Quando as pessoas me perguntam de onde eu sou, eu dou sempre aquela brecada, tipo.... será que elas vão ter paciência para ouvir uma longa história?
Então eu digo logo que sou de Bauru, cidade onde eu não nasci, mas onde passei uma adolescência aos trancos com o establishment - e todo mundo sabe disso - e me forjei a ferro e fogo, e me provei forte, capaz de ser fiel a mim mesma, cidade onde fiz amizades profundas, onde amei e vivi muito, que recebeu e multiplicou minha arte, meu sacerdócio no mundo.
Cidade que acolheu meus pais de braços abertos, que foi o fermento de prosperidade artística de minha mãe, hoje é porto seguro da minha saudade, cantada em rock'n roll como tão bem lhe cabe, como lhe cabe um samba nostálgico.
Cidade de grandes personagens, de grandes calhordas também, por que não?, se não há contra o que lutar de que vale uma existência?
Mas é uma cidade que tenho no coração, povoada de pessoas queridas e lutando para se preservar entre os escombros de uma modernidade mal planejada, uma natureza agredida que muitas vezes mostra a força de sua revolta, de gente batalhadora que merece mais diversão, por que não?
Enfim, dos lugares que passei, e foram muitos nessa vida, Bauru é a cidade que sinto que posso chamar de minha, que faz aniversário e a quem sou grata e desejo um futuro melhor, bem melhor.
Parabéns, Bauru!