não importa se de extrema direita ou esquerda. Creio que este não é este o caminho da melhor Democracia.

Todos estamos na mesma cidade. Fazemos parte do mesmo povo. Construímos com o suor de cada dia, com as nossas mãos, a Nação. Todos. Quero uma Nação onde caibam Todos. Inclusive você que acabou de ler esta reflexão.

O autor é professor, filósofo e cidadão.

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