Tribuna do Leitor

Educação dialética

Wellington Anselmo Martins - graduado em Filosofia (USC), mestre em Comunicação (Unesp).
| Tempo de leitura: 1 min

Educação e ciência não podem ser fundadas na retórica! Por isso, educadores não precisam ser grandes oradores. É fundamental, no entanto, que sejam mestres do diálogo. E como a aula se trata de uma troca racional, e não mera conversa desinteressada, então todo professor deve ser um dialético.

O diálogo é o maior desafio humano! Ora, qualquer leitor, pesquisador, já aprendeu a ser cartesiano. Introspectivo. Desenvolveu a sua razão, uma razão atomizada. A autoconsciência é o alicerce; de uma construção epistêmica que pode unir a humanidade inteira. O consenso, daí, é o maior potencial humano!

Endereçar a liberdade pessoal para uma igualdade de todos, por meio de uma comunicação questionadora e fraterna, é o último estágio de desenvolvimento docente. Uma competência socrática. O amor à verdade, aqui, não apenas rejeita a mentira, mas ainda refuta o sofisma.

E não nega o próprio preconceito. E não esconde a própria ignorância.

O educador, ou seja, torna-se sábio: sabedor de que a ciência é o falível e único progresso possível; que a aprendizagem é a construção de acertos teóricos fundada na prática de inúmeros erros. Enfim, a aula já não é mais um espaço de monólogo.

Mas de encontros humanos! As subjetividades, mesmo quando competem, promovem a inteligência coletiva. E não só o respeito, mas ainda a abertura para a cultura do outro, então, a tolerância e a própria afirmação da diversidade, tornam-se o fim último de tal educação dialética.

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