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A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, nessa quarta-feira (25), mais quatro mortes por gripe A, o que levou a cidade a uma realidade ainda mais preocupante. Com os novos registros, Bauru bateu o recorde histórico de óbitos pela doença.
Em 2018, antes mesmo de o inverno terminar, já são 14 mortes confirmadas, o maior número de vítimas fatais em um mesmo ano desde 2009, quando a presença do vírus foi detectada pela primeira vez no mundo (veja quadro ao lado). Neste ano, até o momento, foram contabilizados 37 casos de gripe A, sendo 30 do subtipo H1N1, cinco de H3N2 e dois de Influenza A não subtipado. Destes, são 12 óbitos por H1N1 e dois por Influenza A não subtipado.
| Malavolta Jr. |
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| Mário Ramos, diretor do Departamento de Saúde Coletiva |
Segundo Mário Ramos, diretor do Departamento de Saúde Coletiva da prefeitura, a gripe A não é subtipada quando apenas o teste rápido é realizado para confirmar o diagnóstico de Influenza, sem a coleta de amostra de material biológico para encaminhamento ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, que possui laboratório habilitado para fazer este tipo de análise. Ramos diz que isso pode ocorrer, por exemplo, quando o caso evolui para óbito muito rapidamente.
"É importante salientar que o número elevado de casos e mortes não é uma exclusividade de Bauru. No Brasil, são mais de 4,6 casos de Influenza e 839 óbitos. E, assim como na cidade, no País o tipo H1N1 registra uma letalidade muito maior. Há casos, inclusive, que podem levar à morte rapidamente a partir do início dos sintomas", diz.
Médico infectologista do Hospital Estadual (HE), Taylor Toscano Olivo explica que a gripe A vem apresentando comportamento cíclico, com picos de casos e mortes registrados em 2009, 2013, 2016 e agora, em 2018. No ano passado, por exemplo, não houve qualquer registro da doença em Bauru.
"Por conta das pequenas mutações que o vírus sofre, ele tem esta capacidade de se tornar mais ou menos agressivo ao longo do tempo. É algo habitual. No Hemisfério Norte, no início do ano, nós já tivemos uma temporada um pouco mais intensa, como não se via", analisa.
VACINA
A cobertura vacinal também é fator fundamental para o controle do número de casos e mortes. A campanha de 2018, segundo Mário Ramos, alcançou índice de 90%, mas entre crianças e gestantes, que integram o grupo de risco, a cobertura ficou em cerca de 80% da meta. "A maioria dos óbitos foram de pessoas que não tomaram vacina, o que denota a importância da imunização", esclarece.
De acordo com Taylor Olivo, entre pessoas jovens e saudáveis, a eficiência da vacina chega a 80%, o que explica a possibilidade de alguns indivíduos contraírem a doença mesmo depois da imunização. "Também é preciso considerar o tempo de resposta depois de aplicada a dose, que é de 10 a 15 dias. Mas é importante destacar que a vacina, em si, é incapaz de provocar gripe ou sintomas parecidos, porque não é feita de vírus vivo atenuado e sim de fragmentos", acrescenta.
As pessoas mais suscetíveis a ter o quadro agravado são as não vacinadas e que pertencem ao grupo de risco, como crianças de até cinco anos, idosos e portadores de doenças crônicas. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as vítimas que morreram por gripe A neste ano têm, em média, mais de 50 anos de idade e apresentam comorbidades, como doença cardiovascular, diabetes, pneumopatia crônica, obesidade, doença cognitiva e neoplasia.
"Normalmente, quando a pessoa possui problema de saúde, a doença de base descompensa pela ação do vírus. O risco é aumentado principalmente para quem tem doença cardiovascular ou pulmonar", detalha o infectologista.
Tempo seco
O inverno é a época do ano em que mais casos de gripe são registrados porque, neste período, as pessoas tendem a ficar mais tempo confinadas e agrupadas, o que favorece a transmissão do vírus, e também em razão do tempo seco. Em Bauru, já são 43 dias sem chuva e, segundo o infectologista Taylor Olivo, a falta de umidade no ar provoca lesões nas vias respiratórias, fazendo com que sua proteção natural não funcione adequadamente. "Os cílios que existem dentro do nariz perdem eficiência. Por isso, a recomendação é ingerir bastante água e hidratar as narinas de três a quatro vezes por dia com soro fisiológico", recomenda.
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2ª DOSE
A Secretaria Municipal de Saúde informa que, de acordo com normas do Ministério da Saúde, tem direito a tomar a segunda dose da vacina contra Influenza as crianças com idades de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias e que tenham tomado a vacina pela primeira vez neste ano dentro da campanha - ou seja, que nunca receberam a vacinação anteriormente. O intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias.
As crianças de 5 anos a 8 anos, 11 meses e 29 dias, com comorbidades e que tenham tomado a vacina pela primeira vez neste ano dentro da campanha terão direito à segunda dose com intervalo mínimo de 30 dias. As gestantes podem tomar a dose única da vacina durante todo o ano, de acordo com o Programa Nacional de Imunização, independentemente da idade gestacional.

