Está confirmado: Copa é para se assistir, não para se torcer. Por isso mesmo é que chamam de "espetáculo". Se você assiste, como a um filme, também vai rir e se emocionar, mas não sofrer. Igual montanha-russa (russa!): admire, mas fique em terra firme.
Se o ato primitivo de torcer para a seleção ainda persistir, saiba que: 1. Você vai se angustiar. 2. Você vai se angustiar. 3. Você está avisado. E não é culpa do Tite (digo, time). É a essência do confronto . Torneio de tiro curto deixa ferimentos.
Imagine que a equipe treina e compete durante quatro anos. Nas eliminatórias, então, é jogo de ida e volta durante sei-lá-quantos-meses. Tudo para chegar à... Copa. E, quando chega, um lance rápido infeliz (como gol contra, por exemplo) faz como naquela canção do Tim Maia: põe tudo a perder. E põe tudo a perder.
Aliás, depois de "Evidências" na propaganda da TV (você viu?), a música para os brasileiros, agora, bem que poderia ser mesmo "Me Dê Motivo". Sai de cena "Eu preciso aceitar que não dá mais / Pra separar as nossas vidas" e entra "No seu novo caminho, ficar contigo / Não faz sentido, melhor assim...".
Sai "Não posso imaginar / O que vai ser de mim / Se eu te perder um dia". Entra "Estou indo embora / O que fazer?".
Fizeram o que podiam contra a Bélgica, mas 2 a 0 logo cedo é placar cruel. Talvez a técnica apurada (não estou sendo irônico) tenha até atrapalhado o Brasil: faltou é chute de bico. Encher o pé. Para encher a torcida (digo, plateia) de esperança. Bom, já foi, mas aí vai uma boa notícia: o Brasil vai sediar Copa em 2019.
A Copa América começa em junho próximo. Passa rápido. Logo, logo você poderá voltar a assistir/torcer novamente. Nós poderemos. Talvez ao vivo e in loco. São Paulo, Rio, BH, Porto Alegre e Salvador. Copa: "Quando eu digo que deixei de te amar / É porque eu te amo". Amor: um bom motivo para voltar a torcer.
O autor é editor do JC.