Indignação e revolta. Esse é o estado de ânimo da maioria dos brasileiros. E não é difícil entender os motivos. A recessão nos últimos três foi brutal, a maior da nossa história. O PIB caiu 8% e o número de desempregados passou de 4 milhões, em 2014, para 13 milhões, em 2017. A renda das famílias caiu e as pessoas se veem sem oportunidades para melhorar de vida
A instabilidade política é enorme. Nos últimos três anos nós tivemos dois presidentes da República e quase um terceiro, pois a Câmara votou por duas vezes o afastamento do atual mandatário. Os escândalos de corrupção se sucedem, um mais estarrecedor do que o outro. Revoltadas, as pessoas perdem aos poucos a capacidade de diferenciar e colocam todos os políticos na vala comum, como se fossem iguais. E não são. Tomemos os exemplos do Governo de São Paulo com os de outros estados, como o Rio de Janeiro. Esses estados quebraram, deixaram de pagar o funcionalismo, serviços básicos deixaram de funcionar. O Rio de Janeiro sofreu intervenção federal. Em São Paulo, apesar da crise, o governo conseguiu manter a normalidade e até mesmo conseguiu fazer investimentos expressivos.
Outro bom indicador é a segurança. Enquanto no Brasil como um todo os homicídios cresceram de 44.663 casos, em 2006, para 61.619, em 2017, em São Paulo eles caíram de 13.000 para 3.503 no mesmo período.
Mas nada disso é levado em conta. Radicalizadas, as pessoas dão ouvidos a discursos radicais que oferecem soluções simples para problemas complexos. E essas soluções não existem. Vimos isso em 1989. O governo Sarney vivia todo tipo de problemas, num quadro parecido com o atual. As pessoas se deixaram iludir pelo "caçador de marajás" e elegeram Fernando Collor. Sabemos o resultado. A crise só piorou e Collor sofreu impeachment. O desalento faz com que muitos se deixem seduzir pela tentação do autoritarismo. Já vivemos essa experiência dolorosa e sabemos que regime militar não é solução. Pelo contrário. A corrupção e os problemas persistem e a diferença é que não há liberdade para combatê-los. E o mais grave é que nós perdemos o direito ao voto, o direito de escolher por nós mesmos o nosso governo.
A verdade é uma só: não há solução simples para problemas complexos. O governo federal há quatro anos gasta mais do que arrecada. Toda dona de casa sabe que uma realidade assim é desastrosa. O momento exige coragem e seriedade para fazer as reformas que equilibrem as finanças para o país poder crescer e investir, gerando oportunidades, trabalho e renda para as pessoas. Eu entendo que é obrigação da classe política construir as maiorias necessárias para recolocar o país no caminho do crescimento. Sem demagogia ou soluções tão simples quanto erradas. É essa a responsabilidade dos políticos.
O cidadão vai ter a oportunidade de escolher novos governantes em outubro. Só há duas opções. Uma é a da aventura, dos candidatos que acham que o governo pode aumentar os seus gastos indefinidamente, como se o dinheiro não viesse dos nossos impostos. A outra é a da responsabilidade, do trabalho árduo, das reformas que o país precisa fazer para voltar ao caminho do crescimento e das oportunidades: reforma do Estado, da Previdência, política e tributária.
Com a palavra (e o voto), Sua Excelência, o eleitor.