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Copa do Mundo: Após 28 anos


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Lee Smith/Reuters
O grandalhão Harry Maguire, de 1,94m, fez o primeiro gol da Inglaterra no jogo que o English Team quebrou "tabu" em Copas do Mundo

A Inglaterra está na semifinal da Copa do Mundo pela primeira vez desde 1990. A equipe venceu a Suécia por 2 a 0, ontem, em Samara, quebrou um tabu de 28 anos e se garantiu como uma das quatro melhores seleções do Mundial da Rússia. Agora terá pela frente a Croácia, que superou a Rússia, também ontem, na disputa por penalidades, após empate em 2 a 2 em 120 minutos. O duelo que definirá um dos finalistas está marcado para a próxima quarta-feira, às 15h, em Moscou. Do outro lado da chave, França e Bélgica fazem a outra semifinal.

Embora tenha evoluído bastante em termos táticos nos últimos anos, criando equipes capazes de variar bastante as jogadas ofensivas, a Inglaterra voltou às origens e venceu com jogadas aéreas. Os dois gols saíram assim. Os gols foram do grandalhão Harry Maguire, defensor do Leicester que tem 1,94m, e do meia Dele Alli, um dos destaques do Tottenham.

Ajudado por um grupo fraco na primeira fase e uma chave de mata-mata sem equipes tradicionais, o time inglês vem quebrando tabus neste Mundial. Os ingleses caíram nas quartas de final em seis das 14 edições de Copa que disputaram. Antes de voltar à semifinal depois de quase três décadas, a equipe superou uma decisão por pênaltis, diante da Colômbia, nas oitavas de final, após três fracassos em Copas do Mundo. Os ingleses tinham perdido todas as outras neste tipo de disputa, em 1990, 1998 e 2006.

Desacreditada entre os próprios torcedores por causa da inexperiência dos jogadores - a média é de 25 anos - e da falta de títulos importantes do próprio treinador Gareth Southgate, a Inglaterra é uma das surpresas da Copa do Mundo.

Os dois times começaram nervosos, errando muitos passes, o que não aconteceu nos jogos anteriores. Ambos sentiram o peso do jogo. A primeira chance inglesa aconteceu apenas aos 18 minutos, quando Harry Kane chutou rasteiro de fora da área.

Na metade do primeiro tempo, o time inglês começou a jogar pelos lados do campo, o que aumentou as chances. Foi nesse contexto que saiu o primeiro gol. Após cobrança de escanteio aos 29 minutos, o zagueiro Harry Maguire, de 1,94m, subiu de cabeça no meio da área e fez 1 a 0. 

A Suécia tentou equilibrar as ações, adiantando as linhas de marcação, mas tinha muitas dificuldades para construir jogadas e explorava os lançamentos longos. Aos 44 minutos, nova grande chance da Inglaterra. Sterling recebeu belo passe, entrou em velocidade no meio da zaga e tentou driblar o goleiro Olsen, que conseguiu tocar na bola e atrapalhar o atacante.

O segredo principal para a Inglaterra chegar à semifinal pela primeira vez desde 1990 era neutralizar a bola aérea da Suécia. Foi exatamente o que ocorreu com um minuto do segundo tempo, quando Augustinsson conseguiu boa cabeçada e Pickford fez uma defesa extraordinária.

Foi uma das poucas vezes em que os suecos chegaram com perigo. A Inglaterra conseguiu novamente se impor no jogo. Aos 14 minutos, Lingard recebeu na direita e cruzou para Dele Alli cabecear com os olhos abertos para aumentar o placar e praticamente definir a classificação. O goleiro Jordan Pickford segurou dois bons ataques da Suécia e garantiu a vantagem segura até o final.

'Queremos dar orgulho ao país', diz Kane

Pela primeira vez desde 1990, a seleção inglesa está na semifinal da Copa do Mundo. Ontem, a vaga veio depois de vitória sobre a Suécia por 2 a 0, em Samara, com gols de Maguire e Dale Alli. Desta vez, Harry Kane passou em branco, mas ele continua sendo o artilheiro do Mundial, com seis gols. "Foi um jogo difícil, diferente do que enfrentamos até agora. Tivemos muitas bolas alçadas na área. Estamos contentes. Isso nos ajudou a passar para as semifinais", comentou o atacante, na saída do gramado. Apesar da derrota para a Bélgica na última rodada da fase de grupos, em jogo entre dois times praticamente reservas, a Inglaterra faz uma Copa do Mundo consistente até aqui. "Estamos nos sentindo bem, confiantes. Isso mostra que o time está pronto", avaliou Kane. Ele é o símbolo de uma equipe que, talvez como nunca na história recente, está permitindo à torcida inglesa acreditar num título. "Nós sabemos que temos um jogo difícil pela frente, a semifinal, e estamos nos sentindo bem. Nós queremos dar orgulho ao país. Estamos desfrutando, os torcedores estão desfrutando", afirmou.

Técnico da Suécia reconhece superioridade inglesa nas quartas

O técnico da Suécia, Janne Andersson, preferiu exaltar o desempenho inglês a criticar o sueco após a derrota da sua seleção para a Inglaterra, em duelo válido pelas quartas de final da Copa do Mundo, ontem, na cidade de Samara, na Rússia.

"Não tenho certeza se alguma coisa deu errado. Nós fomos confrontados com um adversário muito bom e não atingimos o desempenho máximo. As margens de erro em uma Copa do Mundo são bem pequenas. É difícil criar oportunidades contra um time que está jogando com cinco jogadores na defesa", avaliou.

 Na avaliação de Andersson, o plano de jogo desenvolvido pelos britânicos acabou sendo mais bem sucedido. "Houve poucas brechas em geral do lado deles. Fomos confrontados com uma boa equipe, a Inglaterra foi a melhor equipe hoje (ontem). Nem sempre algo dá errado, às vezes seu oponente é melhor. Eu tenho o maior respeito por eles e parabéns para a Inglaterra", observou, colocando Harry Kane e companhia como reais candidatos ao título. "Sim, eu definitivamente acredito que a Inglaterra é boa o suficiente para vencer a Copa do Mundo", concluiu.

Copa do Mundo: Feito igualado

Croácia elimina anfitriã Rússia nos pênaltis e volta a fazer semifinal de Mundial após 20 anos

Henry Romero/Reuters
Os croatas Domagoj Vida, Dejan Lovren e Josip Pivaric eufóricos na classificação dramática de seu país entre os quatro melhores do Mundial da Rússia

Após 20 anos, a seleção da Croácia voltará a disputar uma semifinal de Copa do Mundo. O time da geração de Modric e Rakitic sofreu nesse sábado (7), mas eliminou a anfitriã Rússia nos pênaltis por 4 a 3, após empate por 2 a 2 ao final da prorrogação - sendo 1 a 1 no tempo normal -, na despedida da cidade de Sochi do Mundial. O lateral-direito brasileiro Mario Fernandes oscilou de herói a vilão da Rússia, com um gol decisivo no tempo extra, mas uma penalidade perdida na disputa final.

Em um confronto marcado pelo equilíbrio do início às cobranças de pênaltis, Brozovic, Modric, Vida e Rakitic converteram as cobranças - Kovacic foi o único a desperdiçar pelos croatas. Do lado da Rússia, Dzagoev, Ignashevich e Kuzyaev balançaram as redes, enquanto que Smolov e Mario Fernandes perderam as suas cobranças. O brasileiro mandou para fora.

A seleção croata não chegava tão longe em uma Copa do Mundo desde 1998, quando foi a terceira colocada, com direito a ter o artilheiro daquela competição, o atacante Davor Suker - ele é o atual presidente da Federação Croata de Futebol.

Outra boa notícia para a Croácia é que não terá nenhum jogador suspenso. Apesar de entrar em campo ontem com oito pendurados, nenhum deles levou o segundo cartão amarelo na competição. A seleção croata vai enfrentar a Inglaterra na semifinal, marcada para esta quarta-feira, às 15h (de Brasília), no estádio Luzhniki, em Moscou. A outra semifinal terá França e Bélgica um dia antes, em São Petersburgo.

O JOGO

Henry Romero/Reuters
O brasileiro Mario Fernandes, que defende a Rússia, foi de "herói a vilão" ao anotar gol na prorrogação e perder cobrança na disputa de pênaltis

No embalo do triunfo sobre a Espanha nas oitavas, a seleção russa apostou na mesma disciplina tática do jogo passado. A diferença foi na posição mais avançada da marcação, à espera do contra-ataque. Do outro lado, a Croácia pouco mudou em relação ao último jogo. E sofria com a postura tática dos anfitriões. Tanto que Modric e Rakitic, dois dos melhores meio-campistas do mundo, não conseguiam armar o setor. 

Os primeiros 15 minutos de jogo foram intensos. A Rússia tentou impor pressão a todo custo, enquanto que a Croácia se segurava na defesa. Em meio à pressão da Rússia, a Croácia chegou com perigo por duas vezes - com Rakitic, aos 16, em cobrança de falta, e com Perisic, aos 28 minutos, de cabeça. Os croatas tentavam se ajustar de vez em campo quando a Rússia abriu o placar, aos 30. Cheryshev fez bela tabela na intermediária e, de canhota, acertou lindo chute de fora da área. O goleiro Subasic só viu a bola entrar no ângulo, sem reação. Foi o quarto gol do meio-campista na competição.

A festa nas arquibancadas durou apenas oito minutos. Foi o tempo que a Croácia precisou para encontrar uma brecha na fechada defesa russa pela esquerda. Perisic acionou Mandzukic, este cruzou na cabeça de Kramaric, que empatou o confronto.

No segundo tempo, a Croácia passou a tomar maior iniciativa. Aos 14. Perisic desperdiçou uma oportunidade incrível. Ele acertou o pé da trave e viu a bola passar quase sobre a linha antes de se afastar do gol. A partir dos 30, o jogo ganhou em movimento, com investidas ofensivas para os dois lados. Mas faltava qualidade a ambos os ataques. E a prorrogação se tornou inevitável.

A Croácia anotou o gol da virada aos 10 minutos do tempo extra. Após cobrança de escanteio, Vida escorou de cabeça e mandou para as redes. Mas a Rússia não se abateu com o gol e partiu para o ataque. A pressão aumentou na etapa final da prorrogação. E, também de bola parada, os anfitriões empataram. Foi aos nove minutos, quando Dzagoev cobrou falta na área e Mario Fernandes, livre, cabeceou sem chance de defesa, decretando a disputa dos pênaltis.

O lateral-direito brasileiro, contudo, teve também o seu momento de vilão logo em seguida. Nas cobranças, ele desperdiçou a terceira penalidade da Rússia, o que foi decisivo para o triunfo da Croácia. Apesar da queda, foi a melhor campanha da Rússia após o final da União Soviética. A seleção russa, desde a Copa do Mundo de 1994, não passava da fase de grupos.

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