| Arquivo Pessoal |
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| Airton tornou-se coronel em 2013, quando assumiu o CPI-4 |
Há poucos meses, Airton Iosimo Martinez, de 58 anos, deixou a liderança do Comando de Policiamento do Interior 4 (CPI-4), sediado em Bauru, porque se aposentou, após 39 anos de trabalho.
O oficial reformado se dedicou tanto à corporação que assumiu outros cargos importantes junto ao Comando da Polícia Militar (PM), entre eles, o de assessor do comandante-geral da PM, em São Paulo, e o de secretário da Casa Militar, também na Capital Paulista.
Porém, na época em que sequer pensava em se tornar policial, o menino Airton gostava mesmo era de brincar com os primos, em Avaí. Quando se mudou para Bauru, começou a trabalhar bem cedo na feira e também de entregador de jornais. Por aqui, também fez amigos que preserva até hoje, como o coronel Godoy e o diretor do Sesi, no município, Clóvis Cavenaghi.
| Reprodução/Douglas Reis |
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| Em 1987, Airton se formou aspirante |
Atualmente, ele se dedica à família, aos esportes e à solidariedade. Confira, a seguir, a trajetória daquele que começou como vendedor de frutas e se aposentou como homem forte da PM:
Jornal da Cidade - O senhor não é bauruense, mas se mudou para a cidade ainda pequeno. Como foi a sua infância?
Airton Iosimo Martinez - Eu nasci em 24 de novembro de 1959, em Nogueira, Distrito de Avaí. Sou o filho do meio do meu pai, que era ferroviário, e da minha mãe, dona de casa. O meu pai trabalhava em Nogueira fazendo a checagem dos trens e, nesta época, eu gostava de visitar os meus primos, em Avaí, e brincar com eles. Aos 6 anos, nós nos mudamos para Bauru, porque o meu pai foi transferido. Assim que chegamos, passamos a viver no Jardim Vânia Maria, onde a minha mãe mora até hoje. Nesta fase da minha vida, fiz amigos que consegui conservar durante todo este tempo, que são o coronel Godoy e o Clóvis Cavenaghi, do Sesi, em Bauru. Nós jogávamos futebol no Comercial e trocávamos figurinhas.
| Arquivo Pessoal |
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| Capitão Bergamaschi, coronel Airton, capitão Nilson, major Hudson e Júnior fazem trilhas de bike aos finais de semana |
JC - O senhor começou a trabalhar muito cedo, não é?
Airton - Sim. Aos 10 anos, eu comecei a trabalhar de vendedor de frutas e legumes em uma barraca da feira do Bela Vista, sempre aos domingos. Quando completei 12 anos, me tornei entregador do Jornal da Cidade e o fazia de bicicleta. Com 14, entrei no curso técnico da antiga Escola da Rede Ferroviária Federal. Lá, aprendi a ser metalúrgico, mas não fui admitido pela Noroeste. Então, optei por trabalhar na manutenção do Hospital de Base, onde fiquei até me tornar soldado da PM, em 1979.
JC - E como foi a sua trajetória na polícia?
Airton - Em 1979, me tornei soldado e, no ano seguinte, cabo, em São Paulo. Em 1981, já exercia a função de sargento, em Bauru. Entre 1985 e 1987, eu estudei na Academia do Barro Branco, na Capital Paulista, e me formei aspirante. Em 1988, já era 2.º tenente e, em 1990, 1.º tenente, também em São Paulo. Em seguida, voltei a Bauru. Em 1999, me tornei capitão e, em 2004, major. Nesta época, eu me mudei para a Capital para trabalhar com o coronel Eclair, que assumiu o cargo de comandante-geral da PM. Eu era assessor dele e só retornei a Bauru em 2007. Em 2012, passei a exercer a função de tenente-coronel e fui para São Paulo de novo, porque virei assessor do coronel Meira, que tornou-se secretário da Casa Militar. Logo que o Meira foi nomeado comandante-geral, eu assumi a sua função de outrora por quase um ano. Em 2013, me tornei coronel e comandante do CPI-4, em Bauru, por onde me aposentei, em 1 de abril deste ano. Inclusive, ninguém acreditou que eu fosse parar, afinal, foi justo no Dia da Mentira.
| Reprodução/Douglas Reis |
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| Com as irmãs e os pais: Isaura Martinez, Maria Lúcia Martinez Toledo, Isabel Cristina Martinez Lopes, João Martinez e Airton |
JC - Teve algum momento no qual o senhor mais se sensibilizou durante a sua carreira?
Airton - Em 2006, quando a PM sofreu vários ataques e tivemos mais de 40 mortos, em São Paulo, eu era assessor do comandante-geral e acompanhei todos os enterros. Foi a época mais triste da minha carreira.
JC - Como foi se aposentar depois de 39 anos na polícia?
Airton - É uma vida dedicada à PM e eu sinto falta, mas não fiquei chateado, porque já sabia o dia em que iria embora. Todo mundo que chega ao posto máximo da polícia, que é o de coronel, tem apenas cinco anos para trabalhar. Outra coisa que ajudou muito foi o fato de eu ter começado a me dedicar a algumas atividades beneficentes. Em 1998, entrei para a Loja Maçônica e, desde então, não parei de trabalhar em prol do próximo. Agora, consigo me dedicar ainda mais à causa.
JC - Tem algum hobby?
Airton - Olha, eu sempre gostei de praticar esportes. Atualmente, jogo biribol toda quarta e futebol toda quinta-feira, sempre à tarde. Participo, ainda, de um grupo de amigos que costuma fazer trilhas de bike aos finais de semana. Além disso, sou muito família e curto fazer churrasco em casa. Tanto que não deixo de comemorar nenhum aniversário.
| Reprodução/Douglas Reis |
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| Com a esposa, as filhas e os genros: Bruno Azambuja, Gisley Cristina do Amaral Martinez, Daniele do Amaral Martinez, Airton, Cristiane Martinez Damiati e Mário Augusto Damiati |
JC - Falando em família, como conheceu a sua esposa?
Airton - O nosso concunhado namorava a irmã dela e, certa vez, ele me convidou para ir até a casa da namorada, creio que já com a intenção de nos apresentar. Nós nos conhecemos em 1982 e, no ano seguinte, nos casamos. Juntos, tivemos duas filhas, a Daniele, de 27 anos, e a Cristiane, de 30, que é tenente da Polícia Militar Ambiental, em Bauru. Inclusive, os meus dois genros também trabalham na área, já que são bombeiros. Está tudo em casa. Já a minha caçula é formada em Direito e trabalha no Detran, também em Bauru.
JC - O senhor vivia se mudando de Bauru para São Paulo ou vice-versa. Mesmo assim, conseguia ser um pai e um marido presente?
Airton - Sem dúvida alguma. Nunca perdi nenhuma festa de escola. Tanto que, depois que as minhas filhas cresceram, eu confessei que tais eventos eram, de certa forma, entediantes. Hoje, as meninas vivem em Bauru e vão em casa semanalmente... às vezes, mais de uma vez por semana.
JC - Enquanto trabalhava na polícia, o senhor também estudou Direito?
Airton - Sim. Eu me formei em 1992, pela ITE, mas nunca exerci a profissão. Fiz mais para dar aula na própria PM. Além disso, fiz mestrado e doutorado profissionais dentro da polícia.
JC - Muita gente vem pedindo a intervenção militar no País. O que o senhor pensa sobre isso?
Airton - Discordo totalmente. Se parte da população quer um governante militar, que o escolha nas urnas. Nós já evoluímos muito politicamente, ao colocar um ex-presidente na cadeia e impedir uma presidente de governar. Não dá para retroceder. Só com consciência eleitoral, nós vamos resolver o problema do País.
JC - Por fim, qual é a mensagem que o senhor deixa para os colegas da PM, a imprensa e a comunidade, de forma geral?
Airton - Gostaria de dizer que a melhor coisa que me aconteceu na vida foi ter entrado na polícia e a comunidade de Bauru e região tem muita sorte por ter estes policiais. Eles são parceiros, dedicados e extremamente profissionais.




