Esportes

Copa do Mundo: Sonho adiado


| Tempo de leitura: 4 min

Toru Hanai/Reuters
Neymar, que não fez boa partida, desolado no gramado: símbolo da eliminação brasileira

Projeto hexa adiado. Mais uma vez. A Seleção Brasileira acabou prejudicada por um mau primeiro tempo e foi superada pela eficiência de Bélgica nessa sexta-feira (6), em Kazan. A derrota por 2 a 1 pelas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia encerra o sonho de título e acaba com a expectativa de uma população que, quatro anos depois da traumática goleada por 7 a 1 sofrida para a Alemanha, voltava a acreditar em uma conquista.

Se em 2014 o Brasil pagou por uma pane contra os alemães, desta vez foi punido por um primeiro tempo de falhas na marcação e contra-ataques perigosos sofridos. A badalada seleção de Bélgica fez um jogo inteligente. A equipe, depois de 32 anos, está de volta à semifinal de uma Copa e em grande estilo, ao impor ao técnico Tite a primeira derrota em jogos oficiais. A queda do Brasil deixa a Copa só com seleções europeias. Nas semifinais, a Bélgica terá pela frente a França, às 15h (de Brasília) de terça-feira, em São Petersburgo.

A Bélgica ofereceu de uma vez só dificuldades jamais enfrentadas pela Seleção na era Tite. Além de criar ao Brasil uma inédita desvantagem de dois gols no primeiro tempo, a equipe europeia conseguiu desfrutar de uma marcação enfraquecida pela ausência de Casemiro, suspenso. De Bruyne e Hazard tinham grande liberdade para armar jogadas, em especial contra-ataques. 

O começo da partida pareceu promissor para o Brasil. Com sete minutos, o time acertou a trave com Thiago Silva e logo depois conseguiu uma sequência de ataques perigosos. No melhor deles, Paulinho perdeu chance sozinho na área ao finalizar mal, de frente para o gol. O jogo parecia favorável até os belgas chegarem ao gol aos 13, quando, em um escanteio pela esquerda, Fernandinho fez contra ao desviar para o gol.

A partir disso, armada no esquema 3-4-3, a Bélgica se defendia em uma linha de quatro defensores com o recuo de Meunier, posicionado exatamente para marcar o colega de Paris Saint-Germain, Neymar. Fellaini também encostou no setor para reforçar o cuidado. O Brasil se via muito bem marcado e até conseguia criar boas chances de gol, mas se não conseguia finalizar bem, como quando Gabriel Jesus teve chance, mas não conseguiu se livrar da marcação na pequena área. Pior, a Seleção levava contra-ataques perigosos

Em um deles, aos 30 minutos, os belgas ampliaram. Lukaku girou em cima de Fernandinho e, apesar pesado, carregou bem a bola, passando na frente do mesmo marcador, que não fez a falta para parar a jogada. De Bruyne foi acionado na direita, nas costas de Marcelo, e acertou um chute cruzado, seco, para fazer 2 a 0.

O Brasil se viu em uma quartas de final de Copa em um panorama desastrosamente inédito na era Tite: a então melhor defesa da Copa dava espaços, o ataque não conseguia marcar e a derrota parcial desafiava o equilíbrio emocional. 

Após o intervalo, Tite tirou Willian para colocar Firmino e tentar empurrar os adversários. Teve reclamação de dois pênaltis, chutes perigosos e mais contra-ataque belga. Hazard quase fez o terceiro. Ao Brasil, não restava mais alternativa a não se arriscar mais conforme o tempo passava. A Seleção colocou em campo Douglas Costa, que entrou muito bem no jogo, embora o tempo fosse um cruel inimigo.

A Bélgica se armou em uma linha defensiva de cinco jogadores. Atravessar a barreira era difícil. Então, foi preciso arriscar o modo menos óbvio, pelo alto. Coutinho ergueu para Renato Augusto, que entrara no lugar de Paulinho, desviar de cabeça e diminuir, aos 31 minutos. Era um respiro e tanto para quem quase já perdia o fôlego por tanto atacar e não ver resultado.

O prejuízo tinha caído pela metade. Precisava resolver o restante para buscar a prorrogação. O Brasil quase empatou com Renato Augusto, que perdeu chance incrível, livre, na entrada da área, em desvio de Firmino, Paulinho, que não conseguiu aproveitar sobra de novo sozinho na área belga, Coutinho, de frente para gol, e Neymar, que obrigou o goleiro a um milagre nos acréscimos. Não houve o abatimento de 2014, a fraqueza emocional de 2010 ou a passividade de 2006. O Brasil saiu da Copa brigando muito e de cabeça erguida. Pena que volta para casa, mais uma vez, de mãos vazias e o sonho do hexa foi adiado.

Comentários

Comentários