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Após reclamações, UPA do Bela Vista separará crianças e adultos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
O frio aumentou a procura pela UPA do Bela Vista; lotação tem gerado uma "chuva" de críticas

O frio quase dobrou os atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município nos últimos dias. E a lotação ampliou ainda mais as críticas sobre a UPA do Bela Vista, que, desde o início do ano, passou a receber também a demanda do Pronto Atendimento Infantil (PAI). Diante disso, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu, para tentar amenizar a situação, separar, com divisórias, os atendimentos adulto e infantil na recepção da unidade. A alteração física da UPA Bela Vista deve acontecer em até duas semanas.

Diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), o médico Rafael Arruda Alves esteve na unidade, na tarde ontem, estudando as possibilidades da adaptação. "Para a compra da estrutura (divisórias), utilizaremos uma ata que já temos, senão o processo demoraria uns oito meses", cita.

Apesar da mudança, ele fez questão de defender a posição da pasta até então, que era a de não separar a recepção de adultos e crianças. "Nenhuma UPA no Brasil do SUS possui o atendimento separado", afirma o médico.

Em nota recente, a prefeitura afirmava que a UPA é considerada ambiente comunitário e não hospitalar e que, portanto, o risco de contaminação seria semelhante a qualquer outro ambiente comunitário, como cinema e sala de aula.

Vale destacar que a enfermaria pediátrica é separada da enfermaria para adultos.

SEM ESPERAR SENTADO

A reportagem esteve ontem na UPA Bela Vista e as reclamações são mesmo frequentes. "São bebês e adultos doentes em um mesmo local. É absurdo e os próprios funcionários de lá parecem indignados com a situação. Além do risco de contaminação, já teve briga lá dentro. Assim, a unidade é um ambiente inseguro para crianças", comenta a jornalista Camila Corrêa, 36 anos, que acompanhava o filho de 8 anos, Caio Henrique, acometido por crise de bronquite.

Além disso, ela critica que a recepção da unidade não suporta tamanha demanda de pacientes "Há cadeiras quebradas, pacientes tiveram que esperar pelo atendimento em pé", acrescenta.

O estudante Matheus Santos, 17 anos, esteve no local anteontem. Ele, inclusive, enviou um vídeo à reportagem onde um grande número de pessoas aguardava o atendimento em pé. "Muitas mães com crianças de colos e idosos têm ficado de pé, sem os devidos assentos por questão de não ter espaço mesmo", criticou. 

Questionado, o diretor do DUE, o médico Rafael Arruda, disse que a pasta tem adquirido cadeiras novas e mais reforçadas para a UPA Bela Vista, contudo, não deu prazo de quando elas estarão disponíveis para a população.

LOTAÇÃO

Segundo Rafael, o frio teria aumentado o número de pessoas com doenças infecciosas de via aérea superior, como amidalite e faringite e até casos de gripe. Na última terça-feira, por exemplo, as quatro UPAs e o Pronto-Socorro Central registraram juntos 2.730 atendimentos. A média normal é de 1,5 mil.

"Não identificamos o surto de nenhuma virose, gastroenterite. São doenças que aumentam de fato no período frio", finaliza Rafael.

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