| Aceituno Jr. |
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| Lojistas reclamam que falta de modernização e investimento tem colaborado para diminuição do número de consumidores no Centro da cidade |
| Unesp Bauru/Divulgação |
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| Projeto desenvolvido pelos alunos de Design da Unesp Laura Camargo, Marina Tomiatti e Pedro Ueta, sob a coordenação do professor Tomás Barata, prevê modelo de cobertura do espaço, banco bicicletário, banco de concreto e madeira com jardineira e palco |
Aos 25 anos e às vésperas de mais um aniversário - em 21 agosto -, o Calçadão da Batista de Carvalho encara desafios. Retrato do desenvolvimento comercial de Bauru e região, o espaço parece à mercê do tempo e tem carecido de estrutura, modernização, atratividade e de uma política imobiliária que evite que portas se fechem por altos aluguéis. Estas são algumas das principais reclamações de quem atua no comércio por lá, de consumidores a antigos moradores, que contaram suas histórias ao JC nos Bairros (leia mais nas próximas páginas).
E é justamente com foco na mudança deste cenário que a Prefeitura Municipal tem retomado as discussões e projetos que contemplem o Calçadão e o Centro de Bauru. Em parceria com duas universidades, a Unesp e a Unip, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedecon) coordena trabalhos com intuito de "reinventar" o Calçadão e torná-lo mais atrativo.
Mais de 40 itens já estão listados nos projetos, como a implantação de bicicletários e pontos de hidratação, fraldário, mudança de mobiliários, floreiras ecológicas, fomento de atividades culturais na Praça Rui Barbosa e a ampliação de projetos culturais na Estação Ferroviária.
NA PRÁTICA
Em 25 julho, às 9h, em local ainda a ser definido, a Comissão de Revitalização da Área Central, que voltou à ativa recentemente, reunirá várias entidades ligadas ao comércio na cidade, além da Polícia Militar, Emdurb e secretarias para discutir o assunto.
"Vamos montar um plano de trabalho para colocar em prática algumas ações para reinventar o Centro. Pensar nos projetos e em como iremos angariar recursos, seja por meio de emenda parlamentar, verba de ministérios ou parceria público-privada", cita Aline Fogolin, titular da Sedecon.
"Precisamos também de uma política imobiliária diferenciada lá", acrescenta a secretária.
Em agosto, nova reunião deve ocorrer, mas com foco na avaliação detalhada dos projetos desenvolvidos pelos estudantes de Arquitetura da Unip e Design e Arquitetura da Unesp.
"Hoje, o público não tem nem onde sentar direito. O passeio também é ruim, as pedras do calçamento não são compatíveis com a acessibilidade. E a prefeitura não tem recurso físico suficiente para manutenção de tudo. Talvez, com as iniciativas, um fundo seja criado especificamente pra isso", cita Fogolin.
Antigamente, o Calçadão era gerido e cuidado pela extinta Associação das Empresas do Calçadão (AEC).
Uma vida inteira no Calçadão
Há 66 anos, Aparecida Stefanoto lembra do que chama de a "Época de Ouro"
da Batista de Carvalho e cobra mais atenção do poder público com o espaço
| Aceituno Jr. |
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| Vazio de dia e à noite: Aparecida Stefanoto observa o Calçadão da sacada de sua casa, em um prédio na quadra 1 |
Da sacada de casa, na quadra 1 do Calçadão da Batista, Aparecida Stefanoto, 76 anos, observa atenta o anoitecer. O olhar triste e cabisbaixo reflete preocupações que passaram a fazer parte da rotina dela nos últimos anos, após mais de seis décadas de vida e história no Calçadão.
Depois da desativação da Estação Ferroviária, o fluxo de pessoas que frequentavam a quadra 1 diminuiu, o que fez com que algumas portas se fechassem por lá. Um cenário, hoje, parecido com o da quadra 2, mas bem diferente do observado nos outros cinco quarteirões, que continuam com lojas a todo vapor.
Não há mais que cerca de cinco estabelecimentos funcionando, sejam lojas ou lanchonetes, na quadra 1, atualmente. Entre os imóveis fechados estão dois de dona Aparecida, um no térreo e outro no primeiro andar do prédio em que ela mora.
"Este já foi o quarteirão mais valorizado de todos, era uma época de ouro, o Calçadão era o chamariz da região. Quando uma loja fechava, havia até fila de outros inquilinos. Há uns seis anos, isso mudou. Hoje, o pessoal quase não desce as quadras por desinteresse ao ver tantas lojas fechadas. Mesmo baixando o aluguel (de R$ 7 mil para R$ 2,7 mil), está difícil alugar", comenta a aposentada, que herdou o prédio dos pais, antigos donos também de um hotel famoso na quadra 2.
Assim como o movimento menor, a insegurança passou a fazer parte da vida dela. "Passei a infância e juventude aqui, era tranquilo. Fazíamos footing (paquera) na quadra 7. Agora, eu tenho que abrir quatro portas só para entrar em casa. E à noite não saio mais sozinha. Sinto a primeira quadra a mais abandonada de todas", critica a moradora que, apesar disso, não pensa em mudar de lá.
A recente oferta de projetos culturais na Estação Ferroviária tem colaborado para o movimento maior dos dois primeiros quarteirões, mas ainda é considerado pouco.
QUADRA 5
Na quadra 5, o barulho resultado do maior fluxo de clientes é como música para os ouvidos de Adauto Goia, 62 anos. Morador e proprietário de um comércio de sorvete expresso por lá, ele vendeu casa e carro, há dez anos, para morar e trabalhar no Calçadão. O dinheiro oriundo das vendas do sorvete o sustenta.
"É um dos calçadões mais bonitos que existe, o fluxo de pessoas diminuiu, mas ainda é bom aqui. Pena que o preço do aluguel, entre R$ 16 e 18 mil, tem feito com que muitos lojistas desistam. Tem até chinês abandonando o comércio aqui já", reclama o morador e comerciante, que paga cerca de R$ 3,5 mil por uma quitinete e uma portinha para sua máquina de sorvetes.
| Aceituno Jr. |
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| Morador e comerciante do Calçadão, Adauto Goia lamenta especulação imobiliária praticada em imóveis com altos aluguéis: tem lojista fugindo daqui por isso |
| Aceituno Jr. |
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| Cena triste: na quadra 1, quantidade de lojas com as portas fechadas impressiona |
Quando a rua Batista virou calçadão
| Quioshi Goto/JC Imagens |
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| Rua Batista de Carvalho em 1991, um ano antes da construção do Calçadão |
Principal via comercial de Bauru há algumas décadas, a Batista de Carvalho deixou de ser rua para tornar-se, oficialmente, um calçadão na noite de 21 de agosto de 1992, durante a inauguração, ao final da gestão do ex-prefeito Izzo Filho. Composto por 70 arcos de ferro, dez por quadra, sendo três com cobertura e neon azul, o espaço também possuía 126 jardineiras com várias espécies de plantas e flores, que tinham como missão devolver um pouco do verde que um dia a rua Batista teve.
Ao passar dos anos, a configuração do Calçadão mudou. Entre as mudanças, os vasos de concreto e as cabines telefônicas foram retiradas. Recentemente, o local ganhou coqueiros e a prefeitura mobiliou as quadras com bancos de madeira acoplados com floreiras, mas todas as plantas menores foram retiradas, há alguns dias, por falta de cuidados e vandalismo.
Comerciantes cobram mais atenção da prefeitura
| Aceituno Jr. |
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| Leonardo Oliveira trouxe esfiharia de Ourinhos para a quadra 2 do Calçadão atraído por baixo preço do aluguel; eles têm adotado estratégias como som na porta da loja para atrair clientela |
Da sacada de casa, na quadra 1 do Calçadão da Batista, Aparecida Stefanoto, 76 anos, observa atenta o anoitecer. O olhar triste e cabisbaixo reflete preocupações que passaram a fazer parte da rotina dela nos últimos anos, após mais de seis décadas de vida e história no Calçadão.
Depois da desativação da Estação Ferroviária, o fluxo de pessoas que frequentavam a quadra 1 diminuiu, o que fez com que algumas portas se fechassem por lá. Um cenário, hoje, parecido com o da quadra 2, mas bem diferente do observado nos outros cinco quarteirões, que continuam com lojas a todo vapor.
Não há mais que cerca de cinco estabelecimentos funcionando, sejam lojas ou lanchonetes, na quadra 1, atualmente. Entre os imóveis fechados estão dois de dona Aparecida, um no térreo e outro no primeiro andar do prédio em que ela mora.
"Este já foi o quarteirão mais valorizado de todos, era uma época de ouro, o Calçadão era o chamariz da região. Quando uma loja fechava, havia até fila de outros inquilinos. Há uns seis anos, isso mudou. Hoje, o pessoal quase não desce as quadras por desinteresse ao ver tantas lojas fechadas. Mesmo baixando o aluguel (de R$ 7 mil para R$ 2,7 mil), está difícil alugar", comenta a aposentada, que herdou o prédio dos pais, antigos donos também de um hotel famoso na quadra 2.
Assim como o movimento menor, a insegurança passou a fazer parte da vida dela. "Passei a infância e juventude aqui, era tranquilo. Fazíamos footing (paquera) na quadra 7. Agora, eu tenho que abrir quatro portas só para entrar em casa. E à noite não saio mais sozinha. Sinto a primeira quadra a mais abandonada de todas", critica a moradora que, apesar disso, não pensa em mudar de lá.
A recente oferta de projetos culturais na Estação Ferroviária tem colaborado para o movimento maior dos dois primeiros quarteirões, mas ainda é considerado pouco.
QUADRA 5
Na quadra 5, o barulho resultado do maior fluxo de clientes é como música para os ouvidos de Adauto Goia, 62 anos. Morador e proprietário de um comércio de sorvete expresso por lá, ele vendeu casa e carro, há dez anos, para morar e trabalhar no Calçadão. O dinheiro oriundo das vendas do sorvete o sustenta.
"É um dos calçadões mais bonitos que existe, o fluxo de pessoas diminuiu, mas ainda é bom aqui. Pena que o preço do aluguel, entre R$ 16 e 18 mil, tem feito com que muitos lojistas desistam. Tem até chinês abandonando o comércio aqui já", reclama o morador e comerciante, que paga cerca de R$ 3,5 mil por uma quitinete e uma portinha para sua máquina de sorvetes.
Reduto de arte, música e política
Um olhar além do aglomerado de consumidores ao longo das sete quadras do Calçadão da Batista de Carvalho
| Marcele Tonelli |
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| Relíquia histórica do Calçadão: relógio da antiga Casa Lusitana; ponto entre a Gustavo Maciel e o Calçadão era famoso por receber o chamado footing (paquera) entre as décadas de 50, 60, 70 |
Muito além de um centro de compras. Passear no Calçadão da Batista é como estar em contato direto com arte, música, história e até com a política de Bauru. Palco de protestos populares com frequência, o local também é reduto de histórias tristes e de pessoas que buscam uma segunda chance na vida, angariando trocados por meio de um
| Aceituno Jr. |
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| O músico Dan Corrêa tem vivido dos trocados que angaria com suas apresentações pelo Calçadão |
dom musical, artístico ou de outra forma.
Invisíveis para alguns mais apressados, essas pessoas passam o dia observando o movimento do local, buscando cativar o público de alguma maneira.
MÚSICA E QUADROS
Tem sido assim para o músico Dan Corrêa, 30 anos. Após a morte da mãe, Madê Corrêa, há alguns anos, ele mergulhou de cabeça no mundo da música, mas a falta de oportunidades o levou para o Calçadão, onde angaria trocados até duas vezes por semana. "A rua tem me sustentado. Infelizmente, não consigo me adaptar a um trabalho convencional. Gosto de tocar, mas a concorrência é grande e está difícil conseguir algo na noite de Bauru", lamenta. O contato para shows é o (14) 99109-8648.
Desempregado, Décio Alexandre Alves, 55 anos, também tem feito da quadra 4 seu ganha-pão. Lá, ele comercializa arte em azulejo e quadros de areia. "Eu trabalhava em uma fábrica, mas agora estou à deriva, tendo um filho para sustentar e aluguel para pagar. Tive que voltar para cá vender os quadros", conta o artesão, que há dez anos possui histórias de idas e vindas com o Calçadão. O contato para arte personalizada de Décio Alves é o (14) 99845-0752.
Pouco mais adiante, ainda na quadra 4, seo Rodrigues Fernandes, 63 anos, pedia dinheiro em um chapéu para ajudar a tratar uma infecção de ouvido. Algumas pessoas o ajudaram.
HIPPIES
Os artesãos do movimento hippie também são figuras presentes. Mas, como a atividade não é regularizada, muitos perambulam de uma quadra para outra tentando a sorte até que a fiscalização apareça e recolha tudo.
"O Calçadão é lindo, pena que não dá espaço para todos. Tem até dono de loja que compra nossa arte, mas faz parte da rotina, nesses últimos quatro meses, a fiscalização aparecer e sermos obrigados a sair", opina Guilherme Persin, 32 anos.









