| Globo/Miguel Junior |
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| Françoise Forton atribui à dança o segredo de sua beleza |
Em 1976, quando estrelou a novela "Estúpido Cupido", Françoise Forton chamou atenção do País com sua beleza e talento na pele de Tetê, ou melhor, a Maria Tereza, candidata a Miss Brasil que movimentava a trama de Mário Prata. E olha que não era o início de sua carreira, não... Embora seja um dos sucessos mais emblemáticos. Tanto que "Estúpido Cupido" teve uma montagem em palcos de teatro, especial para a atriz quando completou seus 50 anos de carreira em 2015 e, até hoje, rende homenagens à ela como a desta semana em Bauru, quando deu nome aos doces churros, tradicionais na cidade.
Fomos encontrá-la degustando a iguaria que leva o nome de "Cupido, Françoise Forton", além de conhecer a sua ligação com a cidade e saber o segredo de uma mulher com mais de 60 anos, que continua impressionando pela boa forma.
Jornal da Cidade - Difícil ver você chegando e não reparar na sua boa forma e jovialidade.
Françoise Forton - Pois num é? E de fato são mais de 50 anos, mas comecei bem novinha aos 7, 8 anos já estava trabalhando como atriz-mirim. Minha primeira grande peça de teatro foi aos 11 anos. Era filha de ninguém menos que Paulo Autran. Bom, quanto à beleza acho que fui abençoada por ter me criado em Brasília.
| Globo/João Miguel Júnior |
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| Emília em "Tempo de Amar", o trabalho mais recente |
JC - Como assim?
Françoise Forton - Nasci no Rio, mas vivi em Brasília dos 5 aos 17 anos e, como todos sabem, o clima por lá é seco, sol intenso e eu, muito sardenta, descobri o valor do filtro solar muito cedo. Não tomava sol, não deixava de usar filtro, isso protegeu minha pele, as rugas são poucas (risos).
JC - E a forma física?
Françoise Forton - O que me mantém bem fisicamente é a dança. Não largo o balé clássico, as atividades de dança, por nada, tanto que me aventurei no "Dança dos Famosos" (em 2015), né? A dança é maravilhosa. O que ela faz pelo corpo e a mente da gente é indescritível. Me mantenho em forma dançando. Mesmo quando viajo dou um jeito de ter uma ou outra aula. Preciso dessa atividade e recomendo para todo mundo.
JC - Você está sendo homenageada com um doce criado genuinamente para você, mas já confidenciou que também não come doces.
Françoise Forton - Na verdade, não é que não coma, seja radical, é que o açúcar não faz parte da minha dieta cotidianamente. Mas este aqui, claro que vou comer. E sempre tem exceção à regra, né? E quando abuso, vou com mais força à dança para gastar tudo. Aliás, o segredo é justamente esse o da boa forma, a gente gastar mais do que consome.
JC - Seu encontro, digamos assim, com Bauru é recente.
Françoise Forton - Na verdade eu já conhecia Bauru. Vim dar um curso de teatro em 1997. Antes disso, por ouvir outros artistas falarem, em especial o Mauro Rasi. E por autores da região, o Mário Prata, de Lins (de Estúpido Cupido) e o Tide (Alcides Nogueira de Botucatu, autor da última novela que ela participou na Globo, "Tempo de Amar"). Sem falar o contato com o meu amigo Leandro Lopes (proprietário do Oba-Oba). Com isso, a cidade sempre esteve rondando minha vida e era um desejo muito grande estar por aqui. Tivemos essa felicidade no ano passado.
JC - Com a peça "Um amor de vinil"?
Françoise Forton - Isso. O musical conta a história de amor de um casal embalada por 22 clássicos da Música Popular Brasileira e foi muito bem recebido. Gostei tanto daqui que tenho um projeto nacional para logo, logo. E Bauru, se tudo der certo, está no centro dele.
JC - Ah é? O que é?
Françoise Forton - Uma montagem nova do texto "A Ponte e a Água de Piscina" do Alcides Nogueira. Um texto que fala de generosidade, da defesa dos recursos hídricos e, acima de tudo, de sentimentos profundos da mulher. É uma preciosidade e a nossa ideia é estrear o espetáculo em Bauru. Mas fazer aqui uma estreia nacional, não apenas uma apresentação. A primeira delas seria aqui. Acho que vai ser muito bom.
JC - Ainda não está certo?
Françoise Forton - Ainda não. Depende de apoio financeiro. Estamos em crise, claro, mas eu penso que a crise é o que faz a gente crescer. A gente cria mais. A gente se obriga a REexistir, REinventar (diz, ao destacar o "re").
JC - Você comentou de um texto que fala às mulheres. Estamos em um momento de empoderamento feminino. Como analisa essa questão?
Françoise Forton - De forma positiva. É preciso uma valorização feminina. A mulher realmente se organiza, organiza sua vida com muito mais atividades, tem uma sobrecarga maior que o homem e ganha menos do que ele, o que é um absurdo. Ela precisa ir em busca não só de igualdade nesse nível, mas também de oportunidades iguais que para o gênero feminino são mais escassas. Então, vejo com bons olhos esse empoderamento. Fico triste com tanta humilhação, tanto crime contra a mulher.
JC - Agora mesmo uma menina de 12 anos encontrada morta, em Araçariguama...
Françoise Forton - O caso da Vitória Grabrielly me choca muito. Antes de vir para esta entrevista assisti na televisão detalhes da forma como essa menina foi morta. E pensar que saiu para andar de patins. Um abuso. É aviltante, me corta o coração. É preciso que as pessoas respeitem mais as escolhas de cada um, respeitem mais a mulher. Que se entenda que um "não é não" e ponto. Aliás, é preciso respeito com todos, com as crianças, com os idosos, não se pode ver tanto abandono deles, por exemplo, pelas famílias. Algo tem que ser feito. A sociedade precisa mudar.
JC - Você está acompanhada de seu marido, um casamento recente... (ela oficializou a união com o produtor teatral Eduardo Barata em uma cerimônia luxuosa realizada na Casa de Arte e Cultura Julieta Serpa, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em outubro de 2014).
Françoise Forton - Não, nada disso, temos uma relação bem antiga, estamos juntos há muito tempo, uma relação construída para ser pelo resto da vida.
JC - E qual o segredo disso, de uma união estável?
Françoise Forton - A gente tem que querer que dê certo e investir nisso, aprender com os erros, daí dá certo.
| Samantha Ciuffa |
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| Lançamento do churros "Cupido", em homenagem à Françoise Forton, que esteve no Oba-Oba com Leandro |
Cupido e Bauru
"Conheço o Leandro há mais de 20 anos, quando vim ministrar um curso em Bauru. Depois disso, muitas vezes ele prestigiou os meus trabalhos e nos tornamos grandes amigos. E ele foi um querido fazendo essa surpresa para mim com o churro em minha homenagem. Eu gosto muito! É um clássico de Bauru esse doce. Aliás, ele leva para mim quando vai ao Rio (ai dele se não levar... risos). E eu amo. Todos amam. E os ingredientes são uma tentação, não dá para não gostar... é uma combinação que não há como não gostar: leva creme de avelã e leite condensado sabor morango". Leandro, por sua vez, justifica a escolha do nome para o quitute: "o cupido remete não só à novela que até hoje está no imaginário brasileiro, mas também a essa amizade muito sincera que temos um pelo outro". E põe uma dose maior de emoção nessa amizade já que a atriz, canceriana de 8 de julho, é também de extrema sensibilidade e não mede esforços para acolher os amigos.


