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| Alberto Salles de Toledo Baroni deixa a esposa e três filhos |
"Éramos uma família. Temos três filhos, um de 23 anos, um de 18 e uma menininha, de apenas 6. De repente, uma gripe forte veio e levou o meu marido. Levou ele da gente". Esse é o lamento, ainda incrédulo, de Ângela Cristina Alzani Baroni, que perdeu o esposo Alberto Salles de Toledo Baroni, de 46 anos. O mecânico é a mais recente vítima fatal de H1N1 em Bauru.
O alerta da gripe A ganha contornos ainda mais preocupantes. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde, através do Departamento de Saúde Coletiva, confirmou mais três casos da doença, sendo que dois deles - incluindo Alberto - resultaram em morte. Agora, já são três vítimas fatais somente neste ano. Também foi confirmado mais um caso positivo de H3N2. Todos apresentaram febre, falta de ar, tosse e dor no corpo.
Morador do Mary Dota, o mecânico Alberto Baroni, segundo a família, começou a sentir os primeiros sintomas da doença no último dia 12. "Parecia uma gripe forte. Ele tomou uma injeção na farmácia, mas não melhorava. Nisso, eu também peguei gripe. Mas parecia só um resfriado mesmo", conta Ângela, que mantinha um casamento de 23 anos com Alberto.
Como os sintomas não amenizavam, ele foi para a UPA do Mary Dota, onde foi medicado. A família até achou que ele estava melhorando, porém, o quadro da doença avançou. "No domingo (17), ele estava muito mal. Da UPA do Mary Dota, foi transferido para o PS Central. Foi entubado e já colocado em coma induzido. Somente na quinta (21), conseguimos uma vaga em um hospital de Promissão (120 quilômetros de Bauru)".
Quatro dias depois, Ângela recebeu a notícia que tirou o chão de toda a sua família. "Ele morreu na madrugada de domingo (24). É uma tristeza muito grande. Não acredito que uma gripe o levou", repetia, ainda com a voz embargada e em tom de incredulidade.
Alberto não havia se imunizado contra a H1N1. A família conta que não sabia que o mecânico se enquadrava no grupo de risco. Porém, ele teve um AVC há alguns anos e, dessa forma, era considerado um cardiopata crônico.
OUTRO ÓBITO
Além do caso de Alberto Baroni, a prefeitura divulgou ontem mais duas confirmações de H1N1 de pessoas que não se imunizaram contra a doença. Um deles se trata de um outro homem, de 45 anos, que seria do grupo de risco por ser diabético. Ele, que estava internado em um hospital particular de Bauru, também não resistiu à doença e morreu no último dia 21.
Já o outro caso, felizmente, não terminou de forma trágica. Trata-se de uma criança de 5 anos, que, inclusive, já recebeu alta hospitalar e se recupera na casa da família.
H3N2
Se já não bastasse a preocupação com H1N1, também foi confirmado nesta terça mais um caso positivo de H3N2 (vírus que causou grande surto nos Estados Unidos). O paciente é um adolescente de 16 anos e que compõe o grupo de risco por ter doença neurológica crônica.
Nesse caso, o jovem havia recebido a vacina neste ano. Ele segue hospitalizado, mas seu quadro de saúde é considerado estável.
"Todos são moradores das regiões Norte e Noroeste da cidade", destaca a Secretaria Municipal de Saúde, em nota.
Com esses novos casos, Bauru totaliza, neste ano, onze casos de H1N1, com três óbitos, e dois de H3N2. Ainda, de acordo com a prefeitura, há mais 11 casos suspeitos e uma morte em investigação.
Números de 2018 aumentam o alerta para a importância da vacinação
Os casos recentes e a alta letalidade da doença reforçam ainda mais a necessidade da vacinação. Ontem, a Secretaria de Saúde informou que a taxa de cobertura vacinal ainda está em 79,5%, abaixo do esperado. A preocupação é ainda maior nos grupos das crianças (63,66% de cobertura) e das gestantes (61,05%).
Por conta desses números, a pasta até marcou, para a manhã de hoje, uma entrevista coletiva com o intuito de reforçar a gravidade da situação e alertar para a baixa procura da vacinação.
"Em 2017, tivemos apenas cinco casos e nenhuma morte. Agora, já estamos com 11 casos e três mortes. Trata-se de uma doença sazonal e a vacina faz o que chamamos de cinturão epidemiológico. No ano passado, até conseguimos uma boa cobertura vacinal em números gerais, mas não nos grupos específicos. E essas lacunas é que preocupam tanto", diz Ezequiel Santos, diretor da Vigilância Epidemiológica Municipal.
De acordo com ele, os casos têm comprovado que a imunização (ou a falta de dela) tem sido decisiva determinar a gravidade da doença. "As pessoas precisam entender que gripe todo mundo pega. A vacina acaba amenizando os efeitos. Faz com que não fique grave, que não evolua para a síndrome respiratória aguda grave", complementa.
Conforme o JC noticiou, além daqueles grupos que já estavam no mote da campanha desde o início, a imunização foi aberta nesta semana também para crianças entre 6 meses e 10 anos e adultos a partir de 50 anos.
O público-alvo, além desses recém-adicionados, são: crianças entre 6 meses e menores de 5 anos; gestantes; puérperas; trabalhadores da Saúde; indígenas; pessoas com doenças crônicas/imunodeprimidos; pessoas com 60 anos ou mais; população prisional e os funcionários do sistema prisional; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medida socioeducativas; e professores das escolas públicas e privadas.
Quem ainda não se vacinou deve procurar a unidade de saúde mais próxima entre 8h e 17h, de segunda a sexta. A campanha continuará até que haja doses disponíveis.
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