Nacional

1.º cão resgatado não consegue um lar e vira mascote de ONG

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Lobinho é o pioneiro da Arca da Fé; mesmo com seu jeito carinhoso, não conseguiu um novo lar

Depois de um bocejo preguiçoso, Lobinho recebe os visitantes. Não parece se incomodar com os cliques da câmera. Pelo contrário. Sorridente, ele posa para fotos da reportagem, ainda sobre o montinho de areia usado como refúgio para descansar. É de se estranhar que o primeiro cãozinho resgatado pela ONG Arca da Fé Resgate Animal nunca tenha encontrado um lar.

Há dois anos sob os cuidados da entidade, o cão sem raça definida - e que tem idade estimada de pouco mais de 2 anos - já esteve em mais de dez feiras de adoção. Ao contrário de seus amiguinhos, sempre voltou para o abrigo porque ninguém se interessou em levá-lo para casa.

O "patinho feio" da entidade, na verdade, nada tem de feioso. Simpatia e companheirismo estão entre as suas principais qualidades. "Ele adora brincar e, ao mesmo tempo, é bem preguiçoso. Dorme o tempo todo. Também é conhecido entre a gente como soneca. Ele vê alguém trabalhando em algum canto e vai pra lá. Fica do lado, fazendo companhia, mas acaba deitando no chão e dormindo", descreve a presidente da entidade, Vanessa Araújo, em tom descontraído. 

PIONEIRO

Ela conta que Lobinho é pioneiro do abrigo, que, atualmente, oferece estadia e cuidados para mais de 500 animais, entre cães, gatos, cabras, cavalos. "Ele foi o primeiro que recolhemos das ruas e acabou ficando. É o nosso mascote", elogia a ativista, que não encontrou, até o momento, uma tese para explicar por que o cãozinho não ganhou um lar.

"Não tem explicação. Ele é um cachorro com um porte físico legal, nem grande e nem pequeno. As pessoas procuram bastante cães com esse perfil", observa.

Para Vanessa, o animal sente a rejeição. "Geralmente, levamos cinco cães para as feiras. O Lobinho já participou de grandes feiras e nada. Ele vê todos os outros indo embora e ele não. Eu acredito que os bichos entendem essa situação. É muito triste para o animal ser rejeitado", lamenta. 

'DESTINO'

Será sorte permanecer no abrigo? "Acho que é algo de destino. Ele foi o primeiro a chegar e, por isso, deve ficar por aqui mesmo. Se aparecer alguém para adotar, agora, é de se pensar nessa possibilidade, pois ele pode sentir muito se deixar esse ambiente. A gente vê animais que perdem o dono e entram em depressão", preocupa-se.

Ficando onde está ou partindo, uma coisa é certa: quem tiver Lobinho ao seu lado será facilmente contagiado por seu jeitão leve e despretensioso de levar a vida.

E O SNOOPY?

Resgatado pela ONG Arca da Fé no início do mês, o cão Snoopy segue se recuperando em uma clínica, pois apresentou sinais de depressão. O cachorro havia ficado sozinho sob o viaduto da Rodrigues Alves com a rodovia Marechal Rondon, após sua dona ter sido assassinada, conforme o JC noticiou. Presidente da entidade, Vanessa Araújo explica que, por enquanto, Snoppy não será colocado para adoção. "Ele se isola bastante, fica olhado para o nada e tem dificuldade de se alimentar. Vamos esperar o processo de reabilitação antes de tentar arrumar um lar pra ele", finaliza.

SERVIÇO

Qualquer ajuda ou informações sobre animais desaparecidos ou em situação de rua podem ser enviadas para a ONG no Facebook (https://www.facebook.com/ongarcadafe) ou pelo telefone (14) 99746-4057.

Comentários

Comentários