A paralisação dos caminhoneiros provocou uma onda de desabastecimento que afetou diretamente diversos setores da economia. Faltou combustível e a população teve de enfrentar longas filas para conseguir abastecer seu veículo, quando conseguia. Faltou alimento, especialmente os perecíveis como frutas, verduras, legumes, carnes e outros. E o caso mais recente, que também assustou e ainda assusta a todos, foi a falta de gás de cozinha, o que gerou mais correria das pessoas tentando garantir o produto em casa.
Em todos estes episódios tivemos registros de atitudes nada republicanas, para dizer o mínimo, daqueles que tinham o produto pra vender. Aproveitaram-se do desespero alheio para tirar vantagem da situação. Sem nenhum constrangimento moral e com uma total falta de decência decidiram colocar em prática a perniciosa "Lei de Gerson". Aumentaram os preços dos produtos de uma forma abusiva com o objetivo de lucrar, e muito, em cima da apreensão das pessoas.
Atitudes gananciosas como estas serviram para demonstrar como o egoísmo impera em certas situações. Têm pessoas que, nestas horas de aflição coletiva, preocupam-se apenas consigo mesmas e os demais que se lixem. Estão sempre prontas para dar o bote.
Onde estão as pessoas de bem? Honestidade, caráter, decência e honradez estão virando artigo de luxo hoje em dia. E o mesmo temos verificado no mundo político, até porque ele não é um mundo isolado, ele faz parte da sociedade e reflete o que se passa dentro dela. Se existem maus exemplos na nossa vida cotidiana, eles são reproduzidos também na vida política. Os escândalos diários revelados pelo "Mensalão", "Mensalinho", "Petrolão", "Pixuleco", "Lava Jato" e muitos outros estão aí para comprovar o desabastecimento da moral pelo qual o cenário político brasileiro passa atualmente.
Cadê os políticos de bem? Onde estão os exemplos de homens públicos? Onde estão as lideranças capazes de conduzir um país ao desenvolvimento? Cadê as figuras políticas com autoridade moral capazes de liderar transformações sociais e econômicas em nosso país?
O Brasil, que já teve líderes do quilate de Tiradentes, Jânio Quadros, João Goulart, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e outros, está órfão. É desalentador o quadro atual, para não dizer trágico. Temos um ex-presidente preso, a primeira mulher a assumir a Presidência da República foi cassada, o presidente atual está enfraquecido por uma série de denúncias, um ex-presidente do Congresso também está preso, assim como outras lideranças políticas, como ex-deputados, ex-senadores, ex-ministros, ex-governadores e por aí vai.
O panorama fica ainda mais sombrio quando levamos em consideração a quantidade de personagens que estão sendo investigados pela Justiça e podem engrossar a lista de condenados. É a "Lei de Gerson" sendo colocada em prática também na política. Estamos em pleno desabastecimento da moral, da dignidade, da integridade, da honra.
No caso da política, a mudança desse quadro está nas mãos de cada eleitor e de cada eleitora. Vivemos em uma democracia. O poder pertence ao povo. Nenhuma liderança se constrói ou se mantém na política sem a aprovação do povo. É de fundamental importância para o futuro do país que todos tenhamos consciência disso. É preciso responsabilidade na hora de votar.
O voto é uma ferramenta poderosa. É por meio dela que vamos mudar o Brasil. É pelo voto que escolhemos nossas lideranças. É responsabilidade nossa escolhermos líderes preocupados mais com o crescimento do país e menos com o crescimento de seu patrimônio pessoal.
Deve ser assim na política como também em nossa sociedade. O interesse coletivo tem de estar sempre acima do individual.