Angela Ro Ro esteve no "Conversa com Bial", melhor programa da TV aberta. Estigmatizada por escândalos - e os maiores, segundo ela, sequer conhecidos do grande público -, a mulher de vida desregrada falou sobre seu momento de apego à vida. E, claro, de música. Cantou "Portal do Amor", uma canção de seu álbum mais recente, "Selvagem" (2017). E que levou, nas suas palavras, décadas para ficar pronta. É uma música relativamente simples, começa em inglês, segue em português, tem uma levada blues.
Mas o amor de gente mais vivida é sempre diferente e há, ali, uma contundência verdadeira. Depois de muitos exageros com álcool, Angela toca seu destino com a certeza dos sóbrios. E com seu humor típico. "Larguei tudo. Continuei compulsiva com música e mulheres".
Angela tem 68 anos. Já Paulo Miklos, ex-Titãs, tem 59. Não sei se os dois se conhecem, mas formariam uma boa dupla. Miklos largou drogas e bebida, também amou, também sofreu, também ganhou, também perdeu. Inclusive a mulher, Raquel Salém, por câncer, em 2013, após união de três décadas. Miklos, assim como Angela, segue em trabalho de divulgação de novo disco, igualmente lançado no ano passado, "A Gente Mora no Agora". Uma das canções é fruto maduro de sensível parceria com Guilherme Arantes: "Estou Pronto".
Guilherme que, aos 64 anos, casado desde 2016 com Márcia Gonzalez, também está de trabalho novo, "Flores e Cores". Ele, que acumula perdas e ganhos, canta o encanto de forma direta e luminosa - como na faixa "Chama de Um Grande Amor".
Aos 50 anos, Paulinho Moska (caçula, portanto, dessa turma citada) não ignora o mais nobre dos sentimentos ao apresentar, agora, sua nova criação: "Minha Lágrima Salta". Mas se a música de Moska canta a saudade de alguém, Erasmo Carlos, 77, enaltece a presença da amada, Fernanda Passos, em "Amor é Isso" - romântico disco que acaba de lançar.
Todo domingo, Erasmo enviava uma poesia nova para a namorada, com quem divide sonhos e conquistas há dois anos e pouco. Do total de 111 poemas, retirou a inspiração para montar o repertório atual. Chamou uns parças de composição e o resultado é suavidade que parece nascida para virar eterna. O amor dos mais vividos é isso: uma canção sem fim.