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Reflexo de seu tempo: é a Copa do calculismo

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos assistindo a uma Copa já bem diferente em relação à anterior. E não me refiro aqui ao uso de árbitro de vídeo, mas, sim, ao clima dominante em geral. Um exemplo: não é um Mundial, no caso dos brasileiros, marcado por aquele ufanismo extremo. Nos dois jogos do time de Tite, na hora dos gols, não ouvi rojão.

Sei que teve porque fui perguntar aqui e ali, mas na região onde moro e torço, nada. Respeito aos pets? Cautela com a seleção? Talvez uma silenciosa combinação de fatores explique a falta de estampidos.

Também não é, até agora, um Mundial de brilho das camisas consagradas. Que o diga a atual campeã Alemanha que, ontem, sofreu demais para se manter viva na Copa com uma vitória nos acréscimos contra a Suécia (2 a 1). A tal equivalência de forças deu as caras de vez, o que "amarra" um pouco o espetáculo, mas também deixa os desfechos muito emocionantes.

O primeiro tento brasileiro contra a Costa Rica, também nos acréscimos, foi outra prova disso: se nossos adoráveis chorões chegarem à grande final, aquele chute de bico de Coutinho ganhará contornos épicos - maior até do que o gol de bico de Romário em 1994 porque, àquela altura, o Brasil já estava classificado (foi 1 a 1 com a Suécia, o que garantiu o primeiro lugar na fase de grupos).

Não há, também, invencionices até agora - uma tentação sempre de plantão para técnicos diante dos holofotes mundiais. Está todo mundo arrumadinho taticamente; e os jogadores todos empenhados em preservar suas funções e não dar bobeira na ocupação de espaços.

É a Copa do calculismo, reflexo de um tempo mais cerebral no esporte justamente porque quem estava abaixo em nível competitivo usou a cabeça para reduzir os abismos. E é a Copa do WhatsApp: a maioria das mensagens e imagens é divertida - e serve como stand up instantâneo para aliviar o dia a dia entre uma partida e outra.

Paro por aqui porque tem pós-jogo da Copa e uma coisa não mudou: o prazer de ver esse colorido show de sotaques e estilos - nas quatro linhas, nas arquibancadas e nos entornos. Que esse torneio tão esperado de quatro em quatro anos seja digno de aplausos empolgados até seu ato (dramático) final.

O autor é editor do JC

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