Tribuna do Leitor

Uma análise pós-greve dos caminhoneiros

Roberto Valin - Bauru
| Tempo de leitura: 2 min

Após as semanas de caos em nossas estradas e ruas, vamos deixar um pouco de lado o mérito das reivindicações dos caminhoneiros, pois uma coisa precisa ser discutida e analisada: a ineficiência do governo também na gestão de infraestrutura, já que essa paralisação mostra, mais uma vez, como somos dependentes da malha rodoviária e não temos uma rede ferroviária como plano B.

Após isso, vamos aos fatos que encadearam com toda razão a greve, o preço dos combustíveis. Qual é a razão de o Brasil vender gasolina mais barata para o Paraguai e Bolívia?

Por que na França, que não produz petróleo, o preço médio da gasolina é de R$ 5,38? Por que na Espanha, com a mesma situação, é de R$ 5,08? Por que no México, que produz cada vez menos petróleo e importa 60% do combustível que o país consome, o preço médio da gasolina é de R$ 3,26?

A culpa é de quem? Do povo brasileiro que é um grande dependente destes produtos? Ou dos carros poluentes que circulam nas grandes metrópoles? Ou unicamente do presidente Michel Temer que só quer saber de encher o seu próprio bolso? Acho que não! Pelo menos não apenas isso!

Não podemos esquecer-nos dos US$ 23 milhões em sondas superfaturadas ou dos incríveis R$ 42 bilhões desviados da Petrobras. Muito menos os R$ 64 bilhões superfaturados da Refinaria Abreu e Lima. Que dirá os impostos cobrados pelo governo sobre o produto, um verdadeiro roubo ao nosso bolso.

Mas a copa do mundo estava começando e é hora de o povo brasileiro mais uma vez se esquecer disso e voltar a viver em função da esperança de um hexa que nunca chega e mais uma vez se esquecer dos problemas em função da paixão pelo futebol.

Quem sabe um dia nos não deixemos de viver no país do futebol e passemos a viver no país da justiça econômica.

 

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