Regional

Empresas suspendem produção em razão da greve dos caminhoneiros

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
Unidade da Irizar de Botucatu dará férias para seus funcionários entre os dias 4 e 11 de junho

A greve dos caminhoneiros, que chegou nessa terça-feira (29) ao nono dia, está afetando empresas da região. Em Botucatu, duas grandes fabricantes de ônibus decidiram suspender as atividades na linha de produção. Grupo que possui usina de açúcar e álcool em Barra Bonita está mantendo apenas os serviços essenciais. O problema do desabastecimento também levou mais cidades a adotar ações emergenciais.

Em nota, a Irizar Brasil informou que, em razão da paralisação dos caminhoneiros, todos os funcionários da unidade de Botucatu entrarão em férias a partir do próximo dia 4 de junho, com retorno ao trabalho no dia 11 do mesmo mês. "O motivo da pausa consiste nos problemas encontrados no transporte de materiais e insumos", declara.

Também em nota, a Caio Induscar anunciou que as equipes das áreas produtivas da fábrica de Botucatu irão folgar a partir desta quarta-feira (30), com retorno no dia 4 de junho. Ontem, a produção funcionou parcialmente. "As áreas administrativas e de apoio trabalharão normalmente, exceto na quinta-feira, 31 de maio, feriado", diz.

A assessoria de imprensa da Raízen, grupo proprietário de usina de açúcar e álcool em Barra Bonita, declarou que "as operações nas unidades produtoras estão apresentando dificuldades devido à falta de insumos para produção industrial e agrícola, de forma que parte das usinas estão trabalhando apenas com serviços essenciais".

EMERGÊNCIA

A lista de municípios que decretaram estado de emergência em razão da greve dos caminhoneiros também aumentou. Além de Agudos, Bocaina, Borborema, Botucatu, Cabrália Paulista, Dois Córregos, Jaú, Lençóis Paulista, Macatuba e Pederneiras, o JC apurou que, ontem, Bariri, Areiópolis e Pratânia também recorreram à medida para garantir os serviços essenciais por meio da prioridade de abastecimento da frota nos postos.

SUSPENSÃO

Em Pratânia, as aulas na rede municipal estão suspensas por tempo indeterminado a partir de hoje, assim como os transportes de trabalhadores e universitários e de pacientes para consultas não emergenciais em outras cidades. A creche municipal manterá o atendimento e a coleta de lixo na área urbana não sofrerá alterações. A coleta de lixo na zona rural e a coleta de reciclável também foram suspensas.

Em Macatuba, Comitê de Crise da prefeitura decidiu suspender a partir de hoje ônibus circular, transporte de alunos da zona rural que frequentam escolas municipais, estaduais e Apae, e transporte intermunicipal de estudantes. Segundo o município, não há etanol, óleo diesel ou gasolina em nenhum posto da cidade. A transferência de pacientes para hospitais da região e o transporte para hemodiálise estão mantidos.

A Prefeitura de Jaú também anunciou ontem a suspensão das aulas nas escolas municipais na próxima segunda e terça-feira (4 e 5). Em Lins, a Secretaria de Educação revelou que, em razão da falta de abastecimento de gás para preparo da alimentação escolar, teve de fazer mudanças no cardápio. Hoje, alunos dos períodos da manhã, tarde e noite receberão "alimentação seca" (composto lácteo/biscoito).

FORÇA-TAREFA

Em Marília, o Ministério Público Federal (MPF) articulou esquema para localização, escolta e formação de comboios de caminhões-tanque que estavam impedidos de levar sua carga para 41 municípios das regiões de Marília, Tupã e Lins.

A força-tarefa, que também reúne equipes da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Estadual, busca garantir o funcionamento mínimo nas áreas de segurança pública, saúde e de transporte público.

Paralelamente, o MPF solicitou que as polícias também priorizem a segurança e a liberação de cargas contendo remédios e insumos médico-hospitalares e outros itens de primeira necessidade para serviços e emergências em saúde.

Rede de solidariedade

Polícia Militar/Divulgação
O soldado Bueno e o cabo Gilberto ajudaram garoto doente

Em meio à crise de desabastecimento gerada pela greve nacional dos caminhoneiros, o pequeno Guilherme, da cidade de Praia Grande, que faz tratamento contra o câncer no Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú, contou com ajuda da Polícia Militar (PM) para voltar para casa. Durante doação de sangue no hospital nesta segunda-feira (28), policiais souberam que o menino e a avó não conseguiram transporte gratuito para retornar para a cidade onde moram.

O cabo Gilberto e o soldado Bueno deram início a campanha, que contou com apoio da imprensa e de organizações não-governamentais, e, em pouco tempo, já estavam com passagens de ônibus para os dois. No horário da viagem, uma viatura foi até o HAC buscar avó e neto para levá-los até o Terminal Rodoviário.

 

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