| Aceituno Jr. |
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| Luciano Olavo da Silva acredita em menos abstenção e votos brancos e nulos neste ano |
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta semana o perfil do eleitorado brasileiro neste ano, quando a população vai escolher presidente, governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais. No Brasil, são mais de 147 milhões de eleitores aptos a votar em 7 de outubro deste ano e em Bauru o número de eleitores é de 268.824, um crescimento de 10.430 pessoas na comparação com a última eleição presidencial, em 2014, ou seja, um aumento de 4% neste período. Na época, foram 258.394 eleitores na cidade.
Em 2016, na última eleição municipal, eram 263.506 eleitores, o que mostra um crescimento de aproximadamente 2.600 pessoas aptas a votar por ano. A eleição deste ano pode ter uma participação maior de jovens entre 16 e 17 anos, que tem voto facultativo. Em 2014, eram 893 eleitores de Bauru nesta faixa etária, e neste ano são 1.739, portanto, o eleitorado mais jovem praticamente dobrou na cidade. Antes, representavam 0,3% do eleitorado e agora são 0,6% do total. Já o público entre 18 e 24 anos manteve-se estável, e de 25 a 34 anos reduziu. Os eleitores entre 35 e 59 anos aumentou. Estes dois últimos grupos seguem respondendo pela maior parte do eleitorado.
Já os mais velhos também cresceram, acompanhando o momento demográfico do País, que vem ganhando cada vez mais idosos. Os eleitores com mais de 60 anos somavam 52.226 pessoas há quatro anos, e agora já chegam a 60.722 pessoas, um crescimento de mais de 16%. A participação dos idosos no eleitorado de Bauru passou de 20% para 22% do total. Se considerados apenas os eleitores com mais de 70 anos, que tem voto facultativo, o número passou de 24.785 pessoas para 29.066, crescimento de mais de 17% em apenas quatro anos.
As mulheres continuam em maior número, e representam 53,2% dos eleitores, com 143.084 mulheres, e 125.040 homens neste ano. Em 2014, as eleitoras eram 136.498 e os homens somavam 120.853, portanto, a presença feminina segue com forte poder de decisão nas eleições.
FATORES
O especialista em direito eleitoral Luciano Olavo da Silva afirma que o interesse dos jovens pode ter relação como fatos recentes do País, como a Operação Lava Jato e os desdobramentos políticos nos últimos quatro anos, quando o Brasil teve uma eleição apertada e depois o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, além do perfil da cidade.
"A participação dos jovens chama a atenção, pois a pirâmide etária do País está mudando, o número de jovens vem diminuindo e aumentando o de idosos, e mesmo assim mais pessoas com a idade do voto opcional, entre 16 e 17 anos, decidiram fazer o título de eleitor na cidade. Isso pode ter ligação como fatos recentes da política brasileira", lembra.
Pelos dados do TSE, a participação dos jovens entre 16 e 17 anos no eleitorado brasileiro caiu nestes quatro anos, ao contrário do que ocorreu em Bauru. Já a participação dos idosos está diretamente ligada ao aumento da longevidade, ou seja, mais brasileiros estão chegando até a terceira idade.
"No caso dos idosos, podemos dizer que é algo natural, pois o brasileiro em média está vivendo mais", cita. Em Bauru, os idosos tiveram um crescimento elevado dentro do colégio eleitoral da cidade, o que pode indicar que o município tem conseguido aumentar a média de idade da população.
Neste cenário, os eleitores com mais de 70 anos, que tem voto opcional, passam a ser um público direto dos candidatos, com mais de 29 mil votos em potencial apenas na cidade, que podem ser decisivos para eleger um deputado, por exemplo, além da necessidade de se discutir políticas públicas voltadas para a terceira idade no Brasil.
Pulverizadas, as candidaturas precisarão 'segurar' votos locais
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Em 2014, na última eleição para os cargos que estarão em disputa em 2018, as opçõesdo eleitorado seja por não comparecimento ou por votos brancos e nulos chegaram a 28%, se considerado apenas a votação para presidente, na qual ocorreu a maior quantidade de votos válidos. Na ocasião, 72% dos eleitores de Bauru votaram em algum candidato a presidente, índice que subiu para 74% no segundo turno.
Para governador, os votos válidos representaram 68% do total de eleitores - houve apenas primeiro turno. Já nos cargos legislativos, a abstenção é ainda maior. Apenas 61% do total de eleitores votou para algum candidato a senador, mesmo índice para deputado federal - votos em candidato ou legenda - e 63% votaram para deputado estadual.
Na eleição de 2014, 49 mil pessoas não foram votar em Bauru, ou seja, 19% do eleitorado na época. Para deputado federal, foram 175 mil votos válidos, e destes, apenas 90 mil a candidatos da cidade. Se considerados os candidatos da região, o número sobre para 104 mil votos. Ainda assim, apenas 40% dos eleitores optaram por algum candidato local ou regional, considerando o colégio eleitoral todo. Já para deputado estadual, foram 172 mil votos válidos, porém com mais votação em candidatos da cidade, 114 mil votos. Ou seja, 44% do eleitorado.
Se considerados candidatos da região, o número chega a 127 mil, ou seja, quase metade dos eleitores aptos votou em candidato local ou regional.
Neste ano, cerca de dez candidatos a deputado federal e outros dez a deputado estadual da cidade disputarão a preferência do eleitor, a partir do próximo dia 16 de agosto, quando começa a campanha eleitoral, com o desafio de reduzirem a fuga de votos para candidatos de fora. A região contará com dezenas de candidaturas, muitos devendo buscar parte dos votos em Bauru também. A legislação eleitoral mudou e, para ser eleito, um candidato precisa fazer pelo menos 10% do quociente eleitoral. Portanto, votações baixas não serão suficientes para eleger um parlamentar, mesmo que o partido ou coligação tenham 'puxadores de voto'.
Para o especialista em direto eleitoral Luciano Olavo da Silva, a abstenção e votos brancos e nulos devem se estabilizar ou cair neste ano. "Os fatos que ocorreram nos últimos anos despertaram o interesse de mais pessoas na política. Ainda pode ser um público novo sem tanto conhecimento, mas acredito que mais pessoas devem votar, e assim a abstenção ou votos brancos e nulos diminuírem neste ano", afirma.

