O sr. Henrique Matthiesen, habitué desta coluna, de viés esquerdo-petista e que se apresenta também como jornalista, no último domingo excedeu-se, e muito, ao criticar a única coisa positiva acontecida na política brasileira deste início de século: as macromanifestações de rua, com milhões de manifestantes, que foram determinantes no impeachment da ex-presidente Dilma e na prisão do ex-presidente Lula e muitos outros corruptos.
Mistura, por miopia ou pelo seu jornalismo engajado, que não lhe permitem enxergar o significado e o alcance deste acontecimento histórico. Descreve ele o movimento como sem bandeira (exceto a brasileira, grifo nosso) e sem partido, de ilegítimo por ser de classe média e segundo ele por discriminar "ódio de classes" e "defesa de privilégios" e de "despolitizados", como se a política partidária fosse no Brasil positiva e um movimento espontâneo da sociedade sem partidos negativo.
Não atenta ainda que o responsável por ódio de classes foi o PTm com seu líder Lula "com o nós contra eles", "ricos contra pobres" e que a defesa dos privilégios sempre passou pelo PT e sua república sindicalista de pelegos e os tais movimentos de terrorismo e violência, apelidados de sociais, além de um empreguismo e aparelhamento do estado.
Mais ainda, enuncia o sr. Matthiesen que o movimento autêntico e popular que levou milhões às ruas estava "bestializado pelas manchetes", como se a crise política, moral, ética e econômica com desemprego em massa não existisse, fosse apenas uma criação da mídia, o PIG, conforme reza a cartilha petista, apoiada pelo missivista.
Incorreu também Matthiesen em completa desinformação ou em deslavada desonestidade intelectual embaralhando informações a ponto de misturar com o movimento das ruas contra o impeachment e pela prisão de Lula com os blackblocs, originários das manifestações contra o aumento de ônibus e encampado pelos petistas do pupilo de Lula, líder do MTST Guilherme Boulos, aquele que cobra aluguel dos desvalidos sem teto.
Antes de criticar deveria o sr. Matthiesen, mesmo como observador crítico, ter comparecido a uma destas manifestações, para constatar a forma ordeira e pacífica, representando uma democracia pura e direta e uma alternativa à falta de representatividade das próximas eleições.
Esta sim seria uma opção moderna e eficiente ao jurássico marxismo e a anacrônica ditadura do proletariado do missivista, para depurar os surrados partidos políticos brasileiros e seus corruptos caciques.
Além disto, queria lembrar falando de falta de representatividade, é curta a memória do missivista, pois quem elegeu Dilma e Temer como vice-presidente foram pessoas da esquerda como ele e as enganadas pela esquerda, como o sr. mesmo em várias ocasiões defendeu nesta coluna.
Mas o sr. Matthiesen vai ter novas oportunidades em breve de comparecer para demonstrar seu senso patriótico, talvez no impeachment de juízes como Gilmar, Toffoli e Levandowski, que mancham a tradição de nossa mais nobre corte jurídica, resultado do aparelhamento petista do governo que o sr. também aqui defendeu.
Ou ainda poderá manifestar por punição aos petistas ainda soltos, como Mantega, Lindenberg, Gleise Hoffman e Bernardo, Mercadante, Dilma Rousseff, Erenice, Gabrieli, Graça Foster, ou os do PSDB, como Aécio e Serra e ainda de Temer e sua turma do PMDB assim que terminar seu mandato e mediante o devido processo legal, presidido pelo dr. Moro e, a partir da condenação de segunda instência, que tanto foi combatida pelo seu campo político.