| Malavolta Jr. |
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| Criada para ajudar o servidor, Crediserv faliu de forma turbulenta |
Elas apontam uma sequência, por longo período, de ocultação de documentos, manipulação de dados e lançamentos e dezenas de contratos falsos de empréstimos em nome de uma lista considerável de servidores sócios da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores Públicos do Município de Bauru (Crediserv), que teve a decretação de falência confirmada pelo Judiciário há poucos dias em razão de insolvência e de denúncia de uma série de irregularidades previstas como crimes financeiros. A ex-presidente da Crediserv Vanuza Costa Beluci e a conselheira fiscal Cinzia Ferrari procuraram o JC nessa quarta-feira (15) para apontar que elas, assim como os demais conselheiros e integrantes da gestão da Crediserv, foram vítimas de ações fraudulentas cometidas pelo tesoureiro e gestor financeiro da instituição Cláudio Antonio Tavares.
A extensão das irregularidades e manipulações apontadas sob a responsabilidade de Cláudio Tavares seriam de tal alcance que as próprias vítimas têm dificuldades em descrever todas as implicações. Vanuza presidiu a cooperativa entre 2006 e 2010. Depois a Crediserv foi comandada por Simone Stoco Sacarabotto Cury, até 30/08/2015, e, em seguida, por Walter Baggio Júnior. O último é quem assina a ação de decretação de falência. Em todo o período, até 29/03/2017, Cláudio Tavares é quem comandava, de fato, os sistemas, controles, contabilização e contratos da cooperativa, informam.
"Ele foi manipulando tudo, concentrando sempre os dados e informações com ele. Ele tinha a senha master de tudo e só ele tinha acesso a tudo. Ele conseguiu enganar a todos por muito tempo. E foi demitido por justa causa em 29/03/2017. O fato é que esses empréstimos de valores muito elevados que estão citados na ação de falência não são verdadeiros. Nós apuramos até agora 250 contratos sem assinatura. Uma lista enorme de documentos falsos ou que nunca apareceram foram localizados e ele manipulava tudo isso no sistema, utilizando o nome de dezenas de servidores", contam Vanuza e Cinzia.
Para Vanuza, Cláudio começou a manipular as informações no sistema e perdeu o controle da fraude. "Ele criou inúmeras operações que não existem. Em boa parte dos contratos há empréstimos na origem firmados por servidores. Mas foram criadas repactuações, renovações ou refinanciamentos em nomes desses servidores. Isso, no papel, melhorou a posição da cooperativa e foi elevando os indicadores", menciona.
A ex-presidente descreve os contratos de valores elevados "fabricados em nome das vítimas", segundo ela. "A irregularidade chega a tal ponto que em meu nome aparece na ação um empréstimo original em 17/04/2015 no valor de R$ 535.262,07 que não existe. Eu nunca emprestei esse dinheiro e o valor nem tinha no caixa da cooperativa na época. O relatório agora da ação traz que o valor devido contra mim seria R$ 1.111.953,99. Isso nunca existiu e não tem um documento e uma movimentação sequer de valor disso", acrescenta.
Contratos falsos
Assim, conforme a ex-presidente e ex-conselheira fiscal que procuraram o JC, o mesmo vale para a "contratos frios ou de refinanciamentos para o marido de Vanuza Jeferson Silva Campos (R$ 689.927,87, conforme o relatório da ação judicial), sua mãe Adair Costa Beluci (R$ 216.918,96) e sua sogra Nair Maria Campos (R$ 842.787,58). "A acumulação de juros a partir de um contrato inicial modificado depois e sem validade, que não existiu, gerou lançamentos contábeis e no sistema que o próprio Cláudio Tavares fez que nem as auditorias do Banco Central identificaram esses anos todos. Em abril do ano passado a última diretoria contratou uma auditoria e levantou as operações frias. Os valores não correspondem à realidade", reafirmam.
Apesar da extensão dos valores, do número significativo de operações tidas como fraudulentas, do histórico de retenção de valores de receitas inclusive do Município, desde 2015, Vanuza também se espanta com o fato de "ninguém ter identificado nada nesse tempo todo" e da Prefeitura de Bauru ainda ter, de sua parte, realizado acordo com prazo de 60 meses para receber por cerca de R$ 1 milhão que estavam na conta do município na cooperativa.
Perguntada sobre as medidas adotadas, desde então, Vanuza apontou boletins de ocorrência. Nenhuma representação foi protocolizada contra Cláudio Tavares. Apenas recentemente conselheiros e ex-gestores constituíram advogado para acionar o ex financeiro e controlador da Crediserv. O histórico de manipulação de dados e documentos conta Cláudio remonta a 2012. Claudio Tavares não foi localizado em Bauru e estaria em outra região do Estado.
