Tribuna do Leitor

Identidades

Bruno Emmanuel Sanches - Membro da Academia Bauruense de Letras
| Tempo de leitura: 2 min

O que é o Brasil? O que nos faz brasileiros? Tem sido cada vez mais difícil buscar essa identificação, seja no futebol ou fora dele. Ou, pensando de uma outra forma, as identificações que existiam estão em declínio ou extinção, dada a liquidez dos nossos tempos, das nossas convicções.

Longe de querer tomar partido, apenas constato o quanto o desempenho da seleção brasileira demonstra que estamos buscando novas identidades, tanto no futebol quanto na lógica do que é ser Brasil, do que é ser brasileiro. O sete a um ainda reverbera, e o Brasil fica nessa dicotomia louca de arte versus resultado; de pragmatismo versus improvisação; do amai-vos uns aos outros versus o olho por olho, dente por dente; da liberdade e da tolerância versus flertes com o fascismo e com a repressão.

O Brasil não sabe se ri ou se chora; se veste azul, amarelo, vermelho ou verde; se é hora de atacar ou defender; se defende o estilo de jogo da seleção, ou se reclama do Gabriel Jesus, ou do William, ou do Neymar; se quer o canarinho de feições amigáveis ou se prefere o canarinho pistola.

Nessa época, misturamos copa com imaginário de identidade, os brasis de amarelo, azul, o Brasil vermelho, o Brasil dos patos, do milagre econômico, do ame-o ou deixe-o, o Brasil da corrupta CBF, o Brasil que deixou escapar mais uma copa para os europeus.

E assim vamos tocando, sem o Olodum ou os bonecos de Olinda na terça, tendo que fazer o país produzir... Para quem? E, diante dessas perdas, seguimos sem saber se perdemos as identidades que tínhamos, ou se, na verdade, nunca tivemos alguma.

Agora, esperançosos ou não, temos que esperar outros quatro anos por mais uma copa. Para torcermos por outros brasis, criar novas identidades, romper outras tantas. Afinal, é apenas futebol?

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