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Falta de leite especial para bebês na rede pública preocupa mães

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Aceituno Jr.
Natália teme que não tenha leite Neocate para a sua filha Júlia

Júlia Cáceres Rueda foi a primeira bebê a nascer em 2018 em Bauru. Após uma gestação de risco e de apenas 31 semanas, a pequena precisou ficar 62 dias na UTI antes de ir para o quarto que os pais haviam preparado com tanto carinho. Mesmo depois de tanta luta, a família vive com medo de um novo drama: a falta, na rede pública, do leite especial Neocate, receitado pela maioria dos médicos a crianças e bebês alérgicos à proteína do leite comum. A Secretaria de Estado de Saúde diz que não é obrigada a distribuir o produto, mas que o faz por iniciativa própria e prevê a entrega para os próximos dias.

Mãe de Júlia, Natália de Jesus Ferreira Cáceres Rueda, 30 anos, explica que a lata do Neocate custa, em média, R$ 230,00 e dura somente três dias. "É um leite muito caro. Eu e outras mães não temos como pagar esse valor se o Estado não fornecer".

E, segundo ela, o produto está em falta. Por isso, o receio da família é de que, muito em breve, não tenha o que dar de alimentação para a bebê. Natália ainda conseguiu pegar o produto no final de junho e, com isso, tem latas para aguentar este mês. Porém, várias outras mães não tiveram a mesma sorte.

"A gente tem um grupo de WhatsApp com mais de 40 mães. Dez delas já foram no Hospital Estadual e não conseguiram pegar o Neocate. Eles dizem que não há nem previsão de quando o leite vai chegar. Essas mães estão desesperadas", complementa.

OUTRO LADO

A reportagem enviou para a Secretaria de Estado de a lista com dez nomes de bebês cujas mães já estariam sem o leite ou na apreensão de não conseguir o produto. Deles, a pasta apontou que três - incluindo o caso da Júlia - fizeram a retirada na segunda quinzena de junho, com quantidade suficiente para um mês.

Já para os demais pacientes apontados, a secretaria disse que uma nova entrega está prevista para esta primeira quinzena de julho e, tão logo ocorra, eles serão comunicados.

A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica alega ainda que a fórmula especial Neocate não faz parte da lista de produtos do SUS, definida pelo Ministério da Saúde. "No entanto, o Estado de São Paulo fornece as fórmulas por iniciativa própria", complementa.

Sobre a demora nas entregas, a pasta diz que se planeja para manter os estoques, mas alega que, "alguns fatores, alheios ao planejamento, podem ocasionar desabastecimentos temporários, como aumento inesperado de demanda, atraso por parte do fornecedor, logística de distribuição do Ministério da Saúde, pregões 'vazios' ou pregões "fracassados'".

 

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