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Brasil encara a Costa Rica e precisa somar três pontos


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Vencer. Mais do que alternativa, é obrigação para a Seleção Brasileira hoje na partida contra a Costa Rica. Em seu segundo jogo pelo Grupo E da Copa do Mundo da Rússia, a vitória é fundamental na caminhada para a classificação. Novo tropeço no confronto que começa às 9h (de Brasília) na Arena Zenit, em São Petersburgo, e o risco de se despedir ainda na primeira fase aumentará sobremaneira.

Ninguém tem dúvidas de que a Seleção Brasileira é favorita. Mas para transformar essa expectativa em vitória, o time precisará corrigir os defeitos apresentados na estreia. Diante da Suíça, o Brasil careceu de jogadas efetivas pelo lado direito, viu Paulinho com dificuldades em fazer o vaivém entre as duas áreas, teve em Neymar um jogador que pecou pelo excesso de individualismo e, em seu jogador mais agudo, Gabriel Jesus, um atacante pouco participativo.

O técnico Tite admitiu a necessidade de correções e disse que eles serão uma constante durante a Copa do Mundo. "Alguns ajustes de posicionamento vamos continuar fazendo", afirmou. Apesar de reconhecer que em uma competição de "tiro curto" como o Mundial é importante encontrar soluções rápidas para as peças que não funcionem bem, ele prefere não ser tão imediatista. "Na Seleção tudo tem pressa maior na sua execução. Porém, antes da pressa tem coerência, discernimento, confiança, análise".

Um dos acertos está relacionado à lateral direita. Fagner, que entra no lugar de Danilo - que sentiu uma lesão muscular no quadril no treino de ontem -, precisará ser mais ofensivo do que o então titular. Contra a Suíça, o receio de Danilo em avançar fez com que Willian ficasse isolado na frente por aquele lado do campo. Com isso, mais de uma vez o jogador do Chelsea ficou sem opções de jogada e acabou também ele sendo presa fácil para a marcação.

André Mourão/MoWA Press
Tite orienta Gabriel Jesus, que teve atuação discreta na estreia, no apronto do Brasil, ontem, em São Petersburgo

Paulinho foi outro que ficou abaixo do que vinha apresentando nas Eliminatórias e da própria expectativa de Tite -, tanto que acabou substituído por Renato Augusto no segundo tempo, em Rostov. O jogador desempenha função primordial no esquema montado pelo treinador, auxiliando a marcação no meio de campo e aparecendo como elemento-surpresa na área adversária, quando o foco dos marcadores fica voltado ao quarteto ofensivo formado por Willian, Philippe Coutinho, Neymar e Gabriel Jesus.

Sobre Neymar, Tite disse ontem que não vê problemas no excesso de individualismo. "Não vou tirar dele a iniciativa de transgressor, do último terço de campo, da genialidade", considerou o técnico. "Todos nós temos que potencializar equipe, mas respeitar as características. O último terço do campo, vai dentro, cria, finta. Lance pessoal é característica do futebol brasileiro, não vou retirar".

Na frente, Gabriel Jesus terá mais uma chance de mostrar que é o camisa 9 que a Seleção precisa - algo que não conseguiu na estreia. Se falhar, poderá perder espaço para Roberto Firmino.

ANSIEDADE

Pedro Martins/MoWA Press
Fagner assume lateral direita e será novidade contra Costa Rica

Um aspecto que Tite diz estar superado é a ansiedade. O treinador aposta que o desequilíbrio visto no segundo tempo em Rostov não se repetirá, pois a pressão da estreia já não existe. "Aquele afã (da Seleção), do seu próprio técnico, da estreia no Mundial, já passou", disse. "Eu também estava na expectativa do primeiro jogo". Por isso, além de "jogar bem e vencer", obrigações admitidas por Thiago Silva - que assume a braçadeira de capitão na partida de hoje -, os jogadores precisam mostrar que o desequilíbrio da primeira partida foi ocasional. Apoio da torcida não faltará. Em São Petersburgo, finalmente os brasileiros entraram no ritmo. Cerca de 400 torcedores foram ao hotel na noite de anteontem e criaram uma nova música de incentivo, que relembra as cinco conquistas e diz confiar no hexa. "O carinho do torcedor emociona, é algo muito forte e a gente fica contente", agradeceu Tite. "Paralelamente a isso, porém, tem de manter o nível de concentração alto". Mesmo porque, se a Seleção tropeçar diante do adversário que é considerado o mais fraco do grupo, o apoio pode se transformar em críticas e cobranças.

UNIFORME AZUL

A Seleção Brasileira não usa o seu uniforme azul em uma Copa do Mundo desde 2 de julho de 2010, quando foi derrotada por 2 a 1 pela Holanda e acabou eliminada nas quartas de final na África do Sul. Após "amarelar" em 2014, o Brasil voltará a recorrer ao seu segundo uniforme em 2018, contra a Costa Rica.

Apesar de a última lembrança ser negativa, a Seleção Brasileira costuma se sair bem quando atua de azul em Copas do Mundo. O uniforme azul é uma espécie de talismã da Seleção. Ao todo, foram sete vitórias, um empate e somente duas derrotas com a cor, ambas para a Holanda, 2010 e 1974.

A primeira participação do Brasil de azul em uma Copa do Mundo foi por acaso. Em 1938, a equipe de Leônidas da Silva abriu mão do até então tradicional branco porque essa também era a cor da Polônia, adversária da estreia. Com camisas de tonalidade azul clara improvisadas, o time nacional protagonizou um dos mais disputados jogos dos Mundiais e venceu por 6 a 5 ao término da prorrogação.

Mas a ocasião mais célebre do azul com a Seleção foi em 1958, quando os suecos, sediando a Copa do Mundo, não quiserem ceder ao Brasil o direito de jogar o duelo final de amarelo - cor que, por meio de eleição, aposentou o branco após a grande frustração no Maracanaço de 1950. E foi com o seu segundo uniforme, como seria oficializado a partir de então, que o País de Pelé e Garrincha ganhou da canarinha Suécia por 5 a 2 e comemorou seu primeiro título mundial.

THIAGO SILVA VOLTA A SER CAPITÃO

André Mourão/MoWA Press
Zagueiro Thiago Silva

O zagueiro Thiago Silva será novamente capitão da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, hoje. "Depois de um período fora das convocações, de ter retornado a um alto nível aqui dentro, foi um momento muito especial. Gostaria de dar sequência ao meu trabalho, juntamente com a equipe", afirmou o zagueiro. No Mundial 2014, Thiago Silva foi um dos protagonistas da Seleção que ficou marcada pela derrota por 7 a 1 contra a Alemanha. Capitão do time naquele torneio, não jogou a semifinal diante dos alemães. Estava suspenso. O momento marcante de Thiago Silva na Copa de 2014 aconteceu nas oitavas de final, diante do Chile. O zagueiro se recusou a bater um dos pênaltis, ao qual assistiu de costas e foi às lágrimas, o que gerou muitas críticas, já que o jogador era o capitão da equipe e deveria ter melhor controle emocional. 

COSTA RICA APOSTA EM CONTRA-ATAQUES

Para ser novamente a surpresa de um Mundial, como foi em 2014 - chegou às quartas de final -, a Costa Rica aposta nos contra-ataques para surpreender os adversários. Não deu certo, é verdade, na estreia contra Sérvia, derrota por 1 a 0. Até Neymar deve ter mais liberdade, hoje, para que a Costa Rica tente tomar-lhe a bola e puxar os contra-ataques que espera. "Neymar é um jogador muito habilidoso e buscam pará-lo com faltas bruscas. Temos nossa estratégia. Mas não gostaria de ver faltas bruscas nele. Acho que há formas diferentes de pará-lo", afirmou o técnico Óscar Ramírez.

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