| Samantha Ciuffa |
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| Médico Sérgio Henrique Antonio explica a importância da mamografia e fala sobre o pacote de ações |
O elevado número de mulheres que não comparece aos exames de mamografia agendados pela rede pública de saúde ou sequer procura o serviço se tornou um problema tão crônico em Bauru que o Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil em 2014 para investigar o assunto. E foi somente depois de quatro anos, com medidas extremamente simples, que a administração municipal está solucionando esta dificuldade.
Há dois meses, após nova reunião convocada pelo MPF, o número de agendamentos dobrou na cidade, saltando de 400 para 800 solicitações mensais de exame. O resultado foi alcançado depois de o MPF exigir a apresentação de um plano de ação conjunto com o Departamento Regional de Saúde (DRS-6) do governo do Estado, que disponibiliza as vagas para mamografia na Maternidade Santa Isabel e no Hospital Estadual.
Coordenador do Programa de Saúde da Mulher do município, Sérgio Henrique Antonio explica que, no pacote de ações, medidas como a intensificação da busca ativa, treinamento do quadro de servidores e criação de um cadastro online foram suficientes para impulsionar os agendamentos. "A partir da busca ativa, uma paciente que chega na unidade de saúde por qualquer outro motivo é orientada a fazer a mamografia se estiver dentro da faixa de rastreabilidade", aponta.
Segundo o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde, o acesso gratuito ao exame, quando a mulher não possui histórico de câncer na família ou alterações na mama, é garantido pelo SUS para a faixa entre 50 e 69 anos. A mobilização de mulheres com idade recomendada também foi intensificada pelos agentes que atuam na Estratégia de Saúde da Família.
"Fizemos, também, o matriciamento (orientação) dos médicos da rede, sejam ginecologistas ou generalistas", esclarece o coordenador. Outra medida importante foi a inclusão de um link no site da prefeitura (https://www.bauru.sp.gov.br ou diretamente no https://www.bauru.sp.gov.br/inscricao.aspx?i=2) para cadastramento de mulheres que estejam na faixa de rastreabilidade e que não tenham realizado mamografia nos últimos dois anos. "Basta ela preencher o cadastro, que será direcionado para a unidade de saúde mais próxima à casa dela. Um funcionário, então, irá entrar em contato para fazer o agendamento do exame", frisa.
BAIXA ADESÃO
Em reunião realizada em março deste ano, o procurador da República Pedro Antônio de Oliveira Machado questionou os motivos que impediam as mulheres a ter acesso aos exames, considerando a possibilidade de falta de informação, dificuldade para agendamento ou mesmo para as pacientes comparecerem ao serviço na data agendada. Segundo Sérgio Henrique Antonio, a principal razão é o medo do diagnóstico, o que levou as equipes a fortalecer as orientações sobre a importância do diagnóstico precoce.
"Então, lançamos mão de várias estratégias para conscientizar estas mulheres de que o câncer de mama não é uma sentença de morte e de que, quando mais cedo ele for detectado, maiores as chances de cura. A aceitação, felizmente, está sendo muito grande", observa.
Devido à baixa adesão, o Estado chegou a reduzir, nos últimos anos, o volume de vagas mensais ofertadas em Bauru. Com a consolidação do pacote de medidas, a expectativa, em médio prazo, é alcançar o patamar considerado ideal pelo governo municipal, de 1,2 mil mamografias realizadas por mês.
