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Dias depois do fim da greve dos caminhoneiros, que bloqueou o transporte de cargas nas estradas de todo o País, os combustíveis voltaram às bombas dos postos, mas ainda com preços bastante elevados. A única exceção é o diesel, que já está mais barato em boa parte dos estabelecimentos, devido ao desconto de R$ 0,46 concedido pelo governo federal nas refinarias, em acordo firmado com os caminhoneiros (leia mais na página 14).
A gasolina está R$ 0,31 mais cara na comparação com a média de preços praticada na semana que antecedeu a greve. Segundo a pesquisa de preços realizada pela Agência Nacional do Petróleo Gás e Biocombustíveis (ANP), o litro estava sendo comercializado no dia 31 de maio a R$ 4,385, alta de 7,7% na comparação com o valor médio de 17 de maio, de R$ 4,071 (leia mais no quadro abaixo).
Já o etanol subiu 8% da segunda metade de maio para cá, com variação de R$ 0,21, sendo vendido, no final do mês passado, a R$ 2,816. Porém, em pesquisa extraoficial realizada na tarde de ontem pelo Jornal da Cidade em oito estabelecimentos de regiões diferentes de Bauru, foi possível encontrar o litro da gasolina por até R$ 4,499.
Em alguns postos, a diferença chegou a R$ 0,30 na comparação com o levantamento feito pela agência em 24 de maio, já no terceiro dia de greve, quando o temor diante do risco de desabastecimento provocava corrida de consumidores aos postos de vários bairros de Bauru. Em um estabelecimento com bandeira da Petrobras, a alta foi de R$ 4,099 para R$ 4,399 em apenas dez dias.
O etanol, ainda de acordo com a pesquisa realizada pelo JC, chegou a variar até 11,5% no mesmo intervalo de tempo, com o litro subindo de R$ 2,599 para até R$ 2,899 em alguns locais. Um reajuste injustificado, já que, no período, o litro da gasolina comercializado pelas distribuidoras aos postos oscilou 3% e o etanol, 7%, segundo informou Edivaldo Tuschi, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) e proprietário de postos na cidade.
"Quem reajustou acima deste percentual o fez por conta. Não tem nada a ver com o mercado. Pode ser uma tentativa de repor as perdas registradas durante a greve, mas o real motivo só pode ser explicado por cada dono de posto", comenta, salientando que ele aplicou em suas bombas apenas os reajustes repassados pelas distribuidoras.
| Malavolta Jr. |
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| Em outro posto, os valores também seguiam altos: gasolina a R$ 4,397 e etanol a quase R$ 2,80 |
REPASSE
Presidente do Sincopetro, José Antônio Reghine destaca que o preço do etanol foi elevado nas refinarias em razão dos prejuízos causados à produção, visto que faltou diesel para garantir o transporte da cana-de-açúcar. "Já o reajuste da gasolina foi dado pela Petrobras. Quanto ao diesel, os postos que ainda não reduziram o valor nas bombas em R$ 0,46 são os que ainda têm estoque. É uma situação temporária".
A reportagem tentou conversar com gerentes de alguns estabelecimentos de Bauru, mas nenhum deles quis conceder entrevista. Sob a condição de manter a identidade preservada, o gerente de um posto de combustíveis localizado na avenida Nuno de Assis comemorava o momento, já que manteve os preços em patamares parecidos aos do início da greve e, assim, conseguiu atrair um número maior de clientes.
No endereço, o litro do etanol estava sendo vendido a R$ 2,579 (o mesmo praticado há dez dias) e o da gasolina, a R$ 4,179 - R$ 0,10 a mais do que em 24 de maio. "Estamos comprando o etanol a R$ 2,29 e a gasolina, que subiu um pouco, a R$ 4,00. Nós só repassamos as altas e nunca vendemos tanto como agora", afirma.
DENÚNCIAS
Procurado pela reportagem, o Procon de Bauru informou que todas as denúncias que chegam ao órgão, localizado no Poupatempo, são encaminhados ao Procon na Capital. Já o Procon Regional, cuja sede também fica em Bauru, orientou os consumidores que se sentirem lesados a registrarem suas queixas online, no site www.procon.sp.gov.br/.
Após receber a denúncia, o órgão poderá requerer ao posto investigado as notas fiscais do combustível adquirido da distribuidora com o objetivo de avaliar se houve cobrança abusiva de valores junto aos consumidores. O Procon também recebe denúncias sobre postos que não reduziram o preço do litro do diesel após o governo federal publicar a portaria que concedeu desconto de R$ 0,46 no combustível comercializado nas refinarias.

