| Douglas Reis |
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| Gleice Keli com o filho Gabriel Vitor, que tem bronquite alérgica, na UPA do Geisel: tempo seco agrava ainda mais quadro de saúde |
O tempo seco faz aumentar a demanda nas unidades de saúde de Bauru. No atual período de estiagem, mais de 1.600 pessoas, em média, procuram assistência médica por dia, segundo o Departamento de Urgência e Emergência (DUE). O número é 24% superior aos meses menos secos, embora exista grande variação entre as unidades. A UPA do Jardim Bela Vista, por exemplo, registra cerca de 5 mil atendimentos mensais a mais do que em períodos considerados normais (veja os números no quadro).
Mas, infelizmente, não há expectativa de alívio para os bauruenses. Não chove na cidade há 42 dias e o tempo deve seguir seco até pelo menos no início do mês que vem, embora haja previsão de chuva inferior a um milímetro para hoje e uma leve queda de temperatura, chegando a 14 graus de mínima, informa o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) da Unesp.
Por conta da estiagem estendida, a umidade relativa do ar em julho chegou a índices considerados de atenção, entre 20% e 30%. No último dia 12, o percentual caiu para 17,6%, já classificado como estado de alerta. O cenário é ideal para agravar as doenças respiratórias, frisa o diretor do DUE, o médico Rafael Arruda Alves.
CONSEQUÊNCIAS
Por conta da falta de chuva, a mucosa fica desidratada e desprotegida, suscetível a infecções, ou seja, os vírus e bactérias passam a agredir o sistema respiratório, enfraquecendo as defesas do corpo humano. "O tempo seco e o frio levam às mesmas consequências. Por isso, cresceu a procura por atendimento nas unidades de saúde, de pessoas com gripe, febre, coriza e mal-estar", detalha o médico.
Caso do pequeno Gabriel Vitor, de apenas 1 ano. Segundo a mãe, a dona de casa Gleice Keli Rosane de Oliveira Godoi, 29 anos, ele sofre de bronquite alérgica e o quadro de saúde tem se agravado em razão do tempo seco. Ontem, inclusive, mãe e filho esperavam por atendimento médico na UPA do Geisel. "Ele está com muita tosse e, de tanto tossir, acaba vomitando. Nem mesmo as inalações têm resolvido de tão seco que o tempo está. Estamos torcendo para que venha uma chuva boa para umedecer um pouco o tempo. Ninguém está resistindo a essa secura toda. Tenho muitos conhecidos vivendo esse mesmo drama", conta ela.
O diretor do DUE estima que o alto índice de atendimentos nas unidades de saúde persista até a primeira quinzena de agosto, pelo menos. Diante desse quadro, o médico recomenda alguns cuidados básicos para evitar o contágio do vírus da gripe, entre eles manter-se hidratado e lavar com frequência as mãos, principalmente se alguém esteve em lugares públicos.
SEM CHUVAS
A estiagem já perdura por 42 dias em Bauru, uma vez que a última chuva ocorreu em 13 de junho. E, para os próximos dias, o cenário não é animador. Embora haja previsão de chuva inferior a um milímetro para hoje e uma leve queda de temperatura, chegando a 14 graus de mínima (resultados de uma frente fria que passa pelo litoral do Estado), a secura permanece na cidade.
"O tempo vai continuar seco. O mês de julho, inclusive, deve terminar sem registro de chuvas. Porém, por conta da nebulosidade dos próximos dias gerada pela frente fria, a umidade relativa do ar vai melhorar um pouco. Fica na casa dos 30% ou 40% no decorrer da semana", aponta a meteorologista Zildene Pedrosa, do IPMet.
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Paciência
O aumento na procura por atendimento médico nas unidades de saúde no período de seca exige mais paciência dos que aguardam consulta. Neste caso, a espera aumenta em cerca de uma hora e meia e pode levar até três horas, segundo o diretor do DUE, o médico Rafael Arruda Alves.
Essa avaliação leva em conta pacientes que recebem, na triagem, a cor azul, cuja classificação de risco é indicativa para casos não urgentes, com orientação para atendimento nas unidades básicas de saúde. Ou seja, em tese, nem precisariam estar em uma unidade de urgência e emergência.
A partir dessa classificação, a cor verde prevê um pouco de urgência; a amarela, urgência e a vermelha, emergência.
Água: risco no abastecimento
As comportas da lagoa de captação do Rio Batalha estão fechadas em razão da estiagem há quase 80 dias. A medida foi adotada para manter o nível do reservatório dentro do patamar ideal, ou seja, em três metros de altura. Ocorre que, se até o final do mês não chover consideravelmente, o nível deve cair e impactar na captação.
A informação foi confirmada pelo próprio DAE. De acordo com a autarquia, caso o nível fique inferior a 2,70 metros será preciso reduzir o volume de captação. Em condições normais, a Estação de Tratamento de Água (ETA) no Rio Batalha produz 550 litros de água por segundo. A última vez que o nível da lagoa de captação ficou abaixo dos três metros foi em outubro do ano passado, chegando a 2,80 metros.
Na ocasião, houve redução na captação, mas sem racionamento, sendo que a estiagem não foi antecipada e nem tão severa em 2017 como neste ano. Aproximadamente, 38% da zona urbana de Bauru é abastecida pelo Rio Batalha, contemplando as regiões Centro, Sul, Oeste e Sudoeste, em bairros como Jardim Ouro Verde, Independência, Vila Falcão, Vila Industrial, Altos da Cidade, Jardim Estoril, Jardim América, Vila Dutra e parte do Bela Vista, entre outros.

