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Entrevista da semana: Jaqueline Yumi Seki

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 6 min

Em busca da ressonância infinita

Este é o significado do grupo de taiko Muguenkyo Bauru Wadaiko, que fez com que a jovem descobrisse a sua paixão pela cultura japonesa

Fotos: Arquivo Pessoal
Além de ser apaixonada pelo taiko, Jaqueline gosta de dançar

O jeito é de menina, mas a vivência, de mulher. Aos 28 anos, Jaqueline Yumi Seki já dançou em Bauru, tocou taiko no Japão e estudou nos EUA. Sempre em busca de crescimento pessoal, a jovem relata que esta manifestação artística japonesa a ensinou a superar os percalços da vida.

Em 2014, Jaqueline passou seis meses nos EUA

Jaqueline fez parte da primeira formação do grupo de taiko Muguenkyo Bauru Wadaiko, que, neste mês, completa 15 anos. O nome significa, em português, ressonância infinita.

"Nós pensamos que, através das batidas do taiko, transmitimos, além do som, a harmonia, a amizade, a alegria, enfim, tudo o que passamos em cima do palco. O objetivo é fazer com que isto se perpetue, assim como esta manifestação artística", explica a jovem. Abaixo, ela fala sobre as suas experiências dentro e fora do País.

Jornal da Cidade - Você nasceu e foi criada em Bauru?

Jaqueline Yumi Seki - Sim. Nasci em Bauru, no dia 8 de junho. Fui criada em uma casa do Jardim Pagani, de onde minha família não mais saiu. Sou a filha do meio e a minha infância foi marcada pela presença da minha mãe, inicialmente. Depois, ela começou a trabalhar na fazenda do meu pai, que planta verduras. Logo, o meu irmão mais velho cuidava de mim, além da minha avó paterna, Yoneko Seki. Mas era o meu irmão que me levava para a escola - eu ia sentada no guidão da bicicleta dele. O quintal da minha avó era enorme e a gente brincava de tudo um pouco.

JC - Como a dança entrou em sua vida?

Sonia Setsuko Hokama Seki, Poko Chan (cachorra), Jaqueline Yumi Seki, Jorge Henrique Yuiti Seki, George Stsuo Seki e Julia Yukie Seki

Jaqueline - Minha mãe sempre quis que eu fizesse balé - chegou até a comprar as roupas. Nunca dei bola. Quando tinha 10 anos, por influência de duas amigas, comecei a fazer aula de dança no Teatro Municipal, em Bauru. Era balé, jazz e street jazz todos os dias. Cresci e integrei a Cia. Nós da Dança, em Bauru, sob a direção da Ana Karina Cruz.

JC - E o taiko?

Entre 2007 e 2010, Jaqueline integrou grupo de taiko no Japão

Jaqueline - Aos 13 anos, assisti à apresentação do Japan Marvelous, do Japão, no Nipo, durante um evento cultural chamado Bunkasai. Estava tão empolgada que fiquei em frente aos artistas, esperando que alguém me chamasse para tocar, mas ninguém o fez. Passado algum tempo, a administração do Nipo chamou Yokihisa Oda, que liderava o grupo, para ministrar um workshop de taiko. Virou uma febre e criou-se o Muguenkyo Bauru Wadaiko, o grupo de taiko bauruense.

JC - Qual é o significado deste nome?

Arquivo Pessoal
Jaqueline estudou inglês na West Virginia University

Jaqueline - Ele quer dizer ressonância infinita, ou seja, nós pensamos que, através das batidas do taiko, transmitimos, além do som, a harmonia, a amizade, a alegria, enfim, tudo o que passamos em cima do palco. O objetivo é fazer com que isto se perpetue, assim como esta manifestação artística.

JC - Então, você fez parte da primeira formação do grupo bauruense?

Jaqueline - Sim. Em 2005, nós começamos a participar do Festival Kawasuji, que abrigava grupos do Brasil inteiro, além do grupo liderado por Yokihisa Oda, do Japão - inclusive, estes profissionais dão workshop durante o evento. No ano seguinte, fomos ao mesmo encontro, que se deu em Londrina, no Paraná. Na ocasião, Oda me convidou para tocar no grupo dele, no Japão. Nunca imaginei que seria chamada, parecia um sonho. Porém, eu não havia terminado o ensino médio e estava receosa em parar de estudar. Conversei com os meus pais, que disseram para eu ir imediatamente, se era o que, de fato, queria. Em julho de 2007, eu já estava no Japão.

JC - Qual foi a primeira impressão que teve, assim que chegou ao Japão?

Jaqueline - Logo que abri a porta do aeroporto, em Fukuoka, na Ilha de Kyushu, senti muito calor, afinal, o verão do Japão é quente e úmido. Oda foi me buscar, porque o restante do grupo estava se apresentando. O único problema era que ele só falava japonês e eu, não. Porém, a professora Miyuki Hosoi também foi me receber - ela deu aula de taiko no Brasil e, portanto, falava português. Ao chegar à academia do Oda, me instalei no alojamento, que ficava na parte de cima do imóvel. Com o passar do tempo, acabei aprendendo a falar japonês, afinal, convivia com a língua 24 horas por dia.

JC - Ficou quanto tempo no Japão?

Jaqueline - Eu morei no Japão de 2007 a 2010. Nesta época, tive uma experiência fantástica, já que é um país de primeiro mundo, onde tudo funciona: as pessoas são educadas e as ruas limpas e seguras. Por outro lado, os japoneses não têm o calor humano dos brasileiros. Resolvi voltar.

Arquivo Pessoal
Jaqueline em meio às sakuras - flores de cerejeiras - no Japão

JC - O que fez quando voltou?

Jaqueline - Fiz supletivo e terminei o ensino médio. Depois, estudei em um curso preparatório e passei no vestibular para educação física, na Unesp, em Bauru mesmo. Em 2014, tranquei a graduação e optei por fazer um intercâmbio na West Virginia University, nos EUA, onde fiquei por seis meses.

JC - Como foi a experiência em terras americanas?

Jaqueline - Assim que cheguei, constatei que tudo, no Japão, é melhor, mas o que me chamou bastante atenção foi a qualidade do ensino e a infraestrutura da universidade. Consegui melhorar o inglês e voltei para casa.

JC - Neste meio tempo, deixou a dança e o taiko de lado?

Jaqueline - Sim. Só em 2010 que eu vim ajudar o Muguenkyo Bauru Wadaiko a se reerguer. Costumávamos chamá-lo, também, de oniguri, que é bolinho de arroz japonês - a junção de cada grão faz com que sejamos mais fortes. Em 2017, logo que me formei, surgiu uma oportunidade de trabalhar em uma multinacional, em São Paulo, como intérprete - é uma empresa chinesa, mas os designers são japoneses. Concomitantemente, comecei a estudar direito, na FMU. Saí da empresa, mas continuo estudando na Capital. Como estou em férias, vim dar uma força para o pessoal do taiko, em Bauru. Sempre que posso, eu o faço.

JC - Após passar por todas estas experiências, você se considera uma pessoa feliz?

Jaqueline - Definitivamente, porque eu tenho saúde e uma família que me apoia em tudo o que faço. 

PERFIL

Nome: Jaqueline Yumi Seki

Idade: 28 anos

Pais: George Setsuo Seki e Sonia Setsuko Seki

Irmãos: Jorge Henrique Yuiti Seki, de 31 anos, e Julia Yukie Seki, de 21

Time: São Paulo, porque fui ensinada a torcer para este clube

Filmes: ação e comédia

Livro: O Caçador de Pipas

Signo: gêmeos

Para quem dá nota 0: aos políticos brasileiros

Para quem dá nota 10: aos meus antepassados

Hobby: taiko, dança e esportes radicais

Contato: sekijaqueline@gmail.com.

Facebook: Muguenkyo Bauru Wadaiko.

Instagram: muguenkyo_bauru.

 

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