Tribuna do Leitor

Mais armas, menos crimes. Será?

Engenheiro Cezar José Sant' Anna
| Tempo de leitura: 3 min

Ler um artigo, um livro, assistir a um noticiário, ler uma notícia na Internet, tudo isso é muito prazeroso, porém, há sempre de se confirmar qualquer coisa que se lê, vê ou ouve. Ao me deparar já bem anteriormente com a posição de um leitor sobre ter armas em casa, fiquei pensando a respeito. Depois, li também na mesma tribuna outro leitor contrário a se ter armas em casa. E na quinta feira (14/6), penso que o primeiro leitor está tentando contribuir com sua visão armamentista, utilizando o livro do autor John Lott Jr., sobre uma visão positiva de se ter armas nas mãos da população.

Mas, com uma pequena busca, a tese do sr. John Lott Jr. já cai em descrença. Sou muito mais ter armas em casa do que não as tê-las. Quando criança (nasci em 1949) utilizava a "espingardinha de pressão" para atirar em palito de fósforo. Depois, já na juventude, aprendi a caçar com meu sogro, sr. Lauro Faulin. Saia de casa em Dois Córregos, em frente ao Fórum, com a espingarda de caça a tiracolo, passava na casa do Chico eletricista, na rua principal, 50 metros do Fórum, pegávamos dois cachorros perdigueiros (dele), descíamos a rua da piscina, passávamos a linha férrea e entrávamos num campo de caça de codornas. Isso num puro dia de semana, por volta das 15h.

Retornávamos com as caças penduradas na cartucheira que estava na cintura. Bons tempos, que eu gostaria tê-los novamente. Custava caro o "tiro", não era barato. Trabalhava eu na Rádio Cultura de Dois Córregos ZYR 54 e com o dinheiro podia comprar alguns cartuchos. Isso nos anos 1965, 1966, 1967, plena ditadura militar.

Nunca fomos importunados por quem quer que seja. Sempre recebia boa informação de como utilizar a arma, tanto de meu sogro como de meu amigo Chico eletricista. Penso eu que ele deveria ter uns 40 a 50 anos. Isso ficou na saudade. Não há como voltar.

Mas, sinceramente, liberar armas, hoje em dia, com a "raivosidade" das pessoas, com a mudança dos comportamentos sociais, com o aumento da população (1966 - 85 milhões de pessoas) no Brasil (estamos chegando aos 210 milhões), penso eu que o custo de acompanhamento, de fiscalização de documentar tudo isso será muito alto e não há necessidade da população ter armas e gastar dinheiro.

Precisamos de Saúde, Educação e Segurança Pública. Ter armas para pessoas de bons costumes e honestas nada vai servir, pois essas pessoas não irão andar armadas para "matar bandidos", nem deixarão essas armas em casa em locais de fácil manuseio, com isso essas armas serão inúteis. Armas nas mãos das pessoas, diríamos "sem condições", só fará aumentar a utilização das armas e generalizá-las em locais onde hoje dificilmente as encontramos. Do jeito que está, a polícia sabe onde as armas estão e com quem estão, o que facilita coibir o uso. Desculpem-me os que hoje estão a favor de armar a população, mas a bandidagem inicia-se com a falta de horizonte (sem sonho), com a falta de salário (não conseguem alimentação), com a falta de uma educação de qualidade (são os analfabetos alfabetizados). Por que as pessoas não se espelham na Inglaterra, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda, na Noruega, na Dinamarca, para mostrar o que é melhor para uma população (uma vida melhor)? Por que as pessoas se espelham em um país como os USA, onde a vida da maioria é uma vida bem inferior à vida da população europeia de classe baixa?

 

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