| Reprodução/Facebook |
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| Yasmin ficou no Hospital de Duartina por cerca de uma hora e meia |
| João Rosan/JC Imagens |
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| Delegado de Duartina, Paulo Calil, instaurou um inquérito |
A Polícia Civil de Duartina (38 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito para apurar suposta omissão de socorro seguida de morte no caso envolvendo Yasmin Lemos Campos, de quatro anos. Conforme divulgado pelo JC, a menina foi picada por um escorpião nesta terça-feira (10), em Cabrália Paulista, levada para Duartina e, posteriormente, transferida para Bauru para receber o soro antiescorpiônico, mas acabou não resistindo. O corpo dela foi enterrado na manhã desta quarta-feira (11), no Cemitério de Cabrália Paulista.
O delegado responsável pelas investigações, Paulo Calil, conta que ouviu ontem a mãe e a avó da criança. "Nós já requisitamos ficha clínica da criança junto ao Hospital Santa Luzia de Duartina, ao Centro de Saúde de Cabrália Paulista e à UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) do jardim Bela Vista, em Bauru", conta.
"E também já oficiamos o DRS-6 (Departamento Regional de Saúde) de Bauru buscando cópia do pacto de atendimento para pessoas picadas por bichos peçonhentos provenientes das cidades de Duartina, Cabrália e Lucianópolis". De acordo com o delegado, esses documentos ajudarão a esclarecer algumas dúvidas.
"Nós precisamos saber onde está pactuado se Cabrália Paulista leva direto (o paciente) para Bauru ou se Cabrália leva para Duartina de uma forma material", ressalta Calil. "E também pedimos para que o DRS-6 nos mande a cópia do recibo por parte das cidades com a ciência de que é Bauru que tem o soro".
PASSO A PASSO
Durante o inquérito, que deve ser concluído em trinta dias, o delegado explica que também irá analisar a logística do atendimento prestado à Yasmin desde o momento em que ela foi picada pelo escorpião até o seu encaminhamento ao centro de saúde, remoção para Duartina e posterior transferência para Bauru.
"A família reclama com relação a possível atraso no atendimento dispensado e diz que isso teria levado a menina à morte", diz. "Precisamos apurar se ela chegou assintomática ou não em Cabrália e Duartina e, se ela já tinha algum sintoma, por que demorou para transferir para tomar o soro, que é a medida cabível?".
Nos próximos dias, segundo Calil, os plantonistas que atenderam a menina e o motorista da ambulância serão intimados para prestar depoimento. "Com a vinda das fichas clínicas, nós vamos encaminhar o caso para o IML (Instituto Médico Legal) com todos os dados para o legista poder dar o parecer dele", explica.
Dependendo do que for apurado no decorrer do inquérito, o delegado adianta que a tipificação do caso poderá até ser alterada para um crime mais grave, como um homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) ou um homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de que o crime ocorra).
RELEMBRE O CASO
Yasmin foi picada pelo escorpião de manhã, no quintal de casa, e levada pela mãe ao Centro de Saúde de Cabrália Paulista às 11h30. De acordo com o prefeito da cidade, Zequinha Madrigal (PTB), ela apresentava vômito e vermelhidão até o alto da coxa. Estimando que a picada tenha ocorrido em prazo superior a duas horas, o médico determinou sua transferência imediata para o Hospital Santa Luzia de Duartina, onde ela chegou às 11h45.
O provedor do hospital, Valdir Maximino, conta que o médico de plantão fez o atendimento inicial, medicou Yasmin e a manteve em observação no setor de pediatria. Como o quadro da criança piorou, segundo o provedor, às 13h, a enfermeira telefonou para o Centro de Saúde de Cabrália Paulista pedindo ambulância para levá-la até Bauru.
"Nós fizemos acordo com os prefeitos de Duartina, Cabrália e Lucianópolis e cada município é responsável por levar seu paciente com a ambulância e a enfermagem", argumentou Maximino. Com a chegada do veículo, às 13h20, a menina seguiu para a UPA do Bela Vista, onde deu entrada às 13h55 e, na sequência, recebeu a dose de soro.
Porém, às 17h25, Yasmin sofreu uma parada cardiorrespiratória e acabou não resistindo. Para o prefeito de Cabrália Paulista, houve demora na transferência da menina de Duartina para Bauru. "Nós levamos para Duartina porque é o hospital de referência nosso", afirma. "Eles deveriam ter falado que não tinham o soro. Nem deveriam ter dispensado nossa ambulância. Nós levaríamos para Bauru direto".

