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Faltam moedas e notas pequenas e comerciante até reza por troco

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Falta de moedas para troco no comércio

Parcerias com outras empresas, apelo aos clientes e até oração. Tudo vale para os comerciantes de Bauru que sofrem com a falta de moedas e cédulas de R$ 2,00 e R$ 5,00, usadas para troco nas transações de compra e venda.

Segundo o Banco Central, a dificuldade, em grande parte, é provocada pela retirada de circulação de moedas metálicas, já que a população tem o hábito de poupar em cofrinhos ou as perde ou esquece em algum lugar, como gavetas e bolsos de roupas. A estimativa é de que o fenômeno, chamado entesouramento, abranja 35% do total de moedas circulantes.

Há quem diga, ainda, que o "sumiço" de notas tem origem em ações de lavagem de dinheiro ou de represamento para engordar caixas dois de campanhas eleitorais. Para contornar a escassez dos numerários de menor valor, pessoas que atuam no comércio, como a gerente de casa lotérica Maria Cecília dos Santos, tem apelado até para Deus.

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Maria Cecília dos Santos, gerente de lotérica: "Outro dia, não tinha moeda para trabalhar e cheguei a fazer uma oração"

"Outro dia, não tinha moeda para trabalhar e cheguei a fazer uma oração. Já paguei até mototáxi para ir buscar moedas em posto de combustíveis, por exemplo. A gente também compra, quando aparece, de cliente que guarda. Mesmo assim, tem vez que fica sem e a gente acaba dando troco a mais, de R$ 0,05, R$ 0,10", conta.

Assim como Maria Cecília, Zaine Eduarda dos Santos, atendente de uma lanchonete da região central, estabelece parcerias com empresas e outros comércios que não dependem tanto de troco. "Donos de algumas lojas sempre ajudam a gente. Tem que correr atrás, mas, mesmo assim, tem dia que fica quase sem nada no caixa e a gente chega a perder dinheiro na hora de dar o troco", comenta.

SUPERMERCADOS

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Zaine dos Santos, atendente de lanchonete:  "A gente chega a perder dinheiro na hora de dar o troco"

No comércio, quem mais sofre são os estabelecimentos que comercializam produtos de baixo valor. Assessor jurídico Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Elion Pontechelle Júnior explica que o pagamento com cartão de débito e crédito, de maneira geral, é feito somente para valores superiores a R$ 200,00.

"Hoje, principalmente moedas de R$ 0,50 e R$ 1,00 estão com baixíssima circulação. A que mais circula é de R$ 0,25. Já notas de R$ 2,00, R$ 5,00 e até R$ 10,00 estão escassas nos caixas dos comerciantes", acrescenta.

Já no segmento supermercadista, embora a compra via cartões de crédito e débito esteja em pleno crescimento, a maior parte das vendas nos supermercados continua sendo feita em dinheiro. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), os prejuízos com essa questão, em valores reais, podem chegar a mais de R$ 1 milhão por ano em uma rede de médio porte.

Malavolta Jr.
Encontrar sobra de moedas em caixa é algo raro no comércio

"Agora, o supermercadista sofre menos com esta situação do que no passado porque tem parcerias fixas com outras empresas e faz treinamento com seus funcionários para a captação máxima de moedas. Alguns bancos também nos ajudam", revela Apas, Fernando Luiz da Silva.

'COFRINHOS SOLIDÁRIOS'

Toda estratégia é válida para arrecadar moedas e facilitar o troco dos clientes. Pensando em solucionar este problema e, ao mesmo tempo, ajudar instituições beneficentes, a rede Confiança Supermercados criou a campanha "Cofrinhos Solidários" em todas as suas 11 lojas nas cidades de Bauru, Marília, Jaú, Botucatu e Pederneiras.

A ideia é simples: os consumidores fazem suas doações nos cofrinhos posicionados nos caixas, a rede fica com as moedas arrecadadas e deposita a mesma quantia em dinheiro na conta das instituições beneficiadas. Iniciada no segundo semestre do ano passado, a iniciativa continua em vigor até hoje.

Banco Central argumenta que oferta no Brasil está alinhada aos parâmetros internacionais

Segundo o Banco Central, a proporção de moedas em relação ao montante de dinheiro em circulação no Brasil é da ordem 2,9%, índice alinhado a parâmetros internacionais - que variam de 2,3% a 3%. Por meio da assessoria de imprensa, a instituição informou que existem, hoje, 25,7 bilhões de unidades de moedas em circulação (R$ 6,6 bilhões em valor), o que corresponde a uma disponibilidade per capita de 126 unidades por habitante (R$ 32 em valor).

Em 2018, até maio, também já havia sido disponibilizado um total de 221 milhões de unidades de novas moedas e 89 milhões de novas cédulas de R$ 2,00 e R$ 60 milhões de novas cédulas de R$ 5,00.

Por meio de nota, a Apas destacou, contudo, que o orçamento disponível para a emissão de moedas no Brasil foi reduzido em mais de 50% a partir de 2014, o que agravou a situação de escassez dos numerários. "Vale ressaltar que, em média, cada moeda custa R$ 0,40, ou seja, mais do que o valor de face para boa parte delas", pondera o vice-presidente da entidade, Roberto Longo.

De acordo com o Banco Central, comerciantes com dificuldades para obter troco podem registrar pedido junto à gerência da agência do banco onde mantém conta; contatar o Serviço de Atendimento aos Clientes do banco, se o pedido não for atendido; ou entrar em contato com a associação de classe a qual pertence, que poderá comunicar ao Bacen dificuldade generalizada por meio do e-mail mecir@bcb.gov.br.

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