Apesar de todos os pesares, e pelos inúmeros problemas que a cidade sem limites enfrenta, ainda assim ela é merecedora de todo o nosso carinho, sem dúvidas, neste aniversário dos seus cento e vinte e dois anos. Se o Brasil não vai bem, a cidade faz parte deste todo, e dificilmente estaria sendo um oásis no deserto dos desarranjos do resto do país.
Mas o amor por uma terra vai muito além de obras feitas ou a fazer, seja para educação, saúde ou lazer, sem os quais se torna praticamente impossível viver com total satisfação. Mas como disse, apesar "de", somos um povo que luta e Bauru sempre esteve entre os melhores lugares para se viver no Brasil.
Porém, não queremos, não podemos querer o que temos, e mais, ao passo que passa o tempo vamos tendo outras necessidades e com isso forçados a querer mais. Mais população significa mais obras de saneamento, mais asfalto, mais educação, mais saúde e lazer e a tecnologia por si só pede por mais tecnologia.
E em um mundo globalizado e encolhido, cada vez mais nos aproxima das grandes cidades da Europa, da Norte América, e até das grandes cidades do Oriente, as próprias viagens físicas, que estão um pouco mais populares, tudo isso é motivo para comparações com mais propriedades, com mais argumentos, aí vem as insatisfações, as justas cobranças, devido à distância que parecia tão perto, mas que de outro ângulo tornam-se ilusão de ótica apenas.
Cobranças essas que acabam por ficar em promessas vãs, por falta de verba, por falta de acordos políticos, pela corrupção nacionalizada. Mas sobre todas essas situações sobressai aquele amor de pai de mãe de irmão, o amor incondicional pelo nosso chão de nascimento ou de coração.
Acabando por ser prazeroso seja como viver nesse rincão, e de muitas formas ainda é compensador acordar dentro dos seus limites, andar por suas ruas, às vezes de judiados calçamentos e inúmeros vazamentos do líquido tão precioso como o próprio sangue ou ainda por artérias de chão pelado feitos de areia e de pó. Que também vão, por vezes outras, nas horas de angústia na saúde pública precária, e a educação pública ainda muito pobre.
Ainda assim te amamos e se vamos, por força maior, te levamos conosco, saudade que aperta e que dói na alma, porque amor verdadeiro não é o escolhido, afinal, não escolhemos a quem endereçamos o nosso coração, fazendo assim com que um outro lugar por mais lindo e perfeito que possa ser, simplesmente não pode apagar essa nossa história de amor.
E enquanto isso, um momento por muitos esperado, que vem com chuva no telhado fina ou pesada, que vem no escurinho da madrugada, que vem com os pingos de orvalho, nos primeiros raios de sol, pois foi por mãos certeiras lançado e um sorriso ainda na cama despertado...Amor, já chegou o nosso Jornal da Cidade...
Feliz aniversário duplo em um Bauru, terra do Jornal da Cidade.