| Samantha Ciuffa |
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| Vizinhas amigas se reúnem diariamente no Geisel; na foto: Maria de Lourdes Minhorin, Carolina de Oliveira, Dirce Pereira, Julia Barros de Oliveira, Fátima de Assis, Neide Pereira e o cachorro Fred |
O medo da violência e a rotina do cotidiano, muitas vezes, impedem as pessoas até de olharem para os lados, mas ainda há, em Bauru, quem mantenha plena amizade com a vizinhança. Nesta segunda-feira (20) é celebrado o Dia do Vizinho, em homenagem a Cora Coralina, poetisa e eterna defensora do bom relacionamento entre vizinhos.
A data, na verdade, refere-se ao nascimento de Cora, que, diante da insistência da comemoração de um dos seus aniversários, há algumas décadas, pediu aos vizinhos para que fizessem a festa não para ela, mas em celebração à própria vizinhança.
Admiradora de Cora, a moradora de Bauru Helena Quialheiro de Oliveira, 81 anos, é considerada uma guardiã desta data. Qual o motivo? Por muitas décadas ela celebrou o dia 20 de agosto, organizando encontros regados a chás e quitutes caseiros na casa onde morava, na rua Benjamin Constant.
Entre as dezenas de pessoas que se reuniam na calçada da casa del,a esteve Nize Bretas (em memória), nora de Cora Coralina, que morou muitos anos em Bauru.
Mesmo após a mudança, Helena continuou a boa relação com a vizinhança e até ampliou seu número de amizades. "Tem gente que fala que, quando a velhice chega, a gente fica sozinho. Eu nunca fiquei. Conservo meus amigos, antigos vizinhos e ainda faço novas amizades por aqui", comenta.
Neste ano, por motivos de saúde, contudo, ela não poderá festar na data. "No dia 20 de agosto, ainda não dá. Mas, se Deus quiser, em setembro ou outubro, estarei melhor e pretendo reunir as amigas para festejar", antecipa.
RODA NA CALÇADA
Seja para uma boa prosa ou para o chá da tarde na calçada, a turminha da quadra 5 da rua Alexandrino Rodrigues, no Núcleo Geisel, não fica uma tarde sequer sem se reunir. Formada por aposentadas, pensionistas e donas de casa, a roda de amigas possui mais de duas décadas. "Só não nos vemos se chove ou se faz muito frio", detalha Fátima Assis, 61 anos.
Entre as conversas que rendem horas na calçada, estão assuntos em alta na mídia, troca de receitas, papo sobre as famílias e sobre a cidade. "Nem o prefeito e os vereadores escapam. Sempre avaliamos como está Bauru", acrescenta Dirce Ribeiro, 87 anos.
Amizades que Maria de Lourdes Minhorin, 77 anos, mantém há anos com zelo. "Sempre pedi a Deus para me dar bons vizinhos na vida, porque, no fim, são sempre eles os primeiros a nos ajudarem quando a gente envelhece, porque os filhos ficam longe", comenta. "Há alguns anos mesmo, eu caí na rua e a Dirce me socorreu. Ela é mais do que uma vizinha pra mim, uma grande amiga", finaliza Maria de Lourdes.
Você Sabia?
Existem algumas divergências sobre a data correta do Dia do Vizinho no Brasil. Alguns Estados celebram em 23 de dezembro, outros comemoram em 20 de agosto, homenageando a poetisa Cora Coralina.
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