Bairros

Férias lotam espaços públicos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 11 min

Renan Casal
Diego aproveita as férias para passear com o cão Doki pelo Parque Vitória Régia: interação com o bichinho de estimação

Bauru vai muito além do Parque Vitória Régia, cartão postal da cidade e palco de vários eventos voltados para toda a família. Embora existam queixas sobre não ter o que fazer nas horas vagas, o município oferece um leque de opções de lazer e diversão, sem custo algum, que boa parte da população parece desconhecer. E neste período de férias escolares, entreter a garotada durante tanto tempo ocioso é uma equação difícil de ser resolvida. A solução, entretanto, está mais perto do que muitos podem imaginar.

Pais e filhos já aproveitam o recesso para estreitar os laços em locais que, na verdade, são de todos. Um exemplo é o Bosque da Comunidade, que vem registrando maior movimento de crianças brincando no parquinho e mais gente com roupa de caminhada ocupando a pista de exercícios. Nas quadras poliesportivas, como a de basquete da Praça Portugal, é preciso ter paciência até chegar a vez de jogar. No final das contas, sempre vale a pena esperar: diversão garantida.

Renan Casal
As árvores do Vitória Régia são diversão garantida para a pequena Sara nas férias: "Eu gosto por causa da aventura de subir e descer dos galhos"

A reportagem percorreu outros pontos conhecidos da cidade que oferecem áreas de recreação com qualidade e segurança, garantindo à garotada interação com outras crianças, atividade física, contato com a natureza e o desenvolvimento do senso de coletividade. Caso da Praça da Copaíba, na avenida Getúlio Vargas, onde a garotada se diverte em meio aos galhos da árvore histórica ao mesmo tempo em que deslumbra a beleza e sossego do local.

Esportes radicais também ganham espaço. A Bauru Skate Parque é opção para divertimento e interação. Sob supervisão dos pais, muitas crianças arriscam as primeiras manobras na pista, sem se preocuparem com horário para ir embora fazer as atividades escolares.

Por conta da alta procura, o Jardim Botânico e o Zoológico Municipal já realizaram seus sorteios para definir as crianças que poderão participar dos cursos de férias, conforme o JC divulgou. Ainda assim, para os pais que desejam oferecer aos filhos maior contato com a natureza, os dois destinos são opções válidas durante todo o mês de julho.

CÃO NO VITÓRIA 

Dia ensolarado. Nada de cadernos e lápis. Os gêmeos Diego e Sara Baptista, 6 anos, querem mesmo é curtir as férias escolares ao lado do Doki, o cão da raça pug, que é xodó dos irmãos. Com o tempo livre, os pequenos reservaram uma manhã para brincar no Parque Vitória Régia. "Como a gente mora perto, o Vitória é uma boa opção nessa época em que as crianças não vão para a escola. O lugar é lindo e agradável", elogia o pai Adriano Baptista. 

"Aqui é bom porque tem outros cães para brincar", justifica Diego, enquanto sugeria outras alternativas de passeio. "A casa da nossa avó fica num condomínio. Tem mais crianças e as brincadeiras ficam legais". 

As árvores do Parque também são atrativos quando o assunto é se divertir. "Eu gosto por causa da aventura de subir e descer dos galhos", conta a pequena Sara, projetando ir ao shopping e cinema nos próximos dias. "Aproveitar antes que as aulas voltem". 

Áreas públicas são convites para a boa prática de atividades físicas

Especialmente neste mês de férias escolares, as quadras poliesportivas, ciclofaixas e a pista de skate estão entre as fontes de lazer urbano 

Renan Casal
Quadra da Praça Portugal lotada de jovens: reflexo do recesso escolar

Quadras poliesportivas, ciclofaixas e a pista de skate estão entre as fontes de lazer e saúde para quem busca mesclar diversão com qualidade de vida. Os espaços públicos também são convites para a prática de atividades físicas e têm atraído, especialmente neste mês de férias, várias crianças e jovens com disposição de sobra para gastar a energia acumulada. 

É possível verificar maior movimento na quadra de esporte da Praça Portugal pela "fila" de times para jogar futsal. O estudante Rafael Camargo estava entre os jogadores que aguardavam a vez de entrar na disputa. Ele conta que o recesso escolar facilita a sua ida ao local. "Nas férias, tenho mais tempo de vir jogar. Percebo mais gente vindo também".

ESTREIA NA PISTA

Renan Casal
Lucas Grego aproveita o recesso da escola para treinar suas manobras na pista de skate

O pequeno Lucas Oscar Jorge Grego, de 6 anos, tem um motivo a mais para comemorar as férias: conhecer a Bauru Skate Park (BSB). Nessa semana, ele conseguiu, finalmente, fazer a sua estreia no espaço, com direito a manobras nas rampas, deixando orgulhoso o pai Fábio Grego, 39. "Agora, com as férias, fica mais fácil trazê-lo aqui", diz Fábio. 

O skatista mirim garante que não tem medo de cair e até exibe um dos joelhos machucado depois de levar um tombo. "Não pode desistir", banca o garoto, projetando outras atividades para os próximos dias, como soltar pipa e andar de bicicleta.

PEDALANDO

Renan Casal
Gabriel de Arruda, 12 anos, com o pai Edílson na ciclo-faixa da Getúlio Vargas: contemplando as férias com muita disposição

Sem afazeres da escola, Gabriel Barbosa de Arruada, 12 anos, está com mais tempo para praticar o seu esporte preferido: pedalar. Na companhia do pai, o funcionário público municipal Edílson Costa de Arruda, 42, ele esbanjava disposição enquanto percorreria a ciclo-faixa da avenida Getúlio Vargas. "Aqui é um lugar bom pra andar de bike", elogia.

Os dois saíram da Vila Dutra em percurso que durou mais de uma hora. "Ele já fala em visitar os avós paternos em Itapuí, onde a gente aproveita para passear de balsa. Mesmo com essa opção, ele faz questão de levar a bicicleta", revela o pai, em tom descontraído.

Contato com a natureza é programa certo nas férias

Para os pais que desejam explorar o tempo vago dos filhos com atividades que envolvem contato com a natureza, o Jardim Botânico e o Zoológico Municipal são as opções ideais. No Botânico, além da trilha ecológica com percurso no "estilo floresta", o espaço verde do parque, com vista para o lago, proporciona um ambiente bastante convidativo para fazer piqueniques.

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Piquenique no Jardim Botânico: Karina Nicolai (à esq.), com a vizinha Heloísa dos Santos, o sobrinho Victor da Silva, o filho Daniel e o marido Adenilson: contato com a natureza

Esse foi, inclusive, um dos passeios que o encarregado de produção Adenilson Nicolai, 37 anos, incluiu na lista de férias do filho Daniel, de apenas 5 anos. A aventura gastronômica contou ainda com a participação da esposa Karina, do sobrinho Victor, 7 anos, e da vizinha Helena dos Santos, 4 anos. "Aqui é um lugar maravilhoso. O contato com a natureza e o ar puro renovam as energias, ainda mais as dele (filho), que está de férias", destaca Adenilson. 

Sob a sombra de uma árvore, a família estendeu um lençol no gramado, exibindo a "mesa" farta, incluindo um bolo para comemorar o aniversário do pequeno Daniel, que seria no dia seguinte. "Eu gostei muito daqui (Botânico), principalmente do sagui escalando os galhos", aponta o garoto. "Agora, quero ver outros bichos no Zoológico", projetou.

Inclusive, o fluxo de visitantes já é considerado acima da média no Zoológico Municipal, comparado com meses em que as crianças estão cumprindo o calendário escolar. Ver de perto animais exóticos como o leão, o tigre, os cangurus e o camelo desperta interesse da maioria da garotada, que busca espaços de diversão e lazer nesta época de recesso.

Exemplo dos irmãos Ana Beatriz e João Henrique Leite Serrador, de 4 e 6 anos, respectivamente. A mãe deles, a dona de casa Ana Paula Almeida Serrador, 32, já traçou um roteiro de férias para os filhos, que começou pelo Zoológico.

Ela aproveitou para incluir no passeio a sobrinha Stephany Renata de Souza Teixeira, 8 anos, e a sogra Laura de Souza Mariano Firmino, 71 anos: família reunida. "Minha mãe teve a ideia de vir no Zoo. Gostei muito dos macaquinhos e do leão. Quero ver os peixes antes de ir embora", lembrou João Henrique.

'Crianças que brincam livremente aprendem mais', afirma especialista

Frase é da pedagoga e vice-diretora da Faculdade de Ciências da Unesp, Vera Capellini, sobre estudo acadêmico que aborda o tema

Fotos: Renan Casal
Sob a supervisão do pai Paulo Roberto, a pequena Giovana Gobeti, 5 anos, se diverte na ponte de madeira do Bosque da Comunidade

Cada vez mais induzidas por conta do cronograma imposto pelas instituições de ensino, as atividades de lazer, quando realizadas em espaços públicos, colaboram para gerar um divertimento espontâneo durante as férias escolares, aponta a pedagoga e vice-presidente da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, Vera Capellini.

"O modelo de educação mais comum, ainda nos dias atuais, é aquele que valoriza as atividades escolares e extra curriculares, por sobremaneira as atividades dirigidas. Não que isso não seja importante, mas um estudo de Denize Poças apontou que as crianças que brincavam livremente aprendiam mais do que as com brincadeiras dirigidas".

A especialista destaca que as brincadeiras livres, principalmente na primeira infância, são fundamentais para o desenvolvimento tanto da criatividade quanto da imaginação. "Alguns estudos apontam que as crianças, quando não têm espaços para brincar livremente, estão sendo podadas ou não potencializadas em sua criatividade", alerta.

Capellini diz que a supervisão dos pais é fundamental. "Porém, podemos supervisionar brincando junto, sem dirigir o tempo todo e oportunizando materiais para que as crianças explorem diferentes elementos da natureza. Os pais devem observar, ouvir e ter paciência, para que os filhos explorem os espaços e ambientes de forma espontânea", finaliza.

PARQUINHO

É justamente com essa liberdade de escolha, citada pela pedagoga, que Giovana Gobeti, 5 anos, se divertia nos brinquedos do parquinho do Bosque da Comunidade (quadra 29 da rua Araújo Leite). Mesmo estando sob a supervisão do pai, o engenheiro civil Paulo Roberto, 39 anos, a pequena explorava, livremente, cada opção do playground. 

Renan Casal
Leandra Ferreira caminha quase todos os dias no Bosque da Comunidade e afirma: movimento já é maior por conta das férias escolares

"Gostei daqui porque tem parquinho e é legal", exaltou Giovana, enquanto corria de um lado para o outro na ponte de madeira, com sorriso largo no rosto. "A gente mora em São Paulo e viemos passar uns dias na minha mãe. As opções de espaços públicos, em Bauru, são melhores do que na Capital para passar as férias. Aqui, as praças são bem cuidadas", elogia Paulo.

O Bosque já registra movimento maior de pessoas com roupas de caminhada. Caso da secretária Leandra Tentor Batalha Ferreira, 43 anos. Ela, que frequenta o local praticamente todos os dias, notou que o espaço tem lotado mais por conta do recesso escolar. "A gente vê mais crianças com os pais brincando".

Diversão na árvore

Renan Casal
Patrícia Simão com o neto Thiago Henrique: sossego na Praça da Copaíba

Renan Casal
Férias e reunião em família na Praça da Copaíba: Mário Vissotto com as filhas Helena (à esq.), de 6 anos, e Catharina, 11 anos

Está acirrada a disputa por um cantinho na Praça da Copaíba (avenida Getúlio Vargas) em razão das férias. Opção escolhida pelas irmãs Catharina e Helena Vissotto, de 11 e 6 anos, respectivamente. "A gente mora num condomínio aqui perto. Lá, tem área de lazer, mas aqui é perfeito para se divertir. Um lugar muito bonito", justifica o pai Mário Vissotto.

"Gosto de brincar na árvore. Assim, meu pai faz exercício e emagrece", zomba Catharina. "Férias é legal porque sobra mais tempo para brincar com meus pais", acrescenta Helena.

Também na Copaíba, a gerente de vendas Patrícia Simão passeava com o neto Thiago, de apenas 1 ano e meio. "Ele fica no berçário. Nas férias, portanto, ele tem mais disponibilidade para sair e brincar em áreas públicas", observa.

'100% dos eventos são realizados ao ar livre', constata recreadora

A recreadora Carolina Moraes Santos revela que o tipo de atividade contratada pelos clientes muda nas férias. "São menos aniversários e mais tardes de brincadeiras. 100% dos eventos são ao ar livre", destaca, reforçando que há, de fato, maior procura por espaços públicos durante o recesso escolar.

Segundo Carolina Santos, as brincadeiras mais conhecidas, como pula-corda, esconde-esconde, pega-pega e batata quente, por exemplo, ainda fazem parte do roteiro das novas gerações. "A gente percebe que as crianças aprendem essas formas de recreação na escola, que acaba promovendo um resgate das brincadeiras mais antigas", finaliza.

Diversão comum durante as férias, empinar pipa tem gerado disputas pelos céus de Bauru. Entretanto, é preciso ter cuidado para que a diversão não acabe em tragédia, como a ocorrida recentemente. Conforme o JC divulgou, um menino de 7 anos morreu após ser atropelado enquanto atravessava a avenida Elias Miguel Maluf, para tentar recuperar uma pipa.

Vale lembrar, ainda, que é proibido usar cerol, linha chilena ou qualquer outro material cortante. A reportagem se deparou com um bom exemplo nesta semana: dois irmãos empinando pipa próximo ao Bosque do Geisel, com linha comum. "Nunca usamos cortante, pois é muito perigoso. Pode gerar acidentes e até matar", disse um deles.

Reca Meleca/Divulgação
Jogos e brincadeiras antigas não saem de moda quando a ordem é se divertir a valer 

 

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