Meus amigos, temos, ao longo dos anos, enaltecido figuras maiúsculas da história lusitana. Por aqui foram descritos e aplaudidos o heroísmo de D. Afonso Henriques, o arrojo de Vasco da Gama, a coragem de Pedro Álvares Cabral e tantos outros que se perdem na memória, sem esquecer o grande erudito Luís Vaz de Camões, escritor do poema épico Os Lusíadas. Já falamos aqui, também, da religiosidade dos santos portugueses e de Nossa Senhora de Fátima, restando a figura exemplar da Rainha Santa Isabel, esposa do Rei D. Dinis, que a narração da sua vida conta-nos que certa feita enquanto levava no avental alguns pães para os pobres - como sempre fazia - aparece, repentinamente, a figura de D. Dinis a cavalo com o seu séquito, e pergunta-lhe:
O que levais aí, senhora? Rosas, meu senhor! Responde a Rainha, apreensiva. Rosas em janeiro? Pergunta o Rei, desconfiado! A Rainha Isabel, então preocupada com a reação do marido se soubesse que eram pães, abre o avental e dele caem várias rosas brancas e vermelhas. Foi um milagre!
Isabel, nascida em 1270 em Saragoza, no Reino de Aragão, na Espanha, a Rainha de Portugal, era cognominada de protetora de Coimbra e após a morte do marido decide vestir o hábito da Ordem de Santa Clara. Todavia, após tantos anos praticando atos de benevolência e distribuindo benesses aos mais necessitados, é chegado o momento solene da sua canonização e ao se despregar a taboa superior do ataúde, com um ahhh! admirativo na boca, todos caíram de joelhos, prostrados e estupefactos pelo grande milagre que viam. O corpo achava-se inteiro e incorrupto, tendo impresso na fisionomia o cunho da bondade e majestade que haviam sido o apanágio dela enquanto viveu. Do ataúde saía um aroma suave.
Foi mais um milagre. O corpo dela continua lá, intacto, inteiro e incorrupto. Mas, além de enaltecermos e aplaudirmos essa Santa portuguesa, que por sinal tem um hospital em Bauru com o nome de Maternidade Santa Isabel, em sua homenagem, é de bom alvitre lembrarmos que aos 10 de junho de 1928 aconteceu a inauguração do primeiro hospital da Beneficência Portuguesa, portanto há exatos 90 anos, cuja solenidade comemorativa conseguimos resgatar na presidência do Dr. Mauro Joaquim Monteiro e foi realizada no Salão Nobre do Hospital, na noite da última sexta-feira, quando também foi homenageada a Dra. Joice Pimentel Lobo Assumpção, que comemora quase 40 anos de serviços médicos prestados à Beneficência Portuguesa. A Mesa de Honra foi presidida conjuntamente pelo Dr. Basílio Ferreira Filho, presidente do Conselho Deliberativo, e Dr. Mauro Joaquim Monteiro, presidente da Diretoria Executiva.
Desde então essa casa de curas vem desempenhando um papel muito importante para a saúde das pessoas, consolidando um ideal que nasceu numa reunião de amigos portugueses na qual se descortinava o futuro de uma entidade nos moldes desenvolvidos pelas Misericórdias de Portugal.
Por tudo isso, Viva a Rainha Santa Isabel!
Viva a Beneficência Portuguesa de Bauru! Viva Portugal! Neste Dia de Camões e Dia das Comunidades Portuguesas - 90º aniversário da Beneficência Portuguesa.