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Rio Lençóis tem menor vazão em trinta anos

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Rio Lençóis apresenta déficit de 275 milímetros com estiagem, segundo Comitê Gestor da Bacia

O sistema de monitoramento da bacia do rio Lençóis implantado e acompanhado desde o final de 2016 pelo Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do Rio Lençóis (CGBH-RL) aponta para um problema contrário ao habitual de excessos de chuvas. Após o plano para solucionar enchentes, a bacia do rio Lençóis marca menor vazão dos últimos 30 anos com a estiagem que já dura 44 dias. No entanto, a prefeitura afirma que, por enquanto, a diminuição não oferece riscos ao abastecimento de água na cidade.

De acordo com o Conselho Técnico da CGBH-RL, o sistema de monitoramento das variáveis na bacia do rio Lençóis tem detectado um déficit de 275 milímetros. "A vazão ambiental do rio Lençóis, no final da bacia hidrográfica, está oscilando na casa dos 14%, considerado muito baixo para a vazão nominal do rio Lençóis, que é de 40.000 metros cúbicos por hora, e em épocas de grande pluviosidade chega drenar 200.000 metros cúbicos por hora, em alta carga de drenagem. No dia 21 de julho de 2018, foi registrado a menor vazão dos últimos 30 anos na bacia do rio Lençóis, chegando a 11% do volume nominal", explica Sidney Aguiar, Presidente do Conselho Técnico do CGBH-RL. Esse déficit pluviométrico superou os índices da década de 1980 e 2014, quando tivemos dois registros moderados de secas na bacia do rio Lençóis.

Ainda segundo o Conselho, os municípios de Agudos e Borebi são os mais atingidos pela falta de recarga da bacia hidrográfica. Sendo que alguns pequenos afluentes secundários nos dois municípios estão praticamente sem água. O que está mantendo a vazão ambiental de segurança do rio Lençóis são os ribeirões Faxinal, Prata, Barra Grande e Fartura em Lençóis Paulista e o Ribeirão Paraíso de São Manuel.

MONITORAMENTO

O Comitê Gestor da Bacia do Rio Lençóis está monitorando diariamente esse problema e já emitiu recomendações técnicas às empresas da bacia hidrográfica para redobrarem a atenção com os lançamentos de efluentes tratados apenas por cautela.

De acordo com o Conselho Técnico, se o rio estiver com a vazão ambiental muito aquém de sua capacidade de depuração, em decorrência da diminuição de oxigênio dissolvido na água, pode acarretar eventuais distúrbios ambientais.

Sob Controle

Segundo o prefeito de Lençóis Paulista e presidente do CGBH-RL, Anderson Prado (PSB), o sistema de abastecimento de água de Lençóis Paulista está sob controle já que os estoques de água bruta estão sendo monitorados e, até o momento, não oferece riscos. "No presente momento, Lençóis não está à mercê de uma crise hídrica. Haja vista que nossa cidade é abastecida por poços profundos diretamente das águas do Aquífero Guarani na ordem de 50%, a outra metade é coletada através do Rio Lençóis que, embora esteja com uma vazão baixa, ainda está comportando a retirada da água com tranquilidade", afirma Prado.

Ainda segundo ele, recentemente, foi liberada a operação de mais um poço profundo que está contribuindo para o abastecimento da linha hídrica que vai do Itamaraty até o Caju. O prefeito ainda destaca, diante de uma estiagem como essa, a necessidade da precaução e uso consciente de água por parte dos moradores.

"Se a estiagem progredir, nós vamos precisar armazenar água em nossas represas e cadeias de custódia que geralmente são utilizadas em épocas de bastante chuva. Temos planos, mas não vemos como uma dificuldade para um horizonte tão próximo", conclui.

 

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