| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| André Lucas Gabriel, de 7 anos |
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| Enterro de André foi marcado por muita comoção |
Foi em meio à dor e tentativas de aceitar o que não pode ser mudado que a família de André Lucas Gabriel, 7 anos, sepultou o corpo do menino, na tarde dessa terça-feira (10), em Bauru. Conforme o JC divulgou, o garoto foi atropelado no início da noite de anteontem, ao atravessar a avenida Elias Miguel Maluf, na altura do Parque Santa Cândida, para tentar recuperar uma pipa.
"Ganhamos um anjinho no céu, que estará sempre olhando pela gente. À nós, resta aceitar e agradecer a oportunidade que tivemos de viver ao lado do Dedeco nestes sete anos. Foi muito bom tê-lo perto de nós", conta, resignada, a avó paterna, Roseli Franco.
Dedeco era a forma carinhosa com que André - terceiro dos cinco filhos do casal Elivelton e Patrícia Gabriel - era chamado pela família. Ele era considerado, inclusive, o mais tranquilo dos irmãos, todos meninos com idades entre 1 e 14 anos.
Apesar da personalidade calma, como toda criança, o menino gostava de brincar. No Parque Santa Cândida, onde vivia, a garotada tem o hábito diário de soltar pipa, principalmente nesta época do ano, de férias escolares.
Segundo Roseli, no dia em que foi atropelado, o menino brincava com amigos na rua e já havia sido chamado pelo pai, que - desempregado e fazendo apenas "bicos" como pedreiro - havia assumido a responsabilidade de cuidar das crianças nestes últimos meses.
| Samantha Ciuffa |
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| "Ganhamos um anjinho no céu, que estará sempre olhando pela gente", diz a avó paterna do garoto, Roseli Franco |
"O Elivelton tinha dado banho nos dois filhos menores e pediu para o Dedeco, que estava brincando em frente de casa, entrar para tomar banho também. Mas o menino pediu para ficar ali mais um pouco. Não deu nem 15 minutos e a molecada chegou no portão, correndo para contar que ele tinha sido atropelado", relembra.
A mãe de André, auxiliar de limpeza, ainda não havia retornado do trabalho. O pai conta que, quando viu a movimentação, ainda tentava fazer os filhos menores dormirem. "Já estava ficando escuro, mas ele quis correr atrás da pipa. Eu não vi nada, justamente porque estava cuidando das outras crianças".
FATALIDADE
Pelo relato das testemunhas, a linha da pipa de André teria sido cortada e, com a ingenuidade de uma criança de 7 anos, ele correu em direção à avenida, que dá acesso à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP 294), determinado a resgatar o brinquedo. O caminho percorrido teria sido de apenas algumas quadras até o encontro fatal com o Gol preto, com placas de Bauru, conduzido por um homem de 57 anos, que parou para prestar socorro.
A família considerou o ocorrido uma fatalidade, embora alguns parentes e amigos tenham reivindicado a implantação de lombadas e radar no local, além de iluminação pública. Até mesmo a construção de espaços de lazer no bairro foi pedida, mas a avó acredita que melhorias como esta não teriam sido capazes de impedir o atropelamento.
"Ele não era um menino rebelde. Era uma criança, que não tinha noção do perigo. E criança, quando vê pipa, não quer saber de mais nada, mesmo que os pais falem", observa.
Elivelton reforçou que, dentro das suas condições, estava dando tudo de si para cuidar dos outros quatro filhos, que estavam em casa no momento do acidente. "Eu perdi um filho e só quem passa por isso sabe a dor que é. Ninguém tem o direito de julgar. Foi uma fatalidade. Eu o amava e vou continuar amando para o resto da minha vida", lamenta.
CENA SE REPETE
Nessa terça-feira (10), a reportagem retornou ao local do acidente e, mais uma vez, foi possível ver muitas crianças brincando às margens da avenida. Na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília), a cena se repetia: crianças e jovens soltando pipa ou com o brinquedo nas mãos caminhavam pelo acostamento, parecendo não se dar conta dos riscos que corriam.
André Lucas Gabriel também não se deu conta. Atropelado por volta das 18h20 da última segunda-feira (9), ele sofreu traumatismo craniano e contusão pulmonar grave. Inconsciente, o menino chegou a ser socorrido, mas morreu quando sofreu uma segunda parada cardiorrespiratória, enquanto era submetido a exame de tomografia no Hospital de Base. Ele foi sepultado na tarde dessa terça-feira (10) no Cemitério Cristo Rei.
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