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Professores cobram soma de esforços para dar um fim às fraudes em cotas

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Debate (da esq. para dir.): Greice dos Santos Luiz, Edna Araújo, Sylvestre Oliveira, Juarez de Paula Xavier, Juvenal Araújo Júnior, Marcelo Carbone Carneiro, Irineu Nje'a e Edilson Rodrigo Nogueira

Em debate realizado na Unesp, em Bauru, alguns professores cobraram que a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) some esforços para dar fim às fraudes em cotas raciais. Nessa segunda-feira (13), o titular da pasta, Juvenal Araújo Júnior, passou o dia na cidade.

De acordo com o assessor da Pró-Reitoria de Extensão da Unesp, o professor Juarez Xavier, as universidades públicas são protagonistas da luta em prol da igualdade racial. "Até os anos 1970, este debate era feito por pesquisadores brancos. Agora, o cenário mudou", revela.

Por conta disso, o professor afirma que a reserva de vagas, nas universidades públicas brasileiras, é mais do que fundamental. Contudo, segundo ele, existe a necessidade de desenvolver uma política consistente de combate às fraudes.

Diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Unesp, em Bauru, Marcelo Carbone Carneiro também defende a inclusão de negros e indígenas no ambiente acadêmico, além da universidade pública, gratuita e de qualidade. "A tríade pesquisa, ensino e extensão fazem com que a universidade torne público o debate sobre a igualdade racial", reforça.

Inclusive, Xavier aproveitou a presença do titular da Seppir para solicitar que o órgão adote a mesma instrução normativa vigente no serviço público, com o intuito de estimular as comissões a verificarem a veracidade das autodeclarações de negros e pardos.

Para se ter uma ideia, em março deste ano, a Unesp, em Bauru, abriu investigação para apurar um suposto esquema de fraudes em cotas raciais. A suspeita é de que alunos apresentaram documentos falsos para conseguir vagas.

Sobre este assunto, o professor adianta que foram criadas três comissões, cada qual responsável por investigar fraudes na Faculdade de Ciências (FC), na Faac e na Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), todas vinculadas à Unesp. Logo, as denúncias ainda estão sendo averiguadas.

OUTRAS SUGESTÕES

O secretário Juvenal Araújo Júnior ficou de avaliar todas as sugestões propostas durante o debate, incluindo a da presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Greice dos Santos Luiz, que pediu auxílio no sentido de custear as ações de conscientização, principalmente, nas escolas. 

"O dinheiro da alimentação, dos materiais e das apresentações musicais sai do bolso dos voluntários. Então, não conseguimos trazer um show maior, que chamaria a atenção de mais gente para a causa", exemplifica.

Já o coordenador do setor religioso do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Aguinaldo Anastácio da Silva, o Lulinha, trouxe à tona a discussão sobre a proibição do sacrifício de animais nas religiões de matrizes africanas, que foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) recentemente.

"A nossa cidade possui mais de 1 mil terreiros de umbanda e candomblé. Em Salvador, na Bahia, que é a capital do candomblé, são 1,5 mil terreiros, ou seja, Bauru não fica muito abaixo", observa.

Depois de participar do debate, o secretário esteve no Palácio das Cerejeiras, com o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD). Mais tarde, às 16h, ele se reuniu com representantes dos Conselhos Municipais da Comunidade Negra, na sede da OAB. À noite, às 19h, Araújo ministrou a palestra "Políticas públicas para a comunidade negra na atualidade brasileira", no mesmo local.

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