Tribuna do Leitor

Nau sem rumo

Alfredo Enéias Gonçalves d'Abril
| Tempo de leitura: 2 min

Concordo plenamente com o pensamento de Rafael Moia Filho, exposto em seu artigo publicado na pág. 2, da edição do JC datada de 26 último. O articulista relata com a veracidade de conhecimento do brasileiro de bem, em variadas e resumidas ponderações sobre a política e economia do país, que em busca do tempo perdido nos governos incompetentes ou corruptos o país segue patinando, numa cadência desanimadora.

Por certo o eleitor procura a cada pleito eleitoral, por meio do voto consciente, depositar sua confiança aos que foram eleitos para governar este dilapidado país, contudo, pouco tempo depois de diplomação vem a desesperança com a decepção revelada por ações de incompetência e negligência para solucionar questões que vêm se eternizando qual moléstia endêmica, inflando diante da fraqueza dos desafios de governantes.

Veja o episódio da greve dos caminhoneiros. A paralisação do setor de transportes de cargas por estradas de rodagem foi um fato induvidosamente pré-anunciado.

Nas várias vezes em que a Petrobrás divulgou o aumento do preço do combustível, houve imediato protesto dos caminhoneiros com séria ameaça de paralisação geral dos transportes. Mas o governo central sempre subestimou a energia dessa resignada categoria de trabalhador, que jamais aceitou os sucessivos aumentos do preço, com protestos que se faziam desorganizados e olhados com indiferença pela coletividade.

Este ano foram 5 as majorações do preço do combustível, justificadas pela elevação do preço internacional do produto, mas no fundo, o descrente na justificativa da Petrobrás, geralmente a categoria socioeconômica que mais sofre com a falta de estabilidade das coisas deste país, acredita no desespero da empresa estatal para repor o dinheiro dela roubado no decorrer do governo anterior e de seu antecessor para gabar-se de um balanço contábil lucrativo.

Mais uma vez o administrador central deu azo de sua indolência de prevenir-se contra a anunciada paralisação dos caminhoneiros, sendo incapaz de poupar a coletividade do alvoroço provocado pela greve. Renovou a incompetência ao evitar que os grevistas agissem além da manifestação permitida na lei, deixando que exercessem indevidamente o policiamento de algumas estradas federais, como mostrados em reportagens da televisão.

Caminhoneiros no centro da pista determinando por sinais de braços a motoristas de caminhões que estacionassem no acostamento da rodovia, sob olhares complacentes de inertes policiais rodoviários federais, impediram o prosseguimento da viagem com exibição de uma autoridade que só o Estado pode exercer, ainda assim, nos limites definidos na lei.

A inversão de pessoas no desempenho de função pública é um fato penalmente reprimido e aconteceu às claras por horas e dias seguidos na frente de agentes públicos que para impedir esse desvio dispunham de autoridade. Contudo, sem orientação superior, postaram-se sem nenhuma ação, mas com lastimável inação.

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