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Guardiã da música sertaneja raiz

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 7 min

Malavolta Jr.
Nair Castro tem CD gravado em parceria com Zé da Barca

Alegria, vitalidade e determinação são bons atributos para definir Nair Castro. Aos 70 anos, ela assumiu, em fevereiro de 2018, a coordenação do tradicional Clube da Viola de Bauru do qual se orgulha e aponta como sendo uma recente, porém, grande paixão. Tudo graças ao encontro com seu parceiro nos palcos e na vida, o sertanejo Zé da Barca. "Minhas filhas dizem: 'mamãe, a senhora encontrou um anjo da vida''. E ele é mesmo. A minha história mudou completamente depois de conhecê-lo", declara apaixonada.

Com empenho e garra, Nair se dedica ao Clube da Viola e ao coral sertanejo de mesmo nome. Inclusive, o último recebeu, em abril deste ano, pela primeira vez, o prêmio Inezita Barroso, em São Paulo. "Nesse segmento da música raiz, somos o único do tipo no Estado em plena atuação", destaca.

Além de contar sobre a atuação do clube e comentar os projetos futuros que tem para pôr em prática, nesta entrevista, Nair fala mais sobre suas descobertas em relação à música e ao mundo sertanejo. Leia mais:

Arquivo Pessoal
Nair Castro e Zé da Barca na comemoração dos 70 anos dela

Jornal da Cidade - De onde veio a paixão pela música sertaneja?

Nair Castro - Na verdade, a paixão mesmo veio depois de conhecer o Zé da Barca. Ele é meu segundo marido e ele quem me introduziu neste mundo sertanejo. Ele me descobriu e me deixou, e me deixa até hoje, muito à vontade para que eu seguisse. Ele redescobriu características minhas que uso muito hoje.

JC - E como os senhores se conheceram? Quando foi esse encontro?

Nair Castro - Em 2001, estava em um período difícil da minha vida, ainda reclusa e resolvi ir ao Clube da Vovó. Ele me viu entrando e me chamou para dançar. Eu neguei a primeira vez, mas depois dançamos e o que eu posso dizer é que éramos só nós dois no mundo naquele momento. Foi amor à primeira vista mesmo. A gente não acredita que na terceira idade isso possa acontecer, eu mesma não acreditava.

JC - A senhora o pediu em casamento?

Nair Castro - Pois é... moramos juntos durante 10 anos e em 2011 eu o pedi em casamento. Inclusive, casei de vestido vermelho, fui a noiva do ano, em Bauru. Não se deixa escapar um tesouro, isso seria burrice.

JC - No meio desta paixão, quando surge o Clube da Viola na sua vida?

Nair Castro - O Zé havia sido sócio, mas se afastou. E a gente chegou a um ponto que paramos de viajar e curtir. Eu sou muito dinâmica, não aguento ficar parada. Então, dei a ideia de voltarmos a frequentar o Clube da Viola. Na época, tinha um coral com cinco vozes e começamos a participar. Aos poucos eu fui organizando o grupo e, em um certo momento, me convidaram para coordená-lo. A nossa primeira apresentação, já comigo à frente, foi oito anos atrás, em Agudos, na Faag. De lá pra cá, já tivemos 34 componentes. Hoje, contamos com 31 vozes. Já na presidência do clube, eu estou desde 24 de fevereiro deste ano e tenho quatro anos para pôr em prática todos os nossos planos.

JC - Quais são esses planos?

Nair Castro - Temos um projeto para conquistar a nossa sede própria. Além disso, queremos continuar com nosso bazar beneficente, os nossos projetos de arrecadação de lacres para converter em cadeiras de rodas e muletas para doações e o nosso projeto ''Casa de Caboclo', que leva a música sertaneja até a casa de quem gosta e quer ouvir.

Arquivo Pessoal
Regina Antônia Martins Ferreira e Nair Castro felizes com o prêmio Inezita Barroso, conquistado em abril deste ano

JC - Como foi o caminho do coral até chegarem ao prêmio Inezita Barroso, em abril?

Nair Castro - Nós começamos com pequenas apresentações, em escolas, clubes e praças com apoio da prefeitura. Neste tempo, entrei como segunda secretária no Clube da Viola e fiquei como diretora artística. De repente, comecei a receber ligações para ir a outras cidades, estados e até para a Itália que, infelizmente, o coral não pôde ir. Isso tudo foi acontecendo a partir do Portal do Poeta Brasileiro, que nos descobriu por ser o único coral sertanejo no segmento raiz. Acho que já fizemos mais de 400 apresentações, muitos elogios, ofícios de agradecimentos e moções. E o prêmio maior, o Inezita Barroso.

JC - Como foi este momento?

Nair Castro - Foi a nossa glória. Compensou nossos sete anos de trabalho árduo. Foi um prêmio que veio para coroar e todo mundo beijou a nossa placa.

Arquivo Pessoal
No mês passado, Nair Castro também regeu o coral sertanejo na festa junina da Fundato, iniciativa da qual se orgulha muito

JC - Quais são os próximos passos do coral?

Nair Castro - Estamos aguardando o convite que nos fazem todos os anos para ir a Barretos e fomos chamados, ontem, para participar do Festival de Folclore de Olímpia. Esse evento faz cinco anos que por alguns esforços meus conseguimos reaver. Agora levamos o coral e o grupo de catira, que inclusive está repaginado também. Queria formar um novo, para que não se perdesse essa tradição. Fico muito feliz por isso.

JC - E a dupla Zé da Barca e Nair Castro, como surgiu?

Nair Castro - Sem falsa modéstia, minha letra é muito bonita. Então o Zé compunha as músicas dele e me trazia para eu transcrever. Depois, ele ia colocando a melodia e um dia me chamou para eu cantar pra ele. Foi aí que eu comecei a cantar. Comecei a cantar nas apresentações no Greb (Grêmio Recreativo Energético de Bauru) e depois formamos a dupla. Hoje, já temos um CD gravado e fazemos diversas apresentações. Eu também o ajudo nas composições das letras.

JC - A música raiz chegou na sua vida recentemente. Como se explica essa dedicação toda à tradição?

Nair Castro - Bem recentemente. Digamos que dos 17 anos que estou com o Zé, os últimos oito que estou mais inserida neste universo. Não sei, mas realmente é um amor muito grande não só pela música sertaneja, mas pela preservação da cultura. Acho que trouxe isso da minha infância e o Zé acordou isso em mim. Eu nasci em São Paulo, vim bebê para a fazenda em Bauru, mas minha mãe quis voltar para a Capital. Então, completei cinco anos lá. Lembro da minha mãe ouvindo muitas músicas que são um clássico do sertanejo raiz, ela nos levava nas peças de circo do Tonico e Tinoco, por exemplo. Ela preservou nossa cultura, deve ter ficado guardado aqui.

JC - A senhora completou 70 anos neste ano, certo?

Nair Castro - Exatamente. Setenta anos bem vividos. Óbvio que não foi 100% de felicidade. Passei por duas mortes de filhos, morte de mãe, de pai, uma separação, mas com três filhas maravilhosas, que são apaixonadas pelo Zé também, sete netos (sendo seis meninas e um menino) e uma bisneta. E ele teve oito meninos. Formamos uma família muito bonita e muito unida. Sou muito grata por ver todos os filhos dele, as minhas filhas até minhas netas seguindo pelo caminho do bem.

Arquivo Pessoal
Nas duas fileiras de trás (a partir da esquerda), Manfredo Faraguti, Rosinei Nobrega, Valéria Faraguti, Thaina Dorigo, Vanessa Faraguti, Vinicius Faraguti, Natália Louro, Rodrigo Gustavo Lopes, Fernanda da Nóbrega, Breno Deolindo, Bruna Nóbrega e Rosana Nóbrega; na fileira da frente, Rosângela Nóbrega, Nair Castro e Juliana Louro com a pequena Marcela no colo

PERFIL

Nair Castro tem 70 anos e é do signo de Capricórnio

É casada com Zé da Barca. Do primeiro casamento, teve os filhos Rosana, Rosângela, Rosinei, Rosilene (em memória) e Amilton (em memória), além de sete netos

e uma bisneta.

Seus hobbies são assistir

televisão e dirigir, além de

viver para o Clube da Viola.

É eclética na música, mas com preferência para o sertanejo e Roberto Carlos

Dá nota 10 para a vida que tem, para a família e para o Zé da Barca

Da nota 0 para os compositores das músicas atuais que desrespeitam os verdadeiros compositores com músicas vazias

Contato: naircastro1948@gmail.com

 

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